3.0 estrelas fantasia featured

Resenha: The Copper Promise, Jen Williams

10:44neo

Série The Copper Promise: The Copper Promise | The Iron Ghost | The Silver Tide

Jen Williams
Headline Books
★★★

Há alguns rumores sobre as cavernas sob a Cidadela…
Alguns dizem que magos deixaram seus mais perigosos segredos lá; outros, que lá grandes riquezas estão escondidas; ou até mesmo que deuses foram aprisionados em suas profundezas escuras.
Para Lord Frith, as cavernas têm a chave pra a sua vingança. Contra todas as probabilidades, ele sobreviveu tortura e viveu para ver sua casa e sua família tiradas dele… e agora alguém irá pagar por isso. Para Wydrin de Crosshaven e seu companheiro fiel, Sir Sebastian Caverson, uma missão na Cidadela é apenas mais um trabalho. Há promessa de ouro e aventura. Quem sabe até mesmo um história decente quando eles terminarem.
Mas às vezes há verdade em rumores.
Logo esse trio imprudente será a última linha de defesa contra um terror faminto que quer destruir o mundo. E eles não estão nem sendo pagos.
The Copper Promise era outro livro que eu estava louca pra ler. Ao contrário de The Cloud Roads, no entanto, esse me decepcionou um tanto. Uma das coisas que me atraiu em The Copper Promise era a ideia de era um livro de fantasia mais leve e descontraída, uma alta-fantasia no estilo tradicional com um ar novo, atualizado. E enquanto isso tudo a verdade, The Copper Promise é também um tanto, hm, raso.

3.0 estrelas fantasia featured

Resenha: Truthwitch, Susan Dennard

10:53neo
Série The Witchlands: Truthwitch | Windwitch | ?
Susan Dennard
Tor Teen
★★★

In the Witchlands, there are almost as many types of magic as there are ways to get in trouble—as two desperate young women know all too well.
Safiya is a Truthwitch, able to discern truth from lie. It’s a powerful magic that many would kill to have on their side, especially amongst the nobility to which Safi was born. So Safi must keep her gift hidden, lest she be used as a pawn in the struggle between empires.
Iseult, a Threadwitch, can see the invisible ties that bind and entangle the lives around her—but she cannot see the bonds that touch her own heart. Her unlikely friendship with Safi has taken her from life as an outcast into one of reckless adventure, where she is a cool, wary balance to Safi’s hotheaded impulsiveness.
Safi and Iseult just want to be free to live their own lives, but war is coming to the Witchlands. With the help of the cunning Prince Merik (a Windwitch and ship’s captain) and the hindrance of a Bloodwitch bent on revenge, the friends must fight emperors, princes, and mercenaries alike, who will stop at nothing to get their hands on a Truthwitch. 
Como vocês já devem saber, Truthwitch era um dos meus livros mais antecipados de 2016 por basicamente dois motivos: amizade entre garotas e magia/bruxaria, que são coisas que eu adoro em história. Infelizmente, porém, ele decepcionou sim.

3.0 estrelas fantasia literatura estrangeira

Resenha: Ice Like Fire, Sara Raasch

11:16neo
Série Snow Like Ashes: Snow Like Ashes | Ice Like Fire | Frost Like Night
Sara Raasch
Balzer + Bray
★★★

Faz três meses que os Winterians foram libertados e o rei de Spring, Angra, desapareceu - graças à ajuda de Cordell.
Meira quer apenas que seu povo fique seguro. Quando a dívida devida à Cordellan faz com que os Winterians comecem a cavar suas minas para o pagamento, eles encontram algo poderoso e possivelmente perigoso: a fonte de magia de Primoria. Theron vê isso como uma oportunidade - com esse tanto de magia, o mundo poderia finalmente enfrentar ameças como Angra. Mas Meira teme o perigo que a fonte pode se tornar - a última vez que o mundo teve tanta magia, ela originou a Decadência. Então quando o rei de Cordell ordena os dois em uma missão através dos reinos de Primoria para desvendar os segredos da fonte, Meira planeja usar a viagem para conseguir o suporte para mantê-la fechada e Winter, à salvo - mesmo que isso signifique ir contra Theron. Mas poderia ela fazer isso sem colocar as pessoas que ela ama em perigo?
Mather quer apenas ser livre. Os horrores enfrentados pelos Winterians ainda estão frescos em Januari, deixando Winter vulnerável para a opressão crescente de Cordell. Quando Meira parte em busca de aliados, ele decide tomar a segurança de Winter em suas próprias mãos. Conseguiria ela reconstruir seu reino alquebrado e protegê-lo de novas ameaças?
Enquanto uma teia de poder e engano se torna mais apertada, Theron luta por magia, Mather luta por liberdade - e Meira começa a se perguntar se ela não deveria lutar não apenas por Winter, mas por todo o mundo.

Depois de ler Snow Like Ashes e gostar da história apesar do plot twist mais previsível da história, eu estava bastante ansiosa para ler Ice Like Fire. Infelizmente, esse é um livro que sofre da síndrome do segundo volume - ou seja, é um livro bem mais transitório e por isso não possui um plot tão forte quanto o anterior.

3.5 estrelas literatura estrangeira policial

Resenha: O Chamado do Cuco, Robert Galbraith

18:15neo
Série Cormoram Strike: O Chamado do Cuco | O Bicho da Seda | Career of Evil
Robert Galbraith/J.K. Rowling
Rocco
★★★½

Quando uma modelo problemática cai para a morte de uma varanda coberta de neve, presume-se que ela tenha cometido suicídio. No entanto, seu irmão tem suas dúvidas e decide chamar o detetive particular Cormoran Strike para investigar o caso.
Strike é um veterano de guerra, ferido física e psicologicamente, e sua vida está em desordem. O caso lhe garante uma sobrevida financeira, mas tem um custo pessoal: quanto mais ele mergulha no mundo complexo da jovem modelo, mais sombrias ficam as coisas e mais perto do perigo ele chega.
Um emocionante mistério mergulhado na atmosfera de Londres, das abafadas ruas de Mayfair e bares clandestinos do East End para a agitação do Soho. O chamado do Cuco é um livro maravilhoso. Apresentando Cormoran Strike, este é um romance policial clássico na tradição de P.D. James e Ruth Rendell, e marca o início de uma série única de mistérios. 

Esse, assim como Morte Súbita, foi um livro que evitei ler por muito tempo. O motivo? Ser da Rowling. Harry Potter foi e provavelmente continuará sendo uma das minhas séries preferidas, então quando soube que a autora estaria lançando outros livros - livros para adultos, sem relação nenhuma com HP - fiquei um tanto apreensiva. Achei que não ia gostar mesmo, e que Rowling pra mim se resumiria a HP e só. 

Mas aí ganhei O Chamado do Cuco de presente e puf, comecei a ler. Não me arrependi, felizmente, mas confesso que também não foi um livro que me fascinou.


3.5 estrelas fantasia literatura estrangeira

Resenha: The Goblin Emperor, Kathrine Addison

12:01neo
The Goblin Emperor
Katherine Addison
Tor Books
★★★½

O filho mais novo e meio-goblin do Imperador viveu toda sua vida em exílio, distante da Corte Imperial e da intriga mortal que a permeia. Mas quando seu pai e seus três filhos na linha para o trono são mortos em um "acidente", ele não tem escolha e toma seu lugar como único herdeiro sobrevivente.
Completamente ignorante na arte da política na corte, ele não amigos ou conselheiros, e sabe bem que quem quer que tenha assassinado seu pai e irmãos pode fazer um atentado a sua vida a qualquer momento.
Cercado de bajuladores ansiosos para conseguir o favor do novo imperador e oprimido pelos deveres da nova vida, ele não pode confiar em ninguém. Em meio ao turbilhão de tentativas de depô-lo, ofertas de casamento e o espectro de conspiradores desconhecidos que se escondem nas sombras, ele deve se ajustar rapidamente à vida como o Imperador Goblin.

Sei que já disse isso vezes demais nas últimas resenhas, mas eu estava esperando bastante de The Goblin Emperor, que é sim um bom livro, mas que me deixou um tanto decepcionada também.

4.5 estrelas fantasia literatura estrangeira

Resenha: The Cloud Roads, Martha Wells

13:14neo
Série The Books of the Raksura: The Cloud Roads | The Serpent Sea | The Siren Depths
Martha Wells
Night Shade Books
★★★★ ½

Moon passou toda sua vida escondendo o que ele é - um metamorfo capaz de se transformar em uma criatura com asas capaz de voar. Um órfão com memórias vagas de sua raça, Moon tenta se encaixar entre as tribos de seu vale com resultados variados. Ao ser expulso de sua tribo adotiva mais uma vez, ele descobre um metamorfo como ele... alguém que parece saber exatamente o que ele é, que promete que Moon será bem vindo em sua comunidade. O que esse estanho não diz a Moon é que sua presença irá desequilibrar a balança de poder... que sua linhagem extraordinária é crucial para a sobrevivência da colônia.. e pior, que seu povo enfrenta o risco de extinção graças aos Fell.
Agora Moon terá que superar uma vida como fugitivo para salvar a si mesmo... e sua recém-descoberta família.

