3.0 estrelas fantasia featured

Resenha: Truthwitch, Susan Dennard

10:53neo
Série The Witchlands: Truthwitch | Windwitch | ?
Susan Dennard
Tor Teen
★★★

In the Witchlands, there are almost as many types of magic as there are ways to get in trouble—as two desperate young women know all too well.
Safiya is a Truthwitch, able to discern truth from lie. It’s a powerful magic that many would kill to have on their side, especially amongst the nobility to which Safi was born. So Safi must keep her gift hidden, lest she be used as a pawn in the struggle between empires.
Iseult, a Threadwitch, can see the invisible ties that bind and entangle the lives around her—but she cannot see the bonds that touch her own heart. Her unlikely friendship with Safi has taken her from life as an outcast into one of reckless adventure, where she is a cool, wary balance to Safi’s hotheaded impulsiveness.
Safi and Iseult just want to be free to live their own lives, but war is coming to the Witchlands. With the help of the cunning Prince Merik (a Windwitch and ship’s captain) and the hindrance of a Bloodwitch bent on revenge, the friends must fight emperors, princes, and mercenaries alike, who will stop at nothing to get their hands on a Truthwitch. 
Como vocês já devem saber, Truthwitch era um dos meus livros mais antecipados de 2016 por basicamente dois motivos: amizade entre garotas e magia/bruxaria, que são coisas que eu adoro em história. Infelizmente, porém, ele decepcionou sim.

3.5 estrelas fantasia literatura estrangeira

Resenha: Six of Crows, Leigh Bardugo

14:07neo
Série Six of Crows: Six of Crows | Crooked Kingdom | ?
Leigh Bardugo
Henry Holt and Company
★★★★

Ketterdam: um movimentado centro de comércio internacional, onde tudo pode ser adquirido pelo preço certo - e ninguém sabe disso melhor do que o prodígio criminoso Kaz Brekker. Kaz é ofeerecida a chance de um assalto mortal que poderia torná-lo risco para além de seus sonhos. Mas ele não pode fazer isso sozinho... 
Um condenado com sede de vingança.
Um atirador de elite que não pode dispensar uma aposta.
Um fugitivo com um passado privilegiado.
Uma espiã conhecida como a Wraith.
Uma heartrender usando sua magia para sobreviver às favelas.
Um ladrão com um dom para escapadas impossíveis. 
A equipe de Kaz são os únicos que se interpõem entre o mundo e a destruição - se eles não matarem uns aos outros primeiro.

Depois de ler o primeiro volume da trilogia Grisha, Sombra e Ossos, da mesma autora, eu estava determinada a jamais ler outra coisa da Leigh Bardugo. Quase tudo que eu mais odeio em literatura YA pode ser encontrado nesse primeiro livro dela; worldbuilding falho e um tanto desrespeitoso, personagens mornos e sem graça, e um romance tedioso. Mas quando Six of Crows, o início de uma nova série que se passa no mesmo mundo de Sombra e Ossos, foi lançado, as resenhas positivas foram tantas que finalmente me rendi e peguei o livro pra ler. E devo dizer: não me arrependi.

3.5 estrelas fantasia young adult

Resenha: A Court of Thorns and Roses, Sarah J. Maas

16:22neo
Série A Court of Thorns and Roses: A Court of Thorns and Roses | A Court of Mist and Fury | Untitled
Sarah J. Maas
Bloomsbury Children's
★★★½
Quando Feyre, uma caçadora de dezenove anos, mata um lobo na floresta, uma criatura bestial chega demandando retribuição. Levada para uma terra mágica traiçoeira que ela só conhece em lendas, Feyre descobre que seu captor não é um animal, mas Tamlin - um dos imortais e letais faeries que já dominaram seu mundo.
Enquanto ela mora em sua propriedade, seus sentimentos por Tamlin se transformam de hostilidade gélida em paixão ardente que queima através de todas as mentiras e advertências que ela já ouviu sobre o belo e perigoso mundo dos Fae. Mas uma antiga sombra cresce sobre as terras do país das fadas, e Feyre deve encontrar uma maneira de pará-la... ou ela vai destruir Tamlin - e seu mundo - para sempre.

