a batalha dos cinco exércitos o hobbit

Resenha: A Batalha dos Cinco Exércitos

17:53neo


Ao contrário de muitos, eu não me decepcionei com Uma Jornada Inesperada (AUJ), mas A Desolação de Smaug (DOS) fez uma parte da minha expectativa por A Batalha dos Cinco Exércitos desaparecer. Não vou entrar em detalhes (essa não é uma resenha de A Desolação de Smaug, né), mas os elfos de Mirkwood, reino de Thranduil e Legolas (e Tauriel), são meus preferidos dentre os povos élficos criados por Tolkien e eu estava esperando algum foco neles e na história da própria Mirkwood, o que não aconteceu por motivos de Tauriel e Kíli. Um tanto desanimada, esperei por A Batalha dos Cinco Exércitos (BOTFA) mais por ser O Hobbit e por ser Tolkien e pra ver o exército élfico caindo pra cima de todo mundo, com uma fraca esperança de que talvez Peter Jackson se redimisse. O que ele de certa forma fez, mas não o suficiente para mim.

BOTFA peca por ter sido mal planejado. Aliás, a trilogia toda peca nesse sentido. Não estou falando de todas as coisas extras que Jackson enfiou na história, até porque gosto da maior parte delas, mas sim da falta de habilidade na hora de organizar o roteiro. [SPOILER] Desde o filme um foi criada uma grande expectativa sobre como Smaug morreria e ter deixado sua morte para BOTFA ao invés de fazê-la acontecer logo em DOS meio que acabou com uma parte do clímax da história. Veja bem, Jackson nos mostrou o quão poderoso Smaug era em DOS, mas em BOTFA a gente não vê isso de novo, então a grandiosidade de Smaug se perde por agora estar há um ano de distância. A queda do temível dragão que reinou durante décadas no antigo lar dos anões deveria ter sido o clímax do segundo filme, e não um acontecimento solto nos primeiros 20 minutos de BOTFA. Mas sim, a cena em si é linda e muito bem feita, apesar de meio corrida. [FIM DO SPOILER].

BOTFA também peca ao ser superficial e durante boa parte do filme, sem emoção. Quando assisti AUJ uma das coisas que me lembro de ter pensado foi, meu Deus, eu vou me tornar uma cachoeira humana quando certos personagens morrerem no último filme, mas ao assistir BOTFA nada me atingiu. Na verdade, enquanto observava um dos personagens que mais gosto do filme morrer a única coisa que passava pela minha cabeça era, o fandom de Tolkien no Tumblr vai explodir quando ver que X não morreu como no livro, porque ali estava X, morrendo justamente do jeito que todo mundo estava temendo que ele morresse. 

Devo muito dessa superficialidade ao fato de que o filme está incompleto. Sim, incompleto. Aposto meu fígado que a versão estendida vai trazer muita coisa que ficou de fora de BOTFA, até porque esse é o filme mais curto da trilogia. Houve momentos em que eu praticamente vi onde as cenas estendidas estão, justamente porque tudo parecia feito pela metade. Nem preciso falar que isso é uma sacanagem com quem compra o ingresso, né? Ninguém deveria pagar para assistir três quartos de filme. E, é claro, muita coisa acaba não sendo explicada para quem não leu o livro e está ali só para se divertir, e que obviamente não vai pagar os olhos da cara pela versão estendida. O que aconteceu com o povo da Cidade Lago? Como o tesouro do dragão foi dividido, quem vai reinar? O que vai acontecer com certos personagens que simplesmente ficaram lá, meio que soltos na narrativa?

Essas falhas não chegam a tornar o filme ruim, porém. As cenas de guerra são estupendas, os efeitos visuais são incríveis (apesar de um ou outro ficar meio ridículo) e dá pra dar risada, ainda que bem menos do que deu em AUJ e DOS. As cenas em Dol Guldur, com Elrond, Galadriel, Saruman e Gandalf (e brevemente Radagast) são maravilhosas (apesar da luta em si parecer saída de um jogo). Quando vi o trailer quase senti meu estômago se revirar ao ver Galadriel meio se arrastando e Saruman e Elrond chegando para ajudá-la, porque, sinceramente, colocar Saruman ou Elrond (e eu adoro o Elrond) para resolver algo que a Galadriel não conseguiu simplesmente não faz sentido e nunca fará, mas meus temores foram infundados. Galadriel tem pouco tempo de filme, mas ainda assim consegue ser uma das melhores coisas de BOTFA.

