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Resenha: A Traição ao Imperador, Michael Moorcock

14:33neo
Elric de Melniboné: A Traição ao Imperador | The Sailor on the Seas of Fate | The Weird of the White Wolf | The Vanishing Tower | The Bane of the Black Sword | Stormbringer | Elric at the End of Time | The Fortress of the Pearl | The Revenge of the Rose | +
Michael Moorcock
Generale
★
A história de 'Elric de Melniboné', o imperador albino e feiticeiro, é uma das grandes criações de fantasia moderna. Um fraco e introspectivo escravo de sua espada, Stormbringer, ele é também um herói cujas aventuras e andanças sangrentas levam-no, inevitavelmente, a intervir na guerra entre as forças da lei e do caos. Um clássico do gênero espada e feitiçaria, Elric de Melniboné é um ícone excepcional da fantasia de violência, poder, política e guerra. Neste livro, Elric enfrentará a ameaça ao império de Melniboné e transitará entre o uso da magia e seus princípios morais, que o impedem de tomar algumas decisões. Além disso, sua amada Cymoril encontra-se em perigo, e ele não medirá esforços para salvá-la. Pela primeira vez, a editora Generale traz para os leitores brasileiros a tradução dos textos originais da Saga de Elric de Melniboné, sendo este o primeiro livro.

Esse livro só não é a encarnação do tédio em forma de história porque é curto demais.

Ele simplesmente... Não faz sentido.

Nada em Elric de Melniboné faz sentido. 

Sabe, acho que clássicos da fantasia simplesmente não são pra mim. Sim, eu sei que O Senhor dos Anéis Ã© um clássico (e Nárnia também), e acho que a essa altura do campeonato todo mundo aqui já sabe que eu adoro O Senhor dos Anéis e coisa e tal, mas acho que o resto dos clássicos não funciona comigo. Mago, A Espada de Shannara e agora Elric de Melniboné... Nenhum deles me convenceu. Na minha opinião são mal escritos, com péssimos personagens, sem nenhum senso de ritmo ou worldbuilding. Mas a fantasia de hoje em dia é dominada pelo grimdark, subgênero que eu também odeio, então o que fazer?

Mas né, voltemos para Elric de Melniboné e para o motivo pelo qual escolhi dar uma nota baixa pra ele.

Bem, as ideias do livro são boas. Temos um país, Melniboné, lar de um tipo de criatura (humanos??) que governou o mundo durante dez milênios, mas que nos últimos quatro ou cinco séculos perdeu a força. Melniboneanos são diferentes; eles não se importam em ser do bem ou do mal, e praticamente são a favor de fazer tudo para se conquistar a satisfação deles próprios. Eles não sabem o que é compaixão ou misericórdia ou qualquer outra coisa do tipo, e é por isso que Elric, o atual Imperador de Melniboné, é visto como estranho e até mesmo fraco. Elric costuma "negar" as tradições melniboneanas e pensa em ter "consciência" e "morais". Acho que o plano era fazer o leitor simpatizar com esse cara que, diferente de todos de seu povo, consegue ter o mínimo de hm, bondade, para ser considerado humano.

Mas não funcionou. Sabe por quê? 

Porque Elric é um hipócrita. E burro. Um hipócrita burro. 

Melniboné tem escravos. Elric está sempre perdoando Deus e o mundo (mas principalmente seu primo que quer 1) roubar seu trono, 2) roubar a guria que ele gosta e 3) matá-lo) e falando sobre ter "morais" e "consciência", mas em NENHUM momento do livro este nosso projeto de humano e de pessoa supostamente boa gasta uma vírgula de energia para considerar o fato de que o país onde ele é rei/imperador tem escravos e que, hey, talvez isso não seja algo correto. Os escravos servem a ele, mas não, ele vai ficar todo mimimi morais mimimi pra cima de outros melniboneanos ou com humanos de outros reinos. Ter morais e consciência para se tocar que ter escravos não é algo certo??? Pra quê???

É por isso que ele é um hipócrita. As morais e a consciência dele só servem para quem ele considera como igual. O resto que se dane, ué.

Ele também é burro. Muito burro. Sabe, Elric nasceu doente. Ele não tem muita energia e sempre tem que tomar umas poções aí para recuperar a força, e tem que tomá-las todo dia. O que você faria se tivesse que tomar um remédio todo dia para continuar vivendo? Carregaria-o por aí o tempo todo, certo? 

Elric não faz isso. Ele vai pra batalhas o tempo todo sem ter tomado a poção e sem tê-la por perto. Isso é burrice, gente. Ou melhor, isso acontece porque o plot said so. E não faz sentido.

Como eu disse lá em cima, nada nesse livro faz sentido.