Esse livro basicamente resume minha relação com tudo que Maas escreve: tem muita, muita coisa boa, mas muita coisa irritante também.

4.0 estrelas fantasia fantasia urbana

Resenha: Filhos da Lua, Marcella Rossetti

14:17neo
Série Filhos da Lua: O Legado | ?
Marcella Rossetti
★★★★

Você consegue imaginar que a vida que te ensinaram a viver pode não ser aquela para a qual nasceu? Que tudo o que acredita pode não ser inteiramente verdade? E que existem criaturas conhecidas como trocadores de pele vivendo entre nós?
Em Filhos da Lua: o Legado, você descobre um novo universo de fantasia urbana, tendo como cenário inicial a cidade de Santos, em São Paulo. A autora apresenta uma aventura cheia de mistérios cuja personagem principal é Bianca, uma adolescente que não imagina que sua chegada na cidade desencadearia uma série de acontecimentos capazes de transformar completamente a sua vida e revelar os segredos de um perigoso mundo.

Filhos da Lua foi uma surpresa bastante agradável. 

Tenho que admitir, antes de tudo, que uma parte dessa surpresa se deve a um preconceito meu. Não contra livros brasileiros nesse caso, mas sim contra o gênero: fantasia urbana. Já comentei por aqui que não costumo ler muitos livros assim por odiar como quase tudo nesse gênero acaba sendo colocado de lado em favor do romance. E, para ser sincera, muito disso tem a ver com o modo errado com que várias histórias são promovidas. Afinal de contas, há uma grande diferença entre romance paranormal e fantasia urbana (e o mundo seria um lugar bem melhor se as editoras agissem em cima disso).

4.5 estrelas fantasia young adult

Resenha: Queen of Shadows, Sarah J. Maas

19:25neo
Série O Trono de Vidro: A Lâmina da Assassina | O Trono de Vidro | Coroa da Meia-Noite | Herdeira do Fogo | Queen of Shadows | Untitled | Untitled
Sarah J. Maas
Galera Record
★★★★ ½

Tudo que Celaena Sardothien ama foi tirado dela. Mas ela enfim retornou ao império - por vigança, para resgatar seu reino e para enfrentar as sombras de seu passado...
Ela vai lutar por seu primo, um guerreiro preparado para morrer apenas para vê-la de novo. Ela vai lutar por seu amigo, um homem jovem encarcerado em uma prisão terrível. E ela lutará por seu povo, escravizado por um rei brutal e esperando o retorno triunfante de sua rainha perdida.

Queen of Shadows foi um livro excelente, mas a prova concreta de que você tem que tomar cuidado com o que deseja. 

2.5 estrelas fantasia fantasia urbana

Resenha: The Girl at Midnight, Melissa Grey

13:01neo
Série The Girl at Midnight: The Girl at Midnight | The Shadow Hour | Untitled
Melissa Grey
Delacorte Press
★★½
Embaixo das ruas da cidade de Nova York vive os Avicen, uma antiga raça de pessoas com penas ao invés de cabelo e magia a correr por suas veias. Velhos encantamentos os mantém escondidos dos humanos. De todos menos um. Echo é uma batedora de carteiras fugitiva que sobrevive vendendo tesouros roubados no mercado negro, e os Avicen são a única família que ela já conheceu.
Echo é inteligente e ousada, e às vezes ela pode ser imprudente, mas acima de tudo ela é ferozmente leal. Assim, quando uma guerrar secular se aproxima de sua cabsa ela decie que é hora de agir.
Diz a lenda que há uma maneira de acabar com o conflito de uma vez por todas: encontrar o Firebird, uma entidade mítica em que se acredita possuir um poder como o mundo jamais viu. Não será uma tarefa fácil, mas se a vida de um ladrão ensinou Echo alguma coisa é como encontrar o que ela quiser... E como tomar isso.
Mas alguns trabalhos não são tão simples como parecem. E esse pode simplesmente deixar o mundo em chamas.