É um filme bonito que não emociona e que vale a pena por ser O Hobbit e pelas cenas de guerra e luta. Até o desenvolvimento dos personagens achei corrido, como se Jackson estivesse com pressa, e Deus sabe que pressa foi tudo o que ele não teve durante os dois primeiros filmes. Para falar a verdade, acho que vou gostar bem mais de BOTFA quando o ver completo com as cenas estendidas e tudo mais. Vou esperar um box com os três filmes estendidos ser lançado e vou pagar minha vida por ele, e é claro que vou assistir O Hobbit e O Senhor dos Anéis em sequência (parando pra dormir, provavelmente) e ainda fazer minha família toda assistir comigo, porque por mais que essa nova trilogia não seja nem de longe perfeita, ainda é, você sabe, a Terra-média. 

AUJ conseguiu quatro estrelas de mim, DOS três e meio e BOTFA fica com três e meio também. 
  • Considerações sobre a trilogia como um todo (spoilers!)
O Hobbit é uma trilogia que era para ser, mas não foi.

Vou falar mais aqui sobre as coisas que mais me incomodaram e que, por isso, tem mais a ver com Mirkwood e os personagens de lá. Eu vou ser biased, gente, vou logo avisando.

Quando anunciaram que haveria uma guerreira elfa em DOS, eu fiquei bem feliz. Se não tivessem trazido a Galadriel e criado a Tauriel, O Hobbit não teria mulher alguma, e acho que a essa altura do campeonato vocês provavelmente já sabem que isso não é uma coisa que me faz muito feliz. Mas incluir uma personagem feminina e logo em seguida lhe dar uma plotline amorosa sendo ela uma elfa e ele um anão é dar um tiro no próprio pé por basicamente dois motivos.

Primeiro, o óbvio. Se você vai criar uma personagem feminina que é supostamente independente e forte fazer da única plotline dela um pseudo amor proibido não é a decisão mais esperta. Há uma tentativa de mostrar outros motivos para as ações de Tauriel que não o simples fato de ela estar apaixonada por Kíli, que consistem nela ser contra o isolamento dos elfos e a favor de ajudar os humanos (e anões) na luta contra Sauron, mas a força motivadora dela ao tomar a decisão que a leva a ser banida continua sendo seu amor por Kíli. Quando ela parte de Mirkwood em DOS para acompanhar os anões ela pode até acreditar que está fazendo algo certo, mas o que a faz ter coragem de abandonar seu reino, seu povo e seu rei é o que ela sente por Kíli apenas. Resumindo: ela pode até ter desejado partir tendo como base seus ideais, mas ela não o faria se não sentisse nada pelo anão. Ela continuaria obedecendo a Thranduil e servindo Mirkwood mesmo que insatisfeita. Esses ideais de Tauriel ficaram parecendo apenas uma desculpa para ela sair por aí correndo atrás do Kíli, o que também acontece durante BOTFA.

Segundo, anões e elfos não se gostam muito no mundo criado por Tolkien, como vocês provavelmente já sabem, e é por isso que a amizade de Gimli e Legolas em O Senhor dos Anéis é tão importante. Colocar uma elfa e um anão se apaixonado em O Hobbit tirou muito da importância da amizade de Gimli e Legolas e até mesmo da admiração que Gimli passa a ter por Galadriel na trilogia original. Quem iria se lembrar da amizade entre um elfo e um anão ou da admiração que um anão sentiu por uma rainha élfica se ambas coisas aconteceram após o amor proibido que terminou em tragédia entre uma elfa e um anão? O esforço de Tolkien em acabar ou pelo menos diminuir o preconceito existente entre elfos e anões em O Senhor dos Anéis foi jogado nas sombras diante do romance entre Kíli e Tauriel criado por Jackson.