Nenhum personagem convence. Mas nenhum mesmo. São todos tipo NPCs de jogos online; só estão ali para dizer a coisa certa no momento certo para que o protagonista possa seguir para a próxima missão e fim. Nenhum tem personalidade e voz própria. E a Cymoril, a amada do nosso querido personagem principal, bem, ela é a clássica princesa sequestrada que precisa ser salva. No início eu até tive esperanças de que ela seria uma boa personagem e cheguei a concordar com ela várias vezes no momentos em que ela tentava colocar um pouco de senso no cabeça dura do Elric, mas no final ela só serviu mesmo para esperar o príncipe não tão encantado quietinha no covil do maligno primo do mal.

Mas, sabe, até que a sociedade de Melniboné não foi tão sexista quanto poderia ter sido. Não tem nenhuma mulher na história além da Cymoril e a própria Cymoril é ruim e coisa e tal, mas poderia ter sido bem pior, levando em conta como alguns livros de hoje em dia escolhem construir suas sociedades. Continua sendo muito ruim de qualquer jeito.

E a escrita... Uma tragédia. O ápice do tell e a completa morte do show. O autor conta tudo para o leitor. Tudo. Temos infodumps a cada quatro frases e a biografia praticamente toda de cada personagem no momento em que ele aparece. As descrições são sofríveis, as cenas são corridas e o livro todo se passa num tapa sem causar emoção alguma além de enfado. 

A parte triste é que Elric de Melniboné poderia ter sido uma ótima história. Algumas ideias me chamaram a atenção: os dragões adormecidos, os Senhores do Caos, os Elementais, as espadas com consciência própria e como os personagens teriam que lidar com elas, etc. Elementos que seriam incríveis em uma história bem escrita e com bons personagens, mas que aqui são tipo agulhas perdidas no palheiro. 

Conclusão: esse livro não tem qualidade nenhuma. Zero. Neca. None.

Mas é curto e a edição da Generale é muito linda (encontrei uns dois erros na revisão, porém). Então é um livro ruim, mas pelo menos acaba cedo. 1.0 estrela.

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Lançamento: A Traição ao Imperador - Elric de Melniboné

20:51neo

A primeira postagem aqui no Blogger é dedicada ao lançamento do volume um da série Elric de Melniboné, intitulado A Traição ao Imperador, do escritor inglês Michael Moorcock. O livro foi lançado hoje mesmo pela Editora Generale e aparentemente a primeira leva de edições terá capa dura (quem considerou a possibilidade de eu juntar as moedinhas para tentar comprar uma dessas edições o mais rápido possível está completamente certo).


Há um bom tempo que ouço falar dessa série (antigamente eu a confundia com The Legend of Drizzt de R.A. Salvatore por motivos meio bizarros que incluem ambos os protagonistas terem cabelos brancos/prateados) e na maioria das vezes as coisas que eu ouvi foram muito boas. A sinopse, que você pode conferir abaixo, também parece bem interessante.

A história de 'Elric de Melniboné', o imperador albino e feiticeiro, é uma das grandes criações de fantasia moderna. Um fraco e introspectivo escravo de sua espada, Stormbringer, ele é também um herói cujas aventuras e andanças sangrentas levam-no, inevitavelmente, a intervir na guerra entre as forças da lei e do caos. Um clássico do gênero espada e feitiçaria, Elric de Melniboné é um ícone excepcional da fantasia de violência, poder, política e guerra. Neste livro, Elric enfrentará a ameaça ao império de Melniboné e transitará entre o uso da magia e seus princípios morais, que o impedem de tomar algumas decisões. Além disso, sua amada Cymoril encontra-se em perigo, e ele não medirá esforços para salvá-la. Pela primeira vez, a editora Generale traz para os leitores brasileiros a tradução dos textos originais da Saga de Elric de Melniboné, sendo este o primeiro livro.
Só espero que essa amada Cymoril seja mais do que uma donzela em perigo, mas como o livro é meio velho (1972, gente. Meio velho não, totalmente velho) tenho lá minhas dúvidas quanto a isso. Mas né, a esperança é a última que morre.

Aproveito o post para informar que a releitura de Eragon anda a passo de tartaruga por motivos de faculdade. Estou em semana(s) de prova, então fica difícil fazer outra coisa que não tentar estudar, procrastinar enquanto deveria estar estudando (com peso na consciência) e estudar de fato. Amanhã mesmo tenho uma prova de economia que provavelmente só vou conseguir fazer com ajuda de Chico Xavier. 

Mas, como mencionei no Twitter e no Tumblr nos últimos dias, já tenho material para a primeira matéria da futura série de posts sobre como não escrever um livro de fantasia. Assim que o final de semana chegar pretendo escrevê-la e postá-la. 

Bem, é isso. Ah, e tenho duas resenhas de livros que li esse ano e que receberam cinco estrelas para (escrever e) postar nos próximos dias, provavelmente quando eu voltar a ter vida/a faculdade me deixar em paz. Até!

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