The Girl at Midnight era um livro que eu estava antecipando muito. Quero dizer, o plot é sobre uma garota no meio de uma guerra entre duas raças que vivem escondidas dos humanos, uma que tem penas na cabeça ao invés de cabelos (e algumas mais nos braços) e outra que tem escamas espalhadas pelo corpo (os Avicen e os Drakharin, respectivamente). Eu adorei a ideia da primeira raça; faz tempo que não via algo tão original assim, já que (pelo que eu vejo) as criaturas sobrenaturais hoje em dia sempre são mais do mesmo. 

2 estrelas distopia literatura nacional

Resenha: A Torre Acima do Véu, Roberta Spindler

17:54neo
A Torre Acima do Véu
Roberta Spindler
Giz Editorial
★★

Quando uma densa e venenosa névoa surge misteriosamente, pânico e morte tomam conta do planeta. Os poucos sobreviventes se refugiam no topo dos megaedifícios e arranha-céus das megalópoles.
Acuados, vivem uma nova era de privações e sob o ataque constante de seres assustadores, chamados apenas de sombras.
Suas vidas logo passaram a depender da proteção da Torre, aquela que controla os armamentos e a tecnologia que restaram.
Cinquenta anos se passam, na megacidade Rio-Aires, Beca vive do resgate de recursos há muito abandonados nos andares inferiores, junto com seu pai e seu irmão. A profissão, perigosa por natureza, torna-se ainda mais letal quando ela participa de uma negociação traiçoeira e se vê cada vez mais envolvida em perigos e segredos que ameaçam muito mais do que sua vida ou a de sua família.

A Torre Acima do Véu foi um dos primeiros livros que comprei esse ano, lá em janeiro ou fevereiro, que foi quando o tentei ler pela primeira vez e acabei desistindo por não conseguir "entrar" na história. Ontem, porém, estava querendo ler alguma coisa e Mage's Blood, minha leitura atual, não estava se mostrando tão atraente assim, então resolvi dar uma nova chance para essa distopia brasileira (também faz um bom tempo que não leio livro físico, e estava com saudades, oops).

4 estrelas fantasia livros não publicados no brasil

Resenha: Heir of Fire, Sarah J. Maas

20:28neo
Série Trono de Vidro: A Lâmina da Assassina | Trono de Vidro | Coroa da Meia-Noite | Heir of Fire | Queen of Shadows | Untitled | Untitled
Sarah J. Maas
Galera Record
★★★★

Celaena Sardothien sobreviveu a uma competição mortal e a uma dor estilhaçante - mas a um custo indescrítivel. Agora ela deve viajar para uma nova terra para confrontar sua mais escura verdade... uma verdade sobre si mesma que poderá mudar sua vida - seu futuro - para sempre.
Enquanto isso, forças brutais e monstruosas estão se reunindo no horizonte com a intenção de escravizar seu mundo. Para derrotá-los, Celaena deve encontrar a força para lutar não só contra seus demônios interiores, mas também contra o mal que está prestes a ser desencadeado.
A assassina do rei assume um destino ainda maior e queima mais brilhante do que nunca nesse seguimento ao best seller do The New York Times Coroa da Meia-Noite.

(Spoilers para os volumes anteriores!)

Heir of Fire é o livro que Coroa da Meia-Noite não conseguiu ser. Ele é ótimo, quase excelente. Nele, Celeaena deixa Adarlan para trás, o que significa que ela deixa os dois Mr. Sunshine para trás, aka, Chaol e Dorian.

Ou seja, o livro não tem romance.


3 estrelas fantasia literatura estrangeira

Resenha: Coroa da Meia-Noite, Sarah J. Maas

20:25neo
Série O Trono de Vidro: A Lâmina da Assassina | O Trono de Vidro | Coroa da Meia-Noite | Heir of Fire | Queen of Shadows | Untitled | Untitled
Sarah J. Maas
Galera Record
★★★