Já tinha um bom tempo que eu vinha querendo ler esse livro, mas infelizmente os correios aqui no Brasil são uma piada e apesar de tê-lo encomendando no início de setembro eu só fui recebê-lo no final de novembro. Isso acabou fazendo com que eu criasse uma expectativa enorme, mas felizmente The Cloud Roads não decepcionou. 


4.0 estrelas fantasia literatura estrangeira

Resenha: City of Stairs, Robert Jackson Bennett

18:11neo
Série The Divine Cities: City of Stairs | City of Blades | ?
Robert Jackson Bennett
Broadway Books
★★★★

Anos atrás, a cidade de Bulikov exercia os poderes dos Deuses para conquistar o mundo. Mas após seus protetores divinos serem misteriosamente assassinados, o conquistador se tornou o conquistado; a história orgulhosa da cidade foi apagada e censurada, o progresso a deixou para trás e agora ela é apenas outro posto colonial do novo poder geopolítico do mundo. Nessa sufocante e retrógada cidade entre Shara Divani. Oficialmente, a quieta mulher é apenas uma diplomata de rank baixo enviada pelos opressores de Bulikov. Extra-oficialmente, Shara é um dos espiões mais bem-sucedidos de seu país - despacahda para investigar o assassinato brutal de um historiador aparentemente inofensivo. Enquanto Shara persegue o mistério pela geografia política e física em constante mudança da cidade, ela começa a suspeitar que os seres que antes protegeram Bulikov podem não estar tão mortos quanto parecem - e que suas próprias habilidades podem ser tocadas pelo divino também.

Eu adoro história.

Sempre foi minha matéria preferida no colégio e provavelmente sempre vai ser. A Idade Antiga e a Idade Média eram meus assuntos favoritos, assim como a Renascença, mas existem certos períodos que eu literalmente detesto. Ou, para ser mais exata, todos os séculos que vão desde o fim do Renascimento até os dias atuais. 

4.0 estrelas fantasia fantasia urbana

Resenha: Um Tom Mais Escuro de Magia, V.E. Schwab

14:53neo
Série Um Tom Mais Escuro de Magia | Um Tom Mais Escuro de Magia | A Gathering of Shadows | Untitled
V.E. Schwab
Editora Record
★★★★

Kell é um dos últimos Viajantes - raros magos que escolhem universos paralelos para visitar.
London Cinza é suja, chata, não tem magia e é regida pelo louco rei George. Londres Vermelha é onde vida e magia são reverenciadas e a Dinastia Maresh reina sobre um império florescente. Londres Branca é governada por quem quer que tenha matado a última pessoa no trono. Pessoas lutam para controlar a magia, e a magia faz o mesmo, sugando a cidade até o osso. Uma vez existiu Londres Negra - mas ninguém fala dela hoje em dia.
Oficialmente, Kell é um Viajante Vermelho, o embaixador pessoal e príncipe adotado de Londres Vermelha, carregando as correspondências mensais entre os reis de cada Londres. Extra-oficialmente, Kell contrabandeia para aqueles dispostos a pagar até mesmo por um vislumbre de um mundo que nunca poderão ver. Esse passatempo perigoso faz com que ele comita uma traição acidental. Fugindo para Londres Cinza, Kell colide com Delilah Bard, uma ladra com aspirações elevadas. Ela o rouba, o salva de um perigoso inimigo, e então o força a levá-la para outro mundo para que ela tenha sua “aventura de verdade”.
Mas magia perigosa está em andamento, e traição se esconde em cada turno. Para salvar todos os mundos, Kell e Lila primeiro precisam ficar vivos - algo mais complicado do que eles esperavam.

Eu já vinha ouvindo falar da autora desse livro, V.E. Schwab (ou Victoria Schwab, mas ela só usa o Victoria em seus livros YA), muito tempo antes de pegar Um Tom Mais Escuro de Magia para ler, e praticamente todo mundo a adorava. Nem preciso dizer, portanto, que minhas expectativas foram parar no céu de tão altas - afinal, Schwab era (bem, é) famosa por escrever histórias diferentes, com personagens cinzentos e mundos originais. O que mais eu poderia querer de uma história de fantasia? Pois é.

3.5 estrelas fantasia literatura estrangeira

Resenha: Six of Crows, Leigh Bardugo

14:07neo
Série Six of Crows: Six of Crows | Crooked Kingdom | ?
Leigh Bardugo
Henry Holt and Company
★★★★

Ketterdam: um movimentado centro de comércio internacional, onde tudo pode ser adquirido pelo preço certo - e ninguém sabe disso melhor do que o prodígio criminoso Kaz Brekker. Kaz é ofeerecida a chance de um assalto mortal que poderia torná-lo risco para além de seus sonhos. Mas ele não pode fazer isso sozinho... 
Um condenado com sede de vingança.
Um atirador de elite que não pode dispensar uma aposta.
Um fugitivo com um passado privilegiado.
Uma espiã conhecida como a Wraith.
Uma heartrender usando sua magia para sobreviver às favelas.
Um ladrão com um dom para escapadas impossíveis. 
A equipe de Kaz são os únicos que se interpõem entre o mundo e a destruição - se eles não matarem uns aos outros primeiro.

Depois de ler o primeiro volume da trilogia Grisha, Sombra e Ossos, da mesma autora, eu estava determinada a jamais ler outra coisa da Leigh Bardugo. Quase tudo que eu mais odeio em literatura YA pode ser encontrado nesse primeiro livro dela; worldbuilding falho e um tanto desrespeitoso, personagens mornos e sem graça, e um romance tedioso. Mas quando Six of Crows, o início de uma nova série que se passa no mesmo mundo de Sombra e Ossos, foi lançado, as resenhas positivas foram tantas que finalmente me rendi e peguei o livro pra ler. E devo dizer: não me arrependi.

3.0 estrelas fantasia fantasia histórica

Resenha: O Dragão de Sua Majestada, Naomi Novik

16:15neo
Série Téméraire: O Dragão de Sua Majestade | O Trono de Jade | A Guerra da Pólvora | Empire of Ivory | Victory of Eagles | Tongues of Serpents | Crucible of Gold | Blood of Tyrants | League of Dragons
Naomi Novik
Editora Presença
★★★
Era napoleônica: Inglaterra e França estão em guerra. O capitão William Laurence, a serviço de Sua Majestade, captura uma fragata francesa, apoderando-se de sua preciosa carga: um ovo de dragão chinês, a mais rara das espécies de dragões.
Quando o ovo choca, uma inesperada afinidade surge entre o capitão Laurence e o pequeno dragão, que recebe o nome de Temeraire. Esta relação é capaz de fazer Laurence deixar para trás sua sólida carreira na Marinha Real Britânica para lutar por um futuro incerto no Corpo Aéreo, como cavaleiro de Temeraire. Cabe a ele treinar o dragão em táticas de batalhas aéreas para integrá-lo à força aérea britânica, e prepará-lo para enfrentar as invasões napoleônicas.
Após um intenso e exaustivo treinamento, Laurence e Temeraire estão prontos para participar das batalhas contra o exército francês e impedir seu avanço sobre solo britânico. Porém, para evitar que um diabólico plano do imperador francês se realize, capitão e dragão terão de passar por um batismo de fogo, arriscando as próprias vidas para defender a Inglaterra de seus inimigos.

Apesar de ter gostado desse livro, confesso que cheguei ao seu final um tanto decepcionada, e muito disse se deve às expectativas que eu tinha dele.

3.5 estrelas fantasia literatura estrangeira

Resenha: The Thousand Names, Django Wexler

20:24neo

Série The Shadow Campaigns: The Thousand Names | The Shadow Throne | The Price of Valour | Untitled | Untitled 
Django Wexler
Roc
★★★½
Entre em um mundo de fantasia época que ecoa com o som de mosquetes e o clangor do aço - mas onde é verdadeira batalha é contra uma magia sinistra e sutil...
Capitão Marcus d'Ivoire, comandante das guarnições coloniais do império Vordanai, estava resignado a servir seus dias em um posto remoto e entediante. Mas isso foi antes da rebelião que mudou sua vida. E uma vez que a fumaça da pólvora desapareceu, ele foi deixado no comando de uma força desmoralizada agarrada a uma pequena fortaleza no limite do deserto.
Para fugir de seu passado, Winter Ihernglass se disfarçou de homem e se alistou como ranker nos Colonos Vordanai, esperando apenas evitar ser notada. Mas quando o acaso a vê promovida ao comando, ela deve ganhar o coração de seus homens e levá-los para a batalha contra o impossível.
Os destinos de ambos os solados e de todos os homens que eles lideram dependem do recém-chegado coronel Janus bet Vhalnich, que foi enviado pelo rei doente para restaurar a ordem. Seu gênio militar parece não conhecer limites, e sob seu comando Marcus e Winter conseguem sentir a virada da maré. Mas sua aliança será testada quando eles começarem a suspeitar que as ambições do enigmático Janus se extende além do campo de batalha para o reino do sobrenatural - um reino com o poder para inflamar uma ascensão meteórica, remodelar o mundo conhecido e mudar a vida de todos em seu caminho.

The Thousand Names é um livro de fantasia, mas uma fantasia de um estilo que eu não costumo ler (ou mesmo gostar). Ainda assim, a história conseguiu me agradar bastante.