Outra coisa que me incomodou bastante foi a falta de informação sobre Mirkwood e tinha tanta coisa para falar que daria mais profundidade tanto a Legolas quanto Thranduil e a relação de pai e filho entre os dois que pensar nas oportunidades perdidas me deixa meio irritada até hoje. Oropher, pai de Thranduil, lutou na guerra contra Sauron junto aos homens, mas tomou algumas decisões erradas que resultaram na sua própria morte e na perda de grande parte do seu exército. Coube a Thranduil reconstruir o reino de seu pai e, ao contrário de Valfenda e Lothlórien que tinham anéis de poder para se proteger (Elrond e Galadriel respectivamente), Mirkwood nunca teve ajuda nenhuma. Para melhorar a situação, o reino de Thranduil é próximo de Dol Guldur e por isso sempre recebeu ataques constantes. E ninguém de nenhum canto da Terra-média jamais tentou ajudá-los.

Então, não, eu não culpo Thranduil nem um pouquinho por não querer ajudar ninguém e preferir ficar entocado em seu reino cuidando dos seus problemas. E é aqui que Tauriel perde ainda mais pontos comigo, principalmente por causa da cena de BOTFA onde ela chega a ameaçar Thranduil - seu rei - porque ele não quer ir atrás dos anões que se encaminham para uma emboscada. E, desculpe, mas não consigo não pensar que Tauriel estava tão desesperada para salvar os anões por outro motivo que não Kíli.

Nada disso - Oropher, os ataques constantes de Dol Guldur, o fato dos elfos de Mirkwood terem tido que se virar sozinhos por muito tempo, etc - foi mencionado no filme. Escolheram lotar as cenas em Mirkwood com o pseudo desenvolvimento do romance entre Kíli e Tauriel, e além disso ter desviado a atenção da história do reino, também serviu para transformar Legolas em um personagem ciumento que, assim como Tauriel, também deixa seu reino, seu povo e seu pai (e rei) por estar apaixonado. Em BOTFA ele chega a se recusar a voltar para Mirkwood porque Thranduil baniu Tauriel, mesmo ele tendo toda a razão do mundo para ter feito isso. E sim, Legolas se redime um pouco no aspecto ciumento em BOTFA, mas o filme acaba com ele ainda se recusando a voltar a Mirkwood.

E nem mortinha que eu engulo um personagem que deixa não só sua família, mas todo o seu povo - porque né, Legolas é um príncipe - primeiro para seguir alguém por quem o personagem está apaixonado e depois por guardar mágoa por esse mesmo alguém ter sido banido por razões completamente lógicas. O Legolas de O Hobbit é um Legolas completamente diferente do de O Senhor dos Anéis, que tinha ido a Valfenda apenas para pedir um conselho, mas que acaba embarcando em uma jornada que pode facilmente levá-lo a sua morte por achar que aquilo era o certo a se fazer.

Em BOTFA Legolas conta a Tauriel como sua mãe morreu em Angmar, o que é completamente criado por Jackson, mas que o fandom não vai ter dificuldade alguma em aceitar porque é o que todo mundo pensa que aconteceu de qualquer jeito. Gostei de terem mencionado a mãe dele, mas não gostei de como todo o resto foi apresentado. Primeiro, como diabos Tauriel não sabia que sua rainha tinha sido assassinada por orcs e que seu corpo jamais foi recuperado? Foi um modo de revelar o que aconteceu com ela meio estúpido, já que não faz sentido nenhum Legolas ter que contar isso para Tauriel. Poderia ter sido para qualquer outro personagem que não Thranduil ou, talvez, Gandalf, mas ainda assim Tauriel foi escolhida. Muito provavelmente porque Legolas a segue o filme inteiro.

Há um ou dois meses atrás vi um rumor de que Jackson faria Thranduil ir até a Montanha para pegar algo de sua esposa - supostamente as joias apresentadas no filme por 3 segundos. Quando vi Thorin zombar que Thranduil adoraria ter aquelas joias, fiquei bastante animada. Pensei que ia haver alguma menção à mãe de Legolas - e teve, como eu já disse - por aquelas joias serem dela de acordo com o rumor, mas a coisa ficou nisso mesmo. Sim, Thranduil queria aquelas joias. Sim, a mãe de Legolas morreu em Angmar. Não, ninguém vai explicar a relação entre as duas coisas e sim, vai ficar tudo jogado na narrativa mesmo. O público que se vire para entender, ué. 