Celaena Sardothien, a melhor assassina de Adarlan, tornou-se a assassina real depois de vencer a competição do rei e se livrar da escravidão das Minas de Sal de Endovier. Mas sua lealdade nunca esteve com a coroa. Tudo o que deseja é ser livre — e fazer justiça. Nos arredores do castelo, surgem rumores a respeito de uma conspiração contra misteriosos planos do rei, mas antes de cuidar dos traidores, Celaena quer descobrir exatamente que planos são esses. O que ela não imaginava é que acabaria em meio a uma perigosa trama de segredos e traições tecida ao redor da coroa. Enquanto a amizade entre ela e o capitão Westfall cresce cada vez mais, o príncipe Dorian se afasta, imerso em seus próprios dilemas e descobertas.
A princesa Nehemia acaba se tornando uma conselheira e confidente, mas sua atenção está mais voltada para outros assuntos. Em Adarlan, um segredo parece se esconder por trás de cada porta trancada, e Celaena está determinada a desvendar todos eles para proteger aqueles que aprendeu a amar. Mas o tempo é curto, e as ameaças ao redor castelo de vidro estão cada vez mais próximas. Quando menos se espera, uma trágica noite mudará a vida de todos no reino, e mais do que nunca Celaena quer descobrir a verdade para fazer justiça.

Coroa da Meia-Noite é, como eu suspeitava, muito melhor do que Trono de Vidro, mas não o suficiente para eu não me sentir um tanto decepcionada.

3.0 estrelas fantasia livros não publicados no brasil

Resenha: An Ember in the Ashes, Sabaa Tahir

14:53neo
An Ember in the Ashes | ?
Sabaa Tahir
Razorbill/Verus Editora
★★★
Laia é uma escrava. Elias é um soldado. Nenhum dos dois é livre.
Sob o Império Marcial, desafio é respondido com morte. Aqueles que não juram seu sangue e corpo ao Imperador arriscam a execução de seus entes queridos e a destruição de tudo com que se importam.
É nesse mundo brutal, inspirado pela antiga Roma, que Laia vive com seus avós e irmão mais velho. A família sobrevive nas ruelas pobres do Império. Eles não desafiam o Império. Eles já viram o que acontece com aqueles que o fazem.
Mas quando o irmão de Laia é preso por traição, ela é forçada a tomar uma decisão. Em troca de ajuda dos rebeldes que prometem resgatar seu irmão, Laia arriscará sua vida como espiã para eles de dentro da maior academia militar do Império.
Lá, Laia conhece Elias, o melhor soldado da escola - e, secretamente, o mais relutante. Elias quer apenas ser livre da tirania que ele foi treinado para defender. Ele e Laia logo realizarão que seus destinos estão interligados - e que suas escolhas mudarão o destino do próprio Império.

Meu problema com esse livro foi simples: eu estava esperando demais, principalmente por causa de toda a história de ele ser inspirado no Império Romano.

4 estrelas fantasia young adult

Resenha: Snow Like Ashes, Sara Raasch

13:34neo
The Snow Like Ashes Trilogy: Snow Like Ashes | Ice Like Fire | Untitled
Sara Raasch
Balzer + Bray
★★★★
Dezesseis anos trás o reino de Winter foi conquistado e seus moradores escravizados, deixando-os sem magia e sem um monarca. Agora, sua única esperança de liberdade está em oito sobreviventes que conseguiram escapar e que desde então estão esperando por uma oportunidade para roubar de volta a magia de Winter e reconstruir o reino.
Tornada órfã durante a queda de Winter, Meira viveu toda sua vida como uma refugiada, criada pelo general de Winter, Sir. Treinando para ser uma guerreira - e desesperadamente apaixonada por seu melhor amigo e futuro rei, Mather - ela faria de tudo para ajudar seu reino ascender ao poder novamente.
Então quando batedores descobrem a localização do antigo medalhão que pode restaurar a magia de Winter, Meira decide ir atrás dele ela measma. Finalmente ela está escalando torres, lutando contra soldados inimigos  e servindo seu reino exatamente como ela sempre sonhou que faria. Mas a missão não acontece como planejado e Meira logo se encontra jogada em um mundo de magia maligna e tramas perigosas - e finalmente começa a perceber que seu destino não é, nunca foi, seu.


Eu não estava esperando muito de desse livro. Se isso influenciou meu nível de satisfação eu não sei, mas uma coisa é certa: eu gostei bastante de Snow Like Ashes.

2.5 estrelas fantasia young adult

Resenha: Sombra e Ossos, Leigh Bardugo

16:50neo
Trilogia Greg Grisha: Sombra e Ossos | Sol e Tormenta | Ruína e Ascensão
Leigh Bardugo
Gutenberg
★★

Alina Starkov nunca esperou muito da vida. Órfã de guerra, ela tem uma única certeza: o apoio de seu melhor amigo, Maly, e sua inconveniente paixão por ele. Cartógrafa de seu regimento militar, em uma das expedições que precisa fazer à Dobra das Sombras – uma faixa anômala de escuridão repleta dos temíveis predadores volcras –, Alina vê Maly ser atacado pelos monstros e ficar brutalmente ferido. Seu instinto a leva a protegê-lo, quando inesperadamente ela vê revelado um poder latente que nunca suspeitou ter.
A partir disso, é arrancada de seu mundo conhecido e levada da corte real para ser treinada como um dos Grishas, a elite mágica liderada pelo misterioso Darkling. Com o extraordinário poder de Alina em seu arsenal, ele acredita que poderá finalmente destruir a Dobra das Sombras.
Agora, ela terá de dominar e aprimorar seu dom especial e de algum modo adaptar-se à sua nova vida sem Maly. Mas nesse extravagante mundo nada é o que parece. As sombrias ameaças ao reino crescem cada vez mais, assim como a atração de Alina pelo Darkling, e ela acabará descobrindo um segredo que poderá dividir seu coração – e seu mundo – em dois. E isso pode determinar sua ruína ou seu triunfo.

Eu me aproximei desse livro sabendo de duas coisas graças às resenhas que li antes de iniciá-lo: a) o worldbuilding é feito tendo a Rússia como inspiração e b) esse worldbuilding falha miseravelmente. Não vou falar muito disso aqui, mas só para terem uma ideia: Grisha é o diminutivo de Grigori, um nome russo. Ou seja, americanizando a coisa toda, a trilogia na verdade se chama Trilogia Greg, o que quer dizer que as pessoas super poderosas do livro são as Gregs. Sim, ridículo, eu sei.

2.5 estrelas fantasia resenhas

Resenha: Red Queen, Victoria Aveyard

16:41neo
Red Queen Trilogy: Red Queen | Untitled | Untitled
Victoria Aveyard
Orion
★★½

Os indigentes Reds são plebeus, vivendo sob o domínimo do Silvers, guerreiros de elite com poderes divinos.Para Mare Barrow, uma menina Red de 17 anos de Os Stilts, parece que nada nunca vai mudar.Mare encontra-se trabalhando no Palácio de Prata, no centro daqueles que ela mais odeia. Ela logo descobre que, apesar de seu sangue vermelho, ela possui um poder mortal e único. Um que ameaça destruir o controle dos Silvers.Mas o poder é um jogo perigoso. E neste mundo dividido por sangue, quem vai ganhar?


Esse livro tinha tudo para ser maravilhoso, mas não foi. O motivo? Clichés.
distopia livros não publicados no brasil resenhas

Resenha: The Summer Prince, Alaya Dawn Johnson

20:54neo
The Summer Prince
Alaya Dawn Johnson
Arthur A. Levine Books
★★★

Uma história de parar o coração de amor, morte, tecnologia e arte que se passa em meio aos trópicos de um Brasil futurista. 
A cidade exuberante de Palmares Três brilha com tecnologia e tradição, com rodinhas de fofocas e políticos experientes. No meio desta metrópole vibrante, June Costa cria a arte que certamente a fará lendária. Mas seus sonhos de fama se tornar algo mais quando ela conhece Enki, o novo Summer King. A cidade inteira se apaixona por ele (incluindo o melhor amigo de June, Gil). Mas June vê mais a Enki do que os olhos de âmbar e um samba letal. Ela vê um colega artista. 
Juntos, June e Enki apresentarão projetos explosivos e dramáticos que Palmares Três nunca vai esquecer. Eles irão adicionar combustível a uma revolta crescente contra os