3 estrelas fantasia literatura estrangeira

Resenha: O Protegido, Peter V. Brett

21:19neo
Série O Ciclo das Trevas: O Protegido | A Lança do Derserto | The Daylight War | The Skull Throne | The Core
Peter V. Brett
DarkSide
★★★

Ao cair da noite, eles surgem por todos os lados, famintos por carne humana, demônios de areia, de vento e até de pedra, conhecidos como terraítas. Depois de séculos, a humanidade definhou e se tornou refém da escuridão. Arlen, Leesha e Rojer, jovens sobreviventes, atrevem-se a lutar e encarar as trevas. O jovem Arlen recebe os ensinamentos de um mensageiro e descobre que o medo, mais que os demônios, é o mal a ser combatido. Leesha tem a vida destruída por uma simples mentira e se torna ajudante de uma velha e misteriosa ervanária. E o destino de Rojer muda para sempre quando um menestrel chega à sua vila com uma rabeca. Juntos, eles podem oferecer ao mundo uma última, e fugaz, chance de sobrevivência.
O impressionante universo criado por Peter V. Brett - que, assim como muitos de nós, foi educado com uma rígida dieta de romances fantásticos, HQs e Dungeons & Dragons - cativa e emociona o leitor, nos tornando parceiros e reféns de seu mundo e personagens. Peter constrói uma bela metáfora sobre o medo e como precisamos confrontá-lo todos os dias.

Eu tinha grandes expectativas ao começar a ler O Protegido. E, infelizmente, elas foram respondidas apenas em parte.

4.5 estrelas fantasia literatura estrangeira

Resenha: The Way of Kings, Brandon Sanderson

13:52neo
Série The Stormlight Archive: The Way of Kings | Words of Radiance | ?
Brandon Sanderson
Tor Books
★★★★½

Roshar é um mundo de pedra e tempestade. Sinistras tempestades de incrível poder varrem através do terreno rochoso com tanta frequência que elas moldaram tanto a ecologia quanto a civilização. Animais se escondem em conchas, árvores recolhem seus galhos e grama se retrai no solo. Cidades são construídas apenas quando a topografia oferece abrigo.
Faz séculos desde que a queda das dez consagradas ordens conhecidas como os Knights Radiant, mas suas Shardblades e Shardplate permanecem; místicas espadas e armaduras que transformam pessoas comuns em guerreiros quase invencíveis. Homens trocam reinos por Shardblades. Guerras foram travadas por elas, e ganhadas por elas.
Uma dessas guerras assola uma paisagem em ruínas chamada de Shattered Plains. Lá, Kaladin, que trocou seu aprendizado médico por uma lança para proteger seu irmão mais novo, foi reduzido à escravidão. Em uma guerra que não faz sentido, onde dez exércitos lutam separadamente contra um único inimigo, ele luta para salvar seus homens e sondar os líderes que os consideram dispensáveis.
Brightlord Dalinar Kholin comanda um desses outros exércitos. Como seu irmão, o falecido rei, ele é fascinado por um antigo texto chamado The Way of Kings. Atormentado por visões de tempos antigos e pelos Knights Radiant, ele começou a duvidar de sua própria sanidade.
Do outro lado do oceano, uma mulher jovem e inexperiente chamada Shallan visa treinar com uma eminente estudiosa e notória herege, a sobrinha de Dalinar, Jasnah. Embora ela realmente ame aprender, os motivos de Shallan não são tão puros. Enquanto ela planeja um roubo ousado, sua pesquisa para Jasnah insinua segredos dos Knights Radiants e a verdadeira causa da guerra.
O resultado de mais de dez anos de planejamento, escrita e worldbuilding, The Way of Kings é a abertura da série The Stormlight Archive, uma ousada obra-prima ainda em construção.

Depois de passar quase oito meses enrolando, finalmente tomei coragem para ler The Way of Kings, o primeiro monstro (1007 páginas, né) da série de dez livros de Brandon Sanderson. E enrolei graças às experiências pouco satisfatórias que tive com as outras obras do autor; depois de ter morrido de tédio durante Mistborn e ter terminando Elantris sem achar a história grande coisa, foi com as expectativas bem baixas que me propus a ler The Way of Kings.

3 estrelas fantasia literatura estrangeira

Resenha: Coroa da Meia-Noite, Sarah J. Maas

20:25neo
Série O Trono de Vidro: A Lâmina da Assassina | O Trono de Vidro | Coroa da Meia-Noite | Heir of Fire | Queen of Shadows | Untitled | Untitled
Sarah J. Maas
Galera Record
★★★

Celaena Sardothien, a melhor assassina de Adarlan, tornou-se a assassina real depois de vencer a competição do rei e se livrar da escravidão das Minas de Sal de Endovier. Mas sua lealdade nunca esteve com a coroa. Tudo o que deseja é ser livre — e fazer justiça. Nos arredores do castelo, surgem rumores a respeito de uma conspiração contra misteriosos planos do rei, mas antes de cuidar dos traidores, Celaena quer descobrir exatamente que planos são esses. O que ela não imaginava é que acabaria em meio a uma perigosa trama de segredos e traições tecida ao redor da coroa. Enquanto a amizade entre ela e o capitão Westfall cresce cada vez mais, o príncipe Dorian se afasta, imerso em seus próprios dilemas e descobertas.
A princesa Nehemia acaba se tornando uma conselheira e confidente, mas sua atenção está mais voltada para outros assuntos. Em Adarlan, um segredo parece se esconder por trás de cada porta trancada, e Celaena está determinada a desvendar todos eles para proteger aqueles que aprendeu a amar. Mas o tempo é curto, e as ameaças ao redor castelo de vidro estão cada vez mais próximas. Quando menos se espera, uma trágica noite mudará a vida de todos no reino, e mais do que nunca Celaena quer descobrir a verdade para fazer justiça.

Coroa da Meia-Noite é, como eu suspeitava, muito melhor do que Trono de Vidro, mas não o suficiente para eu não me sentir um tanto decepcionada.

3 estrelas fantasia literatura estrangeira

Resenha: The Emperor's Blades, Brian Staveley

14:49neo
Chronicle of the Unhewn Throne: The Emperor's Blades | The Providence of Fire | The Last Mortal Bond
Brian Staveley
Tor
★★★

O Imperador foi assassinado, deixando o Império Annuriano em caos. Agora seus descendentes devem enterrar seu luto e se preparar para desmascarar uma conspiração.
Seu filho Valyn, treinando para a força mais mortal do império, ouve as notícias a um oceano de distância. Ele esperava um desafio, mas após vários "acidentes" e o aviso de um soldado moribundo, ele percebe que sua vida também está em perigo. Antes de que Valyn possa entrar em ação, porém, ele tem que sobreviver à brutal iniciação dos Kettral.
Enquanto isso, a filha do Imperador, a ministra Adare, caça o assassino de seu pai na própria capital. A política da corte pode ser fatal, mas ela precisa de justiça. E Kaden, herdeiro de um império, estudo em um monastério remoto. Aqui, os dicípulos do Blank God lecionam seus difíceis ensinamentos - ensinamentos que Kaden precisa aprender para liberar seus poderes antigos. Quando uma delegação imperial chega, ele já aprendeu o suficiente para perceber sua intenção maligna. Mas tal conhecimento irá mantê-lo vivo enquanto poderes há muito escondidos despertam?

The Emperor's Blades é um livro muito estranho e o porquê é simples: nada de importância acontece nos primeiros 3/4 da história.

Certo, minto. Coisas acontecem, mas elas não parecem importantes. O começo foi ótimo, sim (principalmente o prólogo); afinal, o imperador foi assassinado em um encontro secreto com o sacerdote de uma das deusas mais populares do império, e tudo indica que há um plano para assassinar seus três filhos também, extinguindo assim a família real. E, o que é ainda mais interessante, há alguns indícios de que uma raça imortal que guerreou contra os humanos milênios atrás possa estar voltando. Com isso tudo, como o livro poderia dar errado?

4 estrelas fantasia galera record

Resenha: A Lâmina da Assassina, Sarah J. Maas

17:35neo
Série O Trono de Vidro: A Lâmina da Assassina | O Trono de Vidro | Coroa da Meia-Noite | Heir of Fire | Queen of Shadows | Untitled | Untitled
Sarah J. Maas
Galera Record
★★★★

A Lâmina da Assassina - Conheça o caminho da assassina. Pavimentado com sangue, lágrimas e suor. Implacável, sedutora, letal. Poucos conhecem seu rosto, menos ainda sobrevivem à sua fúria. Não à toa Celaena Sardothian é sinônimo de morte. Suas lâminas são certeiras, assim como seu estranho código de honra e seu aguçado senso de justiça. Mas como uma menina, encontrada agonizando pelo rei dos Assassinos de Adarlan, se tornaria a campeã do rei? Disputada pelo capitão da guarda real e o próprio príncipe herdeiro? No centro de intrigas políticas? 
Acompanhe Celaena vencer um lorde pirata e toda sua tripulação; o encontro como uma curandeira; seu treinamento com o Mestre Mudo, senhor dos assassinos silenciosos, nas dunas do deserto Vermelho; a prisão nas Minas de Sal de Endovier; ou, ainda, sua luta contra o mais escorregadio e traiçoeiro dos adversários — o próprio coração

A Lâmina da Assassina reúne cinco novelas (well, contos) do universo de O Trono de Vidro, livro que eu li há algum tempo e não gostei muito. Desde que eu postei a resenha dele, porém, muitas pessoas já me contataram dizendo que o segundo volume é bem melhor e aqui pelo Goodreads eu já tinha visto algumas pessoas falando o mesmo. Ou ainda, falando que tinham lido as novelas antes de O Trono de Vidro e se decepcionado ao perceber que o primeiro volume da história de Celaena Sardothien não é nem de longe tão bom quanto elas. 