Junte isso ao fato de que houve uma tentativa de mostrar o efeito que a morte da mãe de Legolas teve na relação entre Thranduil e Legolas e que essa tentativa foi extremamente mal-feita que vão entender porque eu acredito que esse filme foi para os cinemas com pelo menos um quarto faltando.

Outras duas coisas me incomodaram: Thorin e sua doença do ouro, que aconteceu de modo muito desajeitado e apressado, e principalmente as mortes de Kíli e Fíli.

Thorin teve uma morte mais digna que Kíli e Fíli. Fíli, desde o segundo filme bem ignorado graças à história amorosa de seu irmão, morre de um jeito que deveria ter sido chocante se não tivesse acontecido tão sem emoção. Kíli parte então atrás do cara que o matou, mas no meio do caminho encontra Tauriel e, adivinhe!, morre tentando salvá-la. Uma das coisas que sempre gostei em O Hobbit é justamente a ironia - meio amarga, sim - de que Thorin, Kíli e Fíli, os herdeiros do trono de Thrór e os mais interessados na recuperação de Erebor, são os únicos anões que morrem. Thorin morre quase que como para se redimir de ter caído nas garras da doença do ouro e Kíli e Fíli morrem para ilustrar que mesmo que quando se consegue seu objetivo - ter Erebor de volta - se algo for feito errado - Thorin recusando-se a ajudar as pessoas que haviam perdido suas casas graças a ele por pura ganância - o pior vai acontecer. O Hobbit com seu ouro de Smaug, assim como O Silmarillion com suas Silmarils e O Senhor dos Anéis com o Um Anel, sempre mostrou como a ganância causa coisas terríveis, na minha opinião. O Hobbit também acaba sendo a história de Thorin e seus herdeiros, Fíli e Kíli. Ver Fíli morrendo de modo aleatório e desajeitado e ter que assistir Kíli morrendo por outra pessoa que não seu irmão ou tio era justamente tudo o que eu - e não estou sozinha nisso, pode acreditar - não queria. 

Jackson teve a ideia absurda - pra mim, claro - de colocar relacionamentos amorosos acima de relacionamentos entre pessoas da mesma família e acima da lealdade para com um reino e seu povo. Isso acontece com Tauriel, que abandona Mirkwood por Kíli, com Legolas, que abandona Mirkwood e seu pai por Tauriel, e com sua escolha de isolar Fíli, Kíli e Thorin só para fazer Kíli morrer por Tauriel. E, como se não bastasse, Legolas salva Tauriel após Kíli ter morrido. Ou seja, Tauriel é uma guerreira incrível, mas ainda assim acaba sendo salva por dois caras que a amavam e que praticamente ditaram - Kíli bem mais que Legolas - tudo que acontecia com ela nos dois filmes.

Não sei se é porque sou tudo menos romântica nessa vida, mas eu odeio - e odeio mesmo - ver coisas como relações entre pai e filho, ou irmão e irmão, ou a lealdade a alguém ou alguma coisa, sendo colocadas de lado por causa de romance, sendo este correspondido ou não. É um dos meus maiores pet peeves com qualquer tipo de história que eu leio, não importa o gênero.

A única coisa que gostei nessa história toda de Kíli-Tauriel foi como houve uma brecha, em uma das cenas finais, para a relação entre Thranduil e Tauriel melhorar. Acredito que Tauriel passou a entender mais Thranduil após perder Kíli, já que Thranduil perdeu sua esposa, e isso o torna de certo modo parecidos. Houve algum entendimento/identificação entre os dois nessa cena, e isso me agradou bastante, mas como o resto do filme, foi algo completamente solto na narrativa.

Resumindo, muitos aspectos de O Hobbit poderiam ter sido muito melhores e dado muito mais profundidade aos personagens e à história se houvesse tido alguma habilidade na hora de colocá-los no roteiro ou na hora de construir os personagens. Ainda gostei do filme, mas sim, a coisa toda me deixou bem desapontada. Os três filmes juntos não ficam com mais de 3.5 estrelas, na minha opinião.

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1 comentários

  1. Vc tem razao'pois adoro o thranduil e e uma pena que ele apareca tao pouco deveriam contar mais da vida dele e que sua esposa renascese seria incrivel.Everlane.

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