4.0 estrelas fantasia urbana lgbt

Resenha: Capital Revelada, Atlas Moniz

14:06neo
Capital Revelada
Atlas Moniz
★★★★

O limite do vazio, emoções tomando forma. Olhos que o encaram do negrume, o espectro de um garoto há muito morto, uma realidade oculta. Para Luiz Azevedo, universitário e historiador em formação, tudo começa com uma foto velha, presumivelmente da década de 1920, de um jovem com feições do leste asiático: um rapaz que parece sair da foto para assombrar seus dias e noites, que parece segui-lo nos melhores e piores momentos.
Uma relação abusiva, uma tentativa de suicídio, um jovem socorrido em mais um de seus piores momentos. O tal Marcos Castelo Branco (ou Marcos Akiyama?), colega de faculdade de ascendência asiática, tem uma semelhança assustadora com o retratado na foto de oitenta anos antes. Quando Luiz e Marcos começam a se conhecer, quando seus destinos começam a se entremear, as grandes questões parecem uni-lo em um confronto contra o desconhecido: quem é o rapaz da foto e por que ele se parece com Marcos; por que ele insiste em observá-los de perto, das portas de seus quartos, parado e inexpressivo como uma estátua de mármore, morto há décadas?
Tudo começa e termina com uma foto.
Comecei a ler esse livro um tanto hesitante. Dessa vez não por ser nacional (ha!), mas sim por ser fantasia urbana, um subgênero de fantasia que não curto tanto assim, e por ser de um estilo que com toda certeza desse universo não tem nada a ver comigo ou com nada que eu leio e gosto. Capital Revelada me lembrou um tanto umas paradas mais, hm, não de gênero, por assim dizer, e bem... eu costumo não gostar de nada que não seja de gênero, ou seja, que não seja de fantasia, sci-fi, etc. Então Capital Revelada não é exatamente o tipo de livro que eu escolheria pra ler tendo como base a sinopse/o estilo.

4.0 estrelas fantasia fantasia urbana

Resenha: Um Tom Mais Escuro de Magia, V.E. Schwab

14:53neo
Série Um Tom Mais Escuro de Magia | Um Tom Mais Escuro de Magia | A Gathering of Shadows | Untitled
V.E. Schwab
Editora Record
★★★★

Kell é um dos últimos Viajantes - raros magos que escolhem universos paralelos para visitar.
London Cinza é suja, chata, não tem magia e é regida pelo louco rei George. Londres Vermelha é onde vida e magia são reverenciadas e a Dinastia Maresh reina sobre um império florescente. Londres Branca é governada por quem quer que tenha matado a última pessoa no trono. Pessoas lutam para controlar a magia, e a magia faz o mesmo, sugando a cidade até o osso. Uma vez existiu Londres Negra - mas ninguém fala dela hoje em dia.
Oficialmente, Kell é um Viajante Vermelho, o embaixador pessoal e príncipe adotado de Londres Vermelha, carregando as correspondências mensais entre os reis de cada Londres. Extra-oficialmente, Kell contrabandeia para aqueles dispostos a pagar até mesmo por um vislumbre de um mundo que nunca poderão ver. Esse passatempo perigoso faz com que ele comita uma traição acidental. Fugindo para Londres Cinza, Kell colide com Delilah Bard, uma ladra com aspirações elevadas. Ela o rouba, o salva de um perigoso inimigo, e então o força a levá-la para outro mundo para que ela tenha sua “aventura de verdade”.
Mas magia perigosa está em andamento, e traição se esconde em cada turno. Para salvar todos os mundos, Kell e Lila primeiro precisam ficar vivos - algo mais complicado do que eles esperavam.

Eu já vinha ouvindo falar da autora desse livro, V.E. Schwab (ou Victoria Schwab, mas ela só usa o Victoria em seus livros YA), muito tempo antes de pegar Um Tom Mais Escuro de Magia para ler, e praticamente todo mundo a adorava. Nem preciso dizer, portanto, que minhas expectativas foram parar no céu de tão altas - afinal, Schwab era (bem, é) famosa por escrever histórias diferentes, com personagens cinzentos e mundos originais. O que mais eu poderia querer de uma história de fantasia? Pois é.

4.0 estrelas fantasia fantasia urbana

Resenha: Filhos da Lua, Marcella Rossetti

14:17neo
Série Filhos da Lua: O Legado | ?
Marcella Rossetti
★★★★

Você consegue imaginar que a vida que te ensinaram a viver pode não ser aquela para a qual nasceu? Que tudo o que acredita pode não ser inteiramente verdade? E que existem criaturas conhecidas como trocadores de pele vivendo entre nós?
Em Filhos da Lua: o Legado, você descobre um novo universo de fantasia urbana, tendo como cenário inicial a cidade de Santos, em São Paulo. A autora apresenta uma aventura cheia de mistérios cuja personagem principal é Bianca, uma adolescente que não imagina que sua chegada na cidade desencadearia uma série de acontecimentos capazes de transformar completamente a sua vida e revelar os segredos de um perigoso mundo.

Filhos da Lua foi uma surpresa bastante agradável. 

Tenho que admitir, antes de tudo, que uma parte dessa surpresa se deve a um preconceito meu. Não contra livros brasileiros nesse caso, mas sim contra o gênero: fantasia urbana. Já comentei por aqui que não costumo ler muitos livros assim por odiar como quase tudo nesse gênero acaba sendo colocado de lado em favor do romance. E, para ser sincera, muito disso tem a ver com o modo errado com que várias histórias são promovidas. Afinal de contas, há uma grande diferença entre romance paranormal e fantasia urbana (e o mundo seria um lugar bem melhor se as editoras agissem em cima disso).