3.0 estrelas fantasia literatura estrangeira

Resenha: The Stolen Throne, David Gaider

17:07neo
Dragon Age: The Stolen Throne | The Calling | Asunder | The Masked Empire | Last Flight | ?
David Gaider
Tor
★★★
Após sua mãe, a amada Rainha Rebelde, ser traída e assassinada por seus próprios lordes sem fé, o jovem Maric se torna o líder de um exército rebelde que tenta salvar sua nação do controle de um tirano estrangeiro.
Seus conterrâneos vivem com medo; seus comandantes o consideram inexperiente; e seus únicos aliados são Loghain, um impertinente jovem fora da lei que salvou sua vida, e Rowan, a linda guerreira que foi prometida a ele desde seu nascimento. Cercado de espiões e traidores, Maric deve encontrar um jeito não apenas de sobreviver, mas de alcançar seu destino: a liberdade de Ferelden e o retorno de sua linhagem ao trono roubado.

Aos que não sabem, eu adoro Dragon Age. Tipo, muito. Então quando eu soube que havia livros que se passavam no mundo dos jogos consegui ignorar o receio que tenho com obras desse tipo (o livro de Assassin’s Creed meio que me traumatizou) e tentar o primeiro volume, The Stolen Throne. Não posso dizer que me arrependi de ter tentado, mas bem, minha cisma com livros baseados em jogos continua (infelizmente) firme e forte.

fantasia favoritos literatura estrangeira

Resenha: O Senhor dos Anéis, J.R.R. Tolkien

14:19neo
O Senhor dos Anéis: Volume Único
J.R.R. Tolkien
Martins Fontes
★★★★★
Numa cidadezinha indolente do Condado, um jovem hobbit é encarregado de uma imensa tarefa. Deve empreender uma perigosa viagem através da Terra-média até as Fendas da Perdição, e lá destruir o Anel do Poder - a única coisa que impede o domínio maléfico do Senhor do Escuro. ------ "A Sociedade do Anel" é a primeira parte da grande obra de ficção fantástica de J. R. R. Tolkien, "O Senhor dos Anéis". É impossível transmitir ao novo leitor todas as qualidades e o alcance do livro. Alternadamente cômica, singela, épica, monstruosa e diabólica, a narrativa desenvolve-se em meio a inúmeras mudanças de cenários e de personagens, num mundo imaginário absolutamente convincente em seu detalhes. Nas palavras do romancista Richard Hughes, "quanto à 'amplitude' imaginativa, a obra praticamente não tem paralelos e é quase igualmente notável na sua vividez e na habilidade narrativa, que mantêm o leitor preso página após página". Tolkien criou em "O Senhor dos Anéis" uma nova mitologia, num mundo inventado que demonstrou possuir um poder de atração atemporal.
Eu já perdi a conta de quantas pessoas já me pediram para fazer uma resenha de LOTR nos últimos quatro anos (sério, foram muitas), mas eu sempre as respondi dizendo que as chances de isso acontecer eram mínimas e o porquê é bem simples: eu adoro O Senhor dos Anéis. Tipo, muito. Para vocês terem uma ideia, minhas amigas brincam que eu não conseguiria ficar com alguém que não goste desse livro e elas estão, feliz ou infelizmente, provavelmente certas. Não por questão de mimimi você não gosta de LOTR, então você está errado e eu estou certa!!!, já que, graças a todos os deuses conhecidos, nunca passei por essa fase, mas sim porque eu não acho possível que uma pessoa que não viu nada de bom em O Senhor dos Anéis veja algo de bom em mim. Sim, esse é meu nível de paranoia com esse diabo de livro. Então, se ainda não deu pra perceber...

//////////!!!!!FANGIRL ALERT!!!!!\\\\\\\\\\\\\\

Eu vou ser piegas, gente. Vai ser vergonhoso. 

Essa é sua última chance de escapar; depois não digam que eu não avisei.

Enfim, eu li LOTR quando era bem mais nova do que a maioria das pessoas que já leram esse livro eram na primeira vez que o leram. Faltava mais ou menos um mês para o meu aniversário de onze anos e eu estava aqui em Salvador de férias (na época eu morava em uma cidade do interior) quando meu pai resolveu arrastar todo mundo para a casa de um amigo dele. A coisa toda foi muito chata; enquanto os adultos bebiam e se divertiam, eu e meu irmão ficamos encarando um ao outro e então encarando a piscina (obviamente que ninguém tinha avisado que tinha piscina, logo a gente não tinha vindo preparado pra isso) e então encarando um ao outro novamente. Ficamos assim por um bom tempo até alguém lembrar que o amigo de meu pai tinha dois filhos que poderiam emprestar uma roupa para meu irmão depois. Ele, sendo o bom irmão que sempre foi (haha), me abandonou sem pensar duas vezes e se jogou na piscina na maior alegria. E eu fiquei lá, sozinha, sentindo muita pena de mim mesma, ressentindo o babaca do meu irmão e torrando no sol. Horas depois (sim, horas) alguém finalmente se apiedou e, sabendo por meio do meu pai que eu gostava de ler, perguntou se eu não queria dar uma olhada nos livros dos filhos do amigo do meu pai. Como eu meio que não tinha mais o que fazer, fui.

No meio de um monte de livros clássicos que na época não me atraíam nem um pouco (bem, ainda não o fazem, mas), acabei encontrando os quatro volumes de As Brumas de Avalon e os três de O Senhor dos Anéis. A mulher do amigo de meu pai me disse que eu poderia pegar uma coleção emprestada, já que passaria as férias todas em Salvador, e depois de pensar por um ou dois instantes acabei escolhendo O Senhor dos Anéis. Eu já tinha assistido aos filmes uma vez, mas para falar a verdade as únicas coisas que eu lembrava deles eram montanhas brancas e um bicho de fogo que mais tarde descobri ser o balrog (bem, eu tinha uns seis anos quando o primeiro filme foi lançado, so...), então peguei LOTR mais pela fama dele do que por qualquer outra coisa. Também já tinha ouvido falar de As Brumas de Avalon, mas acho que desde aquela época eu já tinha uma certa aversão a história e fantasia misturadas. Mesmo assim, às vezes eu me pego pensando no que teria acontecido se eu tivesse escolhido Brumas ao invés de LOTR; meu gênero preferido talvez fosse fantasia histórica e não alta-fantasia hoje em dia. Quem sabe?

Enfim, levei os três livros pra casa e os li em menos de duas semanas, o que foi um feito fantástico para o eu de 10 anos. O único livro "grosso" que eu tinha lido antes de LOTR foi o sexto de HP, O Enigma do Príncipe, e nesse eu levei um ano, duas desistências, longos períodos sem ler e releituras de vários trechos (em minha defesa, eu tinha nove/dez anos), então ler LOTR tão rápido foi tipo um milagre. E eu adorei os livros. Mais do que eu tinha adorado os quatro filmes de HP + o sexto livro (sim, eu li o sexto livro sem ler ou assistir o quinto filme), e até então eu achava isso meio impossível. Mas por que eu adorei tanto esses livros?

Responder essa pergunta é um tanto complicada. Veja bem, quais são as maiores críticas aos livros de O Senhor dos Anéis? Dizem que a narrativa é lenta, muito descritiva, que o mundo é maniqueísta demais e que os personagens secundários não recebem tanta atenção assim, certo? Certo. Mas essas críticas, esses "defeitos" não me afetam. Por quê?

Primeiro, O Senhor dos Anéis foi a primeira série de fantasia que eu li. Sim, eu li um livro de Harry Potter antes, mas de fantasia mesmo, sobre mundo secundários, elfos e a coisa toda, LOTR foi sim o primeiro. E foi justamente por isso que a narrativa lenta e muito descritiva não me incomodou nem um pouco. Como eu nunca tinha lido nada do gênero antes, pensei que aquilo fosse normal, fosse a regra, dei de ombros e segui lendo. E adorei as descrições, adorei a narrativa, adorei a história. Foi só depois, quando fui ler outros livros de fantasia, que percebi que a escrita de Tolkien não era (infelizmente pra mim) a regra. Ler O Senhor dos Anéis antes desses outros livros meio que tirou um pouco da qualidade do gênero para mim, já que até hoje eu não consigo me impedir de comparar a escrita deles à de Tolkien e de me sentir um pouco decepcionada. É meio estranho, mas, inconscientemente, me convenci de que essa narrativa lenta e descritiva era o normal e a considero como tal até hoje. O resultado disso é que 90% dos livros que leio acabam não alcançando essa normalidade. Ficam sempre "abaixo da média".

Em conclusão: eu provavelmente deveria ter lido LOTR agora, com 18 anos, e não com 10/11. Acredito que minha vida literária teria sido bem mais feliz, mas né...

¯_(ツ)_/¯

Então sim, eu sou fã de narrativas lentas e descritivas. Os únicos livros além de LOTR que "chegaram na média" pra mim foram As Crônicas de Gelo e Fogo, A Canção do Sangue e O Nome do Vento. O resto volta pra casa com nota baixa, infelizmente.

Segundo, eu não gosto de livros maniqueístas em 95% das vezes que leio um assim. E O Senhor dos Anéis, meu livro preferido de todos os tempos, é pra lá de maniqueísta. O bem e o mal são muito bem definidos em Arda, e poucos são os personagens que sequer tentam se aproximar de um equilíbrio entre esses dois pólos. É tudo muito preto no branco, quase o tempo todo. Então por que diabos eu gosto dessa história?

Pode parecer um tanto estranho, mas acho que gosto tanto de O Senhor dos Anéis porque o próprio mundo parece ser o personagem principal da história. É como se os personagens dos livros fossem apenas manifestações desse personagem maior. Sabe aqueles desenhos animados em que os personagens ficam com um anjinho e um diabinho em cada ombro e ambos tentam convencer o personagem a fazer as coisas certas/erradas? É nessa linha de pensamento. Nunca me incomodei com o maniqueísmo de O Senhor dos Anéis porque para mim ele nunca foi apenas uma questão de mal x bem externa, mas sim uma espécie de "metáfora" para a disputa interna que cada um enfrenta diariamente. Podemos ver uma amostra dessa disputa em Boromir, uma pessoa boa que acaba tomando uma decisão errada, Gollum, uma criatura gananciosa e egoísta que ainda assim mostra alguns sinais de simpatia/bondade, e até mesmo em Frodo, que, como Boromir, é uma pessoa boa e determinada a fazer o bem, mas que acaba sendo também corrompida pelo Um Anel. 

Vale comentar que Tolkien odiava alegorias. Ele diz isso já no prefácio de LOTR, e se não me engano foi esse o motivo de ele ter brigado com C.S. Lewis, autor de As Crônicas de Nárnia, seu amigo, já que Nárnia é basicamente uma alegoria ao cristianismo. Tolkien mesmo era cristão, e há alguns elementos que podem ser associados ao cristianismo em LOTR, mas diferentemente de Nárnia, esses elementos se resumem mais a valores e não são uma "recontagem" da história cristã. 

(Não gente, eu não odeio Nárnia. Na verdade adoro os livros e filmes também).

Tolkien também lutou na Primeira Guerra Mundial e teve que ver um de seus filhos lutando na Segunda (O Senhor dos Anéis foi inclusive escrito durante ela), então, para mim, muito do que ele presenciou nesses períodos acabou personificado na figura do Um Anel. O Um Anel representa poder, mas um poder perverso, que corrompe e que causa o mal; até mesmo alguns dos personagens mais poderosos da história, como Galadriel e Gandalf, se recusam sequer a tocá-lo por medo de cederem a tentação. Uma boa parte da obra de Tolkien é justamente sobre ter poder, desejar poder e ser corrompido pelo poder, tanto aqui em LOTR quanto em O Silmarillion. E, para quem não sabe, Tolkien não era lá muito a favor da tecnologia, talvez justamente por ter presenciado a Primeira e a Segunda Guerra Mundial; para ele, a tecnologia que a humanidade estaria desenvolvendo, principalmente a tecnologia de armas, acabaria trazendo sofrimento para todos nós, mesmo se usada para o bem. Exatamente como o Um Anel (e as Silmarils, até certo ponto) que, como eu disse, é sim poderoso, mas que mesmo se usado pensando no bem acaba provocando o mal. Muitos até pensaram que o Um Anel seria uma alegoria à bomba atômica na época em que LOTR foi lançado, mas, como já dito, Tolkien meio que odiava alegorias e negou com veemência que O Senhor dos Anéis fosse a história das Grandes Guerras contada de outro modo. O Um Anel seria, portanto, apenas o mal. Ou melhor, a possibilidade de qualquer um se tornar mal se lhe for dada a oportunidade de ceder a uma tentação, seja ela qual for. E em LOTR essa tentação é justamente o poder. Ou, nas palavras do próprio homem, do já mencionado prefácio:
Mas eu cordialmente desgosto de alegorias em todas as suas manifestações, e sempre foi assim desde que me tornei adulto e perspicaz o suficiente para detectar sua presença. Gosto muito mais de histórias, verdadeiras ou inventadas, com sua aplicabilidade variada ao pensamento e à experiência dos leitores. Acho que muitos confundem “aplicabilidade” com “alegoria”; mas a primeira reside na liberdade do leitor, e a segunda na dominação proposital do autor. É claro que um autor não consegue evitar ser afetado por sua própria experiência, mas os modos pelos quais os germes da história usam o solo da experiência são extremamente complexos, e as tentativas de definição do processo são, na melhor das hipóteses, suposições feitas a partir de evidências inadequadas e ambíguas.
Ou seja, o Um Anel pode ser basicamente o que você quiser que ele seja. Tada.

Concluindo, o maniqueísmo de LOTR não me incomoda porque não o vejo presente apenas como personagens do bem que nascem do bem e morrem do bem ou personagens maléficos que nascem maléficos e morrem maléficos. Vejo-o mais como uma luta interna constante entre ceder ou não a algo ruim, e talvez uma amostra de que é possível sim "vencer" sem se voltar para tais meios maléficos e que tempos de horror, como as Grandes Guerras para Tolkien e qualquer outro momento para qualquer outra pessoa, sempre acabam passando. E esse é um pensamento pra lá de reconfortante, certo?

Terceiro, os personagens secundários que não recebem tanta atenção quanto os principais. Sim, isso é verdade, mas acho que o tópico anterior (personagens sendo manifestações de um personagem maior e coisa e tal) ameniza esse defeito para mim, assim como o fato de que muitos e muitos desses personagens de LOTR aparecem em O Hobbit, O Silmarillion e em Contos Inacabados, livros que na maior parte das vezes lhes dão maior profundidade. Não deixa de ser algo que poderia ter sido explorado mais, mas é uma falha pequena diante do resto da história para mim.

Agora que já "respondi" porque as "falhas" de O Senhor dos Anéis não são falhas para mim (talvez apenas a última), posso explicar melhor porque gosto tanto dessa história. Boa parte desse porquê já está nas entrelinhas do que escrevi aí em cima, mas vamos lá.

Um dos motivos de eu gostar de LOTR é Arda. Arda é, para mim, o mundo imaginário mais complexo e bem feito que eu já li (sinto muito, Martin, mas nem mesmo seu mundo chega perto de Arda para mim). Como eu disse lá em cima, Arda parece um personagem de verdade. Arda é um mundo que tem suas próprias características e não, não estou falando de lagos, rios, continentes, ou do modo como o clima funciona ou qualquer outra coisa física, mas sim de personalidade mesmo. Há uma sensação de perda enorme no mundo de O Senhor dos Anéis, presente nos elfos, que sabem que seu tempo na Terra-média acabou, nos anéis, grandes fontes de poder que acabam definhando, nas Silmarils, que se perderam para sempre, e em vários personagens, principalmente nos hobbits, que perdem a "inocência" que tinham antes da guerra e que passam a carregar suas marcas após seu término. Grandes reinos, dos elfos ou dos homens, já existiram, mas tiveram fins horríveis. Vários heróis encontraram morte trágicas, e os que não o fizeram não viveram de todo felizes. Coisas belas e maravilhosas, como as já citadas Silmarils, os anéis, as árvores que iluminavam o mundo no início, acabam morrendo ou desaparecendo para sempre. Arda é simplesmente melancólica, e nela tudo tem um fim.

Mas mesmo assim há alguns indícios de um novo começo, de superação dessa perda, tanto no Condado quanto em Ithilien e na era dos homens que se inicia nas últimas páginas de O Senhor dos Anéis. Arda é interessante por sua melancolia, mas também o é por essa esperança de algo novo ou de uma nova chance. 

O único mundo que chega perto de ter tanta personalidade quanto Arda, para mim, é o de As Crônicas de Gelo e Fogo. Gosto mais de O Nome do Vento do que de ASOIAF, mas o mundo de Martin é sinceramente melhor. Outros mundos de outros livros de fantasia sequer me causam impressão o suficiente para que eu me lembre deles após terminar a leitura.

Gosto dos personagens (embora meus preferidos estejam mais em O Silmarillion e em O Hobbit do que em LOTR), gosto dos lugares, do plot e do que ele representa, gosto da história de Arda e adoro a escrita. Mas O Senhor dos Anéis é meu livro preferido justamente por ser tão sombrio e tão difícil, muitas vezes simplesmente triste, e mesmo assim ser divertido e alegre. A aventura de Frodo e da Sociedade e os próprios acontecimentos de Arda sempre vão me deixar mais amarga do que qualquer cena de violência, estupro ou egoísmo presente nas fantasias de hoje em dia. Ao contrário do que esses livros atuais parecem pensar, eu já sei que o mundo no geral é um lugar ruim, com violência, estupro e egoísmo, então são os personagens e como eles reagem e lidam com esse mundo o que realmente importa para mim. O melhor jeito de conquistar o leitor, na minha opinião, não é lhe mostrar o que ele já sabe e esperar que isso o choque, mas sim mostrar como pessoas, importantes ou não, boas ou não, ainda assim sobrevivem e vivem em um mundo assim. Então sim, não há cenas terríveis de violência em LOTR, muito menos de estupro e há poucas de egoísmo, mas Frodo e Sam se arrastando até a montanha para destruir o Um Anel, completamente ferrados, feridos, sem comer, sem beber e sem dormir, totalmente desesperados e no final de suas forças sempre vai me chocar mais do que qualquer cena banal de violência por aí, porque, adivinha!, eu leio o jornal e já vi coisas feias demais em manchetes para ser abalada por uma cena de tortura aleatória. Essa é a realidade normal de qualquer pessoa normal que preste o mínimo de atenção no nosso mundo normal. Tada.

Além disso, como eu já disse, Arda é um mundo excepcional, e isso torna fácil mergulhar completamente na história. O Senhor dos Anéis é o tipo de história que realmente te transporta para outro lugar por completo. O efeito, pelo menos em mim, é tão grande que sempre que me interrompem quando o estou lendo eu sinto como se estivessem me puxando para fora d'água. Enquanto o leio, fico "submersa" e o resto do mundo desbota e parece distante, exatamente como quando estamos dentro de uma piscina ou dentro do mar. Poucos livros me dão essa impressão além de LOTR; na verdade, só consigo pensar em ASOIAF, O Nome do Vento, Aprendiz de Assassino e Captive Prince

Mas, acima de tudo, O Senhor dos Anéis tem significado. Esse é um assunto meio polêmico porque cada livro tem um significado diferente para cada pessoa, mas O Senhor dos Anéis, pra mim, é mais do que plots intricados, personagens bem construídos e um mundo bem feito, e é por isso que eu nunca fui muito fã da ideia de fazer essa resenha. Eu adoro O Senhor dos Anéis porque dou valor às mesmas coisas que a história dá e acredito no que ela diz (ou no que eu acredito que ela diz, ao menos), e falar disso acaba sendo, você sabe, too close for comfort e coisa e tal. A situação só piora porque foi LOTR quem me fez começar a escrever de verdade, e apesar do meu livro hoje ser (eu espero) bem diferente de LOTR, pretendo escrevê-lo seguindo a fantasia tradicional de Tolkien e não essa moderna, que eu espero sinceramente que morra em breve.

Ironicamente, muito da minha relação com O Senhor dos Anéis pode ser explicado em uma própria cena do filme de O Senhor dos Anéis, mais especificamente em As Duas Torres, pra mim uma das melhores já feitas em adaptações de livros. É essa aqui, com um tico de spoiler, e que eu até pensei em transcrever, mas olha minha cara de quem vai escrever mais depois dessa Bíblia inteira. Nem rola.

Em conclusão: O Senhor dos Anéis sempre será meu livro preferido por todos esses motivos aí e um dia eu ainda queimarei certos livros dessa nova fantasia Grimdark em uma fogueira enquanto canto a canção que Bilbo fez para Aragorn. Apenas observem.

E que tal falar sobre as mulheres, hm? Ia me esquecendo disso. Sim, LOTR tem poucas mulheres (Galadriel e Éowyn basicamente, nos livros, e Arwen também nos filmes), mas elas são incríveis. Quem se lembra de Celeborn se Galadriel é a mulher dele? Quem luta contra o sistema, contra a ideia de que mulher só serve para ficar em casa, se não Éowyn? Isso sem falar nas mulheres de The Silmarillion, que continuam poucas se comparadas aos homens, mas que são igualmente incríveis e bem construídas. LOTR tem uma sociedade medieval onde mulheres não são muita coisa, como centenas de livros por aí, e ainda assim consegue mostrar que esse sistema está errado e que mulheres incríveis são capazes de existir nele. LOTR foi escrito há mais de 60 anos. Livros de hoje, século XXI, não conseguem e/ou não querem fazer o que um livro escrito por um cara que nasceu no final do século retrasado fez. Ha.

LOTR não tem nenhuma diversidade sexual (dá pra entender um pouco porque foi lançado há 60 anos, mas ainda assim, né, não deixa de ser um defeito na minha opinião) e a diversidade de etnia/raça existe, mas essas pessoas de cor sempre são vistas como o inimigo. Não faço a menor ideia se Tolkien era racista ou não, mas mesmo se ele não fosse não é muito legal associar toda pessoa de cor de sua história ao inimigo terrível que destruir o mundo.

Apesar disso, no entanto, não consigo dar nada menos do que a nota máxima para O Senhor dos Anéis. Há defeitos nesse livro e nunca irei negá-los, mas essa história significou (e significa) muito para mim como pessoa e como escritora, então, né. 5.0 estrelas. 
5 estrelas fantasia fantasia lgbtq

Resenha: Captive Prince, C.S. Pacat

17:58neo
The Captive Prince Trilogy: Captive Prince | Prince's Gambit | Captive Prince #03
C.S. Pacat
Penguin Books
★★★★★
Damen é um herói para seu povo e o verdadeiro herdeiro do trono de Akielos, mas quando seu meio-irmão toma o poder, Damen é capturado, despojado de sua identidade e enviado para servir o príncipe de uma nação inimiga como um escravo de prazer.Bonito, manipulador e mortal, seu novo mestre príncipe Laurent simboliza o pior da corte de Vere. Mas na teia política letal da corte veretiana nada é o que parece, e quando Damen se vê preso em um jogo pelo trono, ele deve trabalhar em conjunto com Laurent para sobreviver e salvar seu país.Para Damen, há apenas uma única regra: nunca, jamais, revelar sua verdadeira identidade. Porque o homem que Damen precisa para escapar é o único com mais motivos para odiá-lo do que qualquer outra pessoa…*

Eu estava tão pronta para odiar esse livro.

É sério. Encontrei-o no Goodreads na mesma ocasião em que achei Luck in the Shadows, quando estava procurando por livros de fantasia com diversidade (tanto de sexualidade quanto de raça), e a sinopse me fez ficar meio ew. Veja bem, como comentei na resenha de Luck in the Shadows, a literatura de fantasia LGBTQ é voltada principalmente para o romance, coisa que eu não aprecio muito por não gostar de livros só de romance, mas outro aspecto também contribui para esse “desgosto” meu: o fato de que a maior parte desses livros sempre acaba sendo de erótica.

Nope, eu não tenho nada contra quem lê ou escreve histórias assim, mas quando 90% dos livros de fantasia LGBTQ (mais os que falam de romance entre homens) é assim isso é sinal de que há um problema, e esse problema se chama fetish. Sabe a cena lésbica protagonizada por mulheres heterossexuais em O Festim dos Corvos, quarto livro de ASOIAF? Aquilo é um presente para os homens heterossexuais que leem esses livros. É fetish, e é banalizar e rotular esse tipo relacionamento apenas para satisfazer um grupo entre os leitores, porque, bem, alguns homens acham mulheres lésbicas sexy (mas apenas se forem bonitas, do contrário é feio e repugnante). E isso também acontece com algumas mulheres, que também acham homens gays sexy (novamente, apenas se forem bonitos). Como são os homens que mandam na mídia mainstream, a “fetishzação” (?) de relacionamentos lésbicos aparece na TV e nos livros de sucesso, e como mulheres geralmente não têm vez, a “fetishzação” de relacionamentos gays fica restrito a nichos literários minúsculos se comparados ao tamanho do mercado.

É o que acontece muito com a literatura de fantasia LGBTQ. Estou dizendo que todos são assim? Não. Alguns são eróticos porque são eróticos e acabou, do mesmo modo que romances heterossexuais o são, mas enquanto alguns têm uma qualidade ótima, muitos não se preocupam muito com construção de personagem ou de plot, e dão a impressão de que é o sexo apenas pelo sexo. O que, na minha opinião, não é problema (acredito que se tem público é válido, mas uma não “fetishzação” de relacionamentos LGBTQ seria uma maravilha, sabe); o problema é a total falta de histórias de fantasia LGBTQ que não são assim.

Tem gente que não gosta de livro com sexo ou que não se importa se este não for um elemento frequente, e que gostaria muito de ler histórias LGBTQ que se parecessem mais com as mainstream heterossexuais, que (normalmente) são mais sobre o desenvolvimento do relacionamento do casal ou que possuem um plot não voltado para o romance. (cof eu cof). Acredito inclusive que a literatura de fantasia LGBTQ acaba afastando o público mainstream por ser tão dominada por livros mais sexuais.

Então, sim, mais livros com mais desenvolvimento de personagem/plot para a literatura fantástica LGBTQ, por favor (sexuais ou não, mas de preferência não sexuais e tal).

(Tipo Luck in the Shadows, saca).

Enfim, voltando para Captive Prince, pensei que esse livro se encaixaria totalmente na categoria “‘fetishzação’ de relacionamentos homossexuais”, mas resolvei lhe dar uma chance porque o tanto de resenha dando 5 estrelas para essa história não está no gibi. Baixei os livros e comecei a ler o primeiro volume quando já era de tarde. O resultado? Já era umas 3 da matina quando terminei o livro 2 e lembrei que o mundo existia e que, hey, eu tinha que acordar em três horas para ir pra faculdade. Oops.

(Claro que não dei a mínima pra isso e fui atrás do livro 3 apenas para descobrir que ele ainda não foi lançado) (imaginem minha agonia).

Os personagens, o worldbuilding e a escrita foi o que me fizeram gostar tanto de Captive Prince, tanto que os dois volumes da série foram os únicos a receber 5 estrelas de mim esse ano além de Aprendiz de Assassino da Robin Hobb. 

O mundo de Captive Prince não é muito abrangente. A história se passa quase completamente em Vere, e só recebemos muitas informações mesmo da própria Vere e de Akielos, país de Damen (cujo nome de verdade é Damianos), onde os nomes das pessoas e lugares meio que soam gregos (coisa que não tinha visto antes em livros de fantasia, o que me surpreende porque é uma ideia tão óbvia???). Os dois países praticam a escravidão, mas de modos bem diferentes. Enquanto em Akielos os escravos são tratados com respeito e até mesmo afeto, em Vere eles são vistos como menos que animais. Aliás, Vere é o país mais “diferente” da história, e como o vemos através de Damen, as diferenças culturais entre as duas nações ficam bem evidentes. Homossexualidade não é visto como algo horrível em nenhuma delas, porém, e em Vere relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo são muitas vezes preferidos entre pessoas solteiras, já que os veretianos abominam a ideia de filhos bastardos, então relacionamentos entre homem/homem e mulher/mulher são extremamente aceitos e a sociedade os vê como algo normal.

(Um mundo de fantasia sem homofobia??@#$@!!!! Que milagre, hein?)

Há sexo (e estupro) nos livros também, graças à cultura de Vere. Sim, a maior parte desse tipo de violência é direcionada aos escravos (a coisa toda me deixou meio horrorizada e meio ew, mas o Damen também fica completamente horrorizado, então é aquela velha história de choque cultural). [SPOILER PEQUENO] Não há nenhum tipo de interação romântica/sexual entre os personagens principais no primeiro livro, e no segundo isso só acontece lá pro final, o que achei absolutamente fantástico, porque yay, desenvolvimento do relacionamento dos personagens!!!! [FIM DO SPOILER].

A escrita também é ótima. Não é do nível de descrição que eu gosto geralmente, mas é rápida e envolvente, e fez com que eu lesse os dois livros tão sem perceber que nem parecia que eu estava lendo em outra língua. 

Mas o que conquistou mesmo foram os personagens. Captive Prince é interessante porque não se encaixa em fantasia voltada para o plot ou em fantasia voltada para o romance, mas sim em fantasia voltada para os personagens. Todos, dos principais aos secundários, possuem objetivos e personalidades próprias, e isso torna difícil de decidir quem é confiável ou não; não lembro de um sequer que foi reduzido a uma trope ou estereótipo, aliás. 

Apesar de adorar o Damen (os comentários dele são sempre a+), Laurent é de longe, muito longe, o meu preferido. De início pensei que ele fosse ser o já manjado príncipe frio e blá blá blá, mas Laurent é bem mais profundo e bem desenvolvido, e todos os seus relacionamentos com outros personagens são muito interessantes (destaque para o com o Damen, lógico, mas também para o com seu irmão, Auguste, que morreu em uma guerra entre Akielos e Vere e que, hm, foi morto pelo Damen, e o com seu tio, o rei, que se tornou regente e que supostamente deveria governar até que Laurent se tornasse de maior idade, mas que agora meio que não quer devolver o trono). Como eu disse, Captive Prince é mais sobre os personagens, então as intrigas e jogos pela coroa de Vere derivam justamente da relação entre Laurent e seu tio (e por isso eu classificaria essa história como baixa-fantasia).

O relacionamento entre Laurent e Damen, aliás, é incrível e se desenvolve de uma forma totalmente verdadeira. Já cansei de ver essas histórias em que o casal (hetero, homo, não importa) se odeia no início e depois se apaixona, já que na maior parte delas essa transição é feita de modo completamente sem sentido. Em Captive Prince não. O romance é maravilhoso não pelas cenas em que há alguma interação romântica (praticamente inexistentes durante 90% dos dois livros juntos), mas sim porque podemos ver (e sentir) que a coisa toda é real. E uma boa parte disso se deve à caracterização dos personagens, que se mantém consistente durante toda a história. Falando nisso, acho que muitas pessoas não se dão conta de caracterização é a chave para tudo, e se tratando de romance é essencial. Uma caracterização pobre e mal-feita teria feito alguma coisa rolar entre Laurent e Damen no início do livro um, porque muitos escritores pensam que ao escrever romance tem que se colocar interações românticas/sexuais logo de cara, já que supostamente é isso que o leitor quer (é, mas não desse jeito). E se algo tivesse mesmo acontecido entre Laurent e Damen no início isso iria total e completamente contra suas personalidades, o que tornaria a coisa toda irreal, fraca e sem importância. Não faria sentido. Um leitor mais atento acabaria pensando, ei, isso não tem nada a ver com o modo com que o Laurent e o Damen agem e ele estaria certo.

Felizmente, a caracterização da Pacat é uma das melhores que eu já vi. No blog dela há alguns posts sobre como ela estruturou algumas cenas, os dvd commentaries, e nossa, como também sou (uh, quero ser) escritora me bateu até o desânimo ao perceber o quanto de caracterização ela considera antes de escrever uma linha de diálogo, porque eu não me importo tanto com isso, mesmo sabendo que é essencial. Então, né, uma no meio da minha cara pra ver se aprendo.

E para finalizar, os plot twists são ótimos e realmente inesperados. Eu não estava esperando nenhum deles em um livro desse gênero, porque geralmente não há muito cuidado com plot (ou personagem), mas né, eu estava enganada.  

Aliás, tudo nesses livros foi ótimo e eles próprios foram bem inesperados. Nunca mais julgo um livro pela sinopse (tá, julgo, mas pelo menos me comprometo a lhes dar uma chance). Captive Prince foi uma surpresa tão boa que mal posso esperar para comprar os livros de verdade, mas isso só ano que vem (Captive Prince era postado na internet, depois publicado de modo independente e agora foi escolhido por uma editora, que vai lançá-lo de novo, so yay, mal posso esperar para ter minhas edições uwuwuwuwuwu) (e mal posso esperar pelo livro 3, acelera aí por favorzinho, Pacat).

Indico Captive Prince para quem está procurando uma fantasia mais diversa, com personagens excelentes, worldbuilding interessante e escrita envolvente. 5.0 estrelas.

*tradução livre
fantasia leya literatura estrangeira

Resenha: A Canção do Sangue, Anthony Ryan

19:34neo
A Sombra do Corvo: A Canção do Sangue | Tower Lord | Queen of Fire
Anthony Ryan
Leya
★★★★½
Quando Vaelin Al Sorna, um garoto de apenas 10 anos de idade, é deixado por seu pai na Casa da Sexta Ordem, ele é informado que sua única família agora é a Ordem. Durante vários anos ele é treinado de forma brutal e austera, além de ser condicionado a uma vida perigosa e celibatária. Mesmo assim, Vaelin resiste e torna-se líder entre seus irmãos. Ao longo de sua jornada, Vaelin também descobrirá de quem foi o verdadeiro desejo para que ele fosse entregue à Ordem o objetivo sempre foi protegê-lo, mas ele não tem ideia do quê. Aos poucos, indícios de uma esquecida Sétima Ordem e questões acerca das ações do Rei Janus fazem Vaelin Al Sorna questionar sua lealdade. Destinado a um futuro grandioso, ele ainda tem que compreender em quem confiar. Neste primeiro volume da trilogia A Sombra do Corvo, Anthony Ryan estreia de maneira promissora na literatura com uma aventura repleta de ação.
Faz uns bons 20 minutos que estou encarando a página de A Canção do Sangue no Goodreads, indecisa entre dar cinco ou quatro estrelas para esse livro. Já li outras resenhas, pensei sobre a história, a escrita e os personagens, encarei a página mais um pouquinho e refleti sobre os outros livros que já receberam essas notas altas de mim. Veja bem, esse ano só dei cinco estrelas para três livros. Seria, então, A Canção do Sangue o há muito esperado quarto?

Depois de pensar muito, decidi que não. Mas admito que ele chegou muito, muito perto.

Antes de mostrar os motivos que me levaram a não dar a nota máxima para esse livro, vou falar dos que quase me fizeram fazer isso. Em primeiro lugar, A Canção do Sangue faz parte do tipo de livro que eu mais gosto; sólido, bem escrito e envolvente. Histórias assim parecem te sugar para dentro das páginas com tanta força que quando algo te interrompe você tem que piscar algumas vezes para se desvencilhar do que está acontecendo com os personagens antes de se virar para o mundo real. Infelizmente, não costumo achar muitos livros assim, mas alguns exemplos são O Nome do Vento, As Crônicas de Gelo e Fogo, Aprendiz de Assassino, Captive Prince e A Passagem. Por mais que alguns defeitos irritantes estejam sim presentes em algumas dessas obras (cof As Crônicas de Gelo e Fogo cof), elas estão, na minha opinião, em um nível completamente diferente das demais.

Segundo, A Canção do Sangue tinha absolutamente tudo para dar errado. Ela é sim uma daquelas histórias de "coming of age", com o protagonista, Vaelin, tendo que passar por anos e anos de treinamento durante boa parte do livro. Eu estava esperando, com toda sinceridade, ficar muito entediada ao ler sobre esse treino todo, mas nope, eu não fiquei entediada em momento algum de A Canção do Sangue. O treinamento de Vaelin não foi enfadonho; muito pelo contrário, é durante essa parte do livro que vemos o desenvolvimento da amizade entre Vaelin e seus irmãos da Sexta Ordem, Barkus, Dentos, Nortah, Caenis e depois Frentis, e somos apresentados aos primeiros mistérios que envolvem tanto Vaelin quanto as Ordens da Fé. Não preciso nem dizer que a coisa toda é sim pra lá de interessante.

Terceiro, os personagens. A maior parte é muito bem desenvolvida (destaque para os já citados irmãos da Sexta Ordem; cada um tem personalidade e voz própria, e não estão na história apenas para ocupar espaço como sidekicks do protagonista) (sim, essa é uma indireta para você, Prince of Thorns) e é muito fácil simpatizar a maioria deles, até mesmo com os antagonistas.

Quarto, boa representatividade. Sim, isso é possível em livros de fantasia (amém!). E sim, as mulheres continuam em menor número (deve ter uma mulher para cada 50 homens nesse livro, sério), mas as que aparecem são muito bem construídas. Elera, uma Aspecto e portanto uma das pessoas mais importantes das Ordens, Lyrna, a princesa, bonita e muito inteligente (e manipuladora), Sella, uma Negadora poderosa (e muda, o que é uma novidade com toda certeza), Sherin, o par romântico do protagonista, que faz muito mais do que só se apaixonar por ele e tem sua própria história, e também a mãe de Vaelin, que sequer aparece de verdade na história, mas foi uma mulher incrível ao seu próprio modo. Tem até mesmo uma menção a uma mulher simplesmente maléfica e poderosa (porque mulheres podem ser vilãs e, acreditem, podem fazer isso sem serem sexualizadas apenas para indicar que o poder da mulher pode ser expresso apenas pela sedução) (outra indireta para você, Prince of Thorns), e a outra, mestre em uma arte que Vaelin sequer sabe como dominar.

Enfim, não são muitas, mas as mulheres de A Canção do Sangue têm poder, mesmo vivendo em uma sociedade tipicamente medieval que em alguns aspectos considera sim a mulher como um ser inferior ao homem. Então, como eu já disse várias e várias vezes em várias resenhas e posts, um mundo sexista não te impede de criar personagens femininas boas. A preguiça e a comodidade é que faz.

E, antes que eu me esqueça, há não-brancos e eles não são só para enfeitar. Há negros, morenos/mulatos e até mesmo asiáticos (não tem Ásia no mundo, mas) que vivem em uma parte distante do mundo. Um personagem importante (embora não principal) é "asiático" e ele tem sua própria história e suas próprias motivações. Ou seja, ele é um personagem de verdade e não apenas uma trope, como muitos não-brancos geralmente são em histórias de fantasia (olá pela terceira vez, Prince of Thorns).

Há até mesmo um indício de personagens não-heterossexuais (pasmem). É um indício bem fraco, mas né, pelo menos o livro admite que essas pessoas existem, ao contrário de tantos outros.

O próprio plot de A Canção do Sangue é também muito interessante. Desde o início nos são apresentadas perguntas que vão, pouco a pouco, sendo respondidas, mas que ainda assim só causam mais perguntas e mais mistério. Eu teria terminado esse livro bem mais rápido se a faculdade não estivesse sugando minha vida, porque é simplesmente difícil largar a história antes de terminá-la. E mesmo ao terminá-la você ainda é deixado com várias perguntas que provavelmente só podem ser respondidas ao ler o volume dois, que, infelizmente, você ainda não tem (=[). Além disso, gostei muito do fato de que foi o reino de Vaelin que causou a guerra principal do livro por interesses que podem ser considerados egoístas. Gostei de que foi o protagonista quem invadiu uma nação vizinha e matou o herói dela, tornando-se assim o vilão para seu povo. Uma mudança muito bem vinda do velho reino do protagonista como do bem x reino invasor do mal.

E, por último, eu gostei muito do worldbuilding. Não tem nada de inovador (na verdade, o mundo chega a ser bem genérico em vários aspectos), mas o modo como o autor apresentou e construiu tudo me agradou bastante. Gostei da Fé e das outras religiões, e de como a intolerância religiosa foi mostrada (e condenada). Gostei de como o autor apresentou personagens que acreditavam completamente estarem fazendo algo de bom para o mundo ao cometer atos horríveis em nome de sua crença ou de seu rei e de como alguns desses personagens acabaram percebendo o que tinham feito ou finalmente notando que rei algum é perfeito ou mesmo bom. Enfim, acho que o autor foi muito feliz ao mostrar tantos temas que são importantes (e polêmicos) no mundo real de uma forma clara e sem precisar ofender nenhuma religião (já que nenhuma de A Canção do Sangue pode ser considerada como inspirada em alguma real). É bem raro fantasias mostrarem tais coisas com habilidade ou até mesmo chegarem a tratar delas (e olha que a maioria é inspirada no nosso período medieval, bem conhecido por sua total intolerância religiosa), então esse é um diferencial da obra de Ryan.

Concluindo: A Canção do Sangue é um livro excelente que merece (e merece muito) a fama que tem. É até difícil de acreditar que esse foi o livro de debut do autor, mas ao lê-lo entendi perfeitamente porque, mesmo tendo sido lançado de modo independente apenas como ebook, ele conquistou o sucesso que tem hoje. Por que, então, não o dei cinco estrelas?

Porque sou chata. Sim, essa é a mais pura verdade. Só dou cinco estrelas para livros que me deixam completamente fascinada, para aqueles que se tornam meus favoritos para tipo, todo o sempre. A Canção do Sangue chegou muito perto de fazer isso, mas não rolou. Ao terminá-lo eu estava sim muito curiosa para saber o que acontece no próximo volume, mas não pude ignorar a sensação de que havia algo fora do lugar. Depois de pensar muito, descobri que a coisa fora do lugar era nada mais nada menos do que o próprio Vaelin e os mistérios que o cercam.

É meio difícil não comparar A Canção do Sangue à O Nome do Vento. Ambas as histórias são sobre garotos que se tornam lendas, e ambas são com o garoto em questão contando sua história para um escriba/cronista/historiador. O Nome do Vento tem as partes no presente em terceira pessoa e as do passado em primeira, A Canção do Sangue tem o relato do escrita em primeira e o passado em terceira, Kvothe é famoso por ser incrível em quase tudo que faz, Vaelin é igualmente famoso, mas só é incrível mesmo com a espada, e ambos estão fora de circulação por algum tempo no início da história, Kvothe por ter se tornado Kote e Vaelin por ter sido preso. Enfim, as semelhanças são muitas, mas as duas obras se diferenciam tanto que acabam tornando essas semelhanças bem superficiais. Cada série tem seu próprio tom e seu próprio estilo, apesar de parecerem tão iguais à primeira vista.

Por que comparo as duas então? Bem, porque eu acho que o que fez O Nome do Vento se tornar um dos meus livros favoritos é exatamente o que faltou em A Canção do Sangue para que ele também chegasse a ter esse status. Em ambas as histórias há o mundo normal, onde a magia é visto como algo diabólico/de contos de fada ou com uma magia bem científica no caso de O Nome do Vento, mas nas duas o leitor vai, pouco a pouco, descobrindo que existe sim uma magia além, algo maior e mais poderoso, de onde todos os mistérios do livro acabam surgindo. O que me encantou em o O Nome do Vento foi o mundo dos Fae, as lendas de Lanre e do Chandriano, e a ideia dos nomes verdadeiros das coisas, o mistério das Portas de Pedra e assim por diante. O que poderia ter me encantado e que chegou bem perto de fazê-lo em A Canção do Sangue foi os mistérios sobre a Sétima Ordem, os dons e a canção do sangue de Vaelin, os poderes de Sella e o lobo que está sempre por perto quando Vaelin precisa, e todo suspense envolvendo o Além e todas as religiões. Mas nada o fez, pelo simples fato de que não houve o suficiente disso tudo para que eu realmente ficasse interessada de verdade.

Se esses mistérios todos sobre Vaelin estivessem mais presentes na história, eu provavelmente teria gostado dela bem mais. O próprio Vaelin, apesar de ser um bom protagonista, não apresenta um desenvolvimento muito grande com o passar dos anos (Nortah e Frentis, por exemplo, o apresentam bem mais). Então sim, A Canção do Sangue é um livro incrível, mas faltou esse "algo mais" para que eu realmente chegasse a adorá-lo. Mesmo assim, ele é bom demais para apenas quatro estrelas. Entende meu dilema?

Enfim, sem mais delongas, 4.5 estrelas para A Canção do Sangue.

PS: Leya, qual foi a da revisão???? Vi interrogações em lugares errados, pensamentos juntos de fala, falas do mesmo personagem dispostas como se fossem de personagens diferentes, e até alguns erros de ortografia. ????

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