2.5 estrelas fantasia fantasia urbana

Resenha: The Girl at Midnight, Melissa Grey

13:01neo
Série The Girl at Midnight: The Girl at Midnight | The Shadow Hour | Untitled
Melissa Grey
Delacorte Press
★★½
Embaixo das ruas da cidade de Nova York vive os Avicen, uma antiga raça de pessoas com penas ao invés de cabelo e magia a correr por suas veias. Velhos encantamentos os mantém escondidos dos humanos. De todos menos um. Echo é uma batedora de carteiras fugitiva que sobrevive vendendo tesouros roubados no mercado negro, e os Avicen são a única família que ela já conheceu.
Echo é inteligente e ousada, e às vezes ela pode ser imprudente, mas acima de tudo ela é ferozmente leal. Assim, quando uma guerrar secular se aproxima de sua cabsa ela decie que é hora de agir.
Diz a lenda que há uma maneira de acabar com o conflito de uma vez por todas: encontrar o Firebird, uma entidade mítica em que se acredita possuir um poder como o mundo jamais viu. Não será uma tarefa fácil, mas se a vida de um ladrão ensinou Echo alguma coisa é como encontrar o que ela quiser... E como tomar isso.
Mas alguns trabalhos não são tão simples como parecem. E esse pode simplesmente deixar o mundo em chamas.

The Girl at Midnight era um livro que eu estava antecipando muito. Quero dizer, o plot é sobre uma garota no meio de uma guerra entre duas raças que vivem escondidas dos humanos, uma que tem penas na cabeça ao invés de cabelos (e algumas mais nos braços) e outra que tem escamas espalhadas pelo corpo (os Avicen e os Drakharin, respectivamente). Eu adorei a ideia da primeira raça; faz tempo que não via algo tão original assim, já que (pelo que eu vejo) as criaturas sobrenaturais hoje em dia sempre são mais do mesmo. 

4.5 estrelas fantasia fantasia urbana

Resenha: Lobo de Rua, Jana P. Bianchi

16:49neo
Lobo de Rua
Jana P. Bianchi
★★★★½

Essa é uma novela sobre homens, lobos e luas.
Raul é um morador de rua, um homem invisível e desgraçado como tantos os outros. Como se sua desgraça não fosse suficiente, Raul contrai a maldição da licantropia, tornando-se um lamentável lobo de rua. Tito Agnelli não compartilha do abandono de Raul, mas conhece muito bem a sensação de ser rasgado por dentro, todos os meses, pela coisa vil que se abriga nele. Assim, compadecido com o sofrimento do recém-transformado, Tito acolhe Raul na Alcateia de São Paulo, extinta até então por falta de lobisomens residentes na Pauliceia. Depois de décadas de contaminação, Tito conhece cada detalhe da maldição que o transforma em lobisomem. Além disso, conhece também a Galeria Creta, um lugar em São Paulo onde ele e outros dos seus são bem vindos nas noites de lua.
Basta pagar o preço. 

Uma cópia digital foi cedida pela autora em troca de uma resenha honesta. Obrigada, Jana! 

Quem acompanha o blog sabe que eu não tenho um grande amor por fantasia urbana não. Leio um livro ou outro do tipo de vez em quando, mas não é um subgênero que me agrada o suficiente pra que eu faça disso um hábito. Por isso comecei a ler Lobo de Rua - que é uma novela, tendo apenas umas 60 páginas - um tanto hesitante, mas a história logo me conquistou e eu deixei minhas neuras de lado.

A primeira coisa que me agradou foi a escrita. Sou muito chata nesse aspecto (e acho que todo mundo aqui já sabe disso), mas a escrita da autora me agradou bastante e fez a história fluir de modo perfeito. Como não estou acostumada a ler novelas ou contos (livros são muito mais minha praia mesmo), pensei que acabaria a história me sentindo insatisfeita por causa das poucas páginas, mas a boa da qualidade da escrita e os personagens interessantes provaram meus temores infundados. 

Outra coisa que curti foi a "naturalidade" do texto. Na maior parte das vezes que leio um livro nacional de fantasia ou sci-fi (e nisso incluo distopia, óbvio) fico com a impressão de que tanto a narrativa quanto os diálogos soam demais como se fossem traduzidos do inglês. Sei que tecnicamente isso não faz sentido nenhum, mas acho que é um efeito colateral de lermos tantas coisas de fora, e bem, inglês e português são línguas bem diferentes. Usar uma do mesmo modo que se usa outra não dá muito certo, e é exatamente por isso que tradução é um negócio que dá um trabalho dos diabos e que pode dar errado pra cacete. Escrever em português usando a mesma estrutura do inglês? Fica horrível, pelo menos pra mim. Lobo de Rua escapa disso, felizmente. A novela soa "em português" do início ao fim, graças aos céus.

A única coisa que me incomodou mesmo foi que o final ficou um tico corrido. Nada muito grave, mas eu gostaria de ter passado mais algum tempo nas cenas finais para poder compreender o Raul melhor, por exemplo. 

De qualquer forma, Lobo de Rua é uma história muito boa e que me deixou curiosa sobre o universo que a autora criou. 4.5 estrelas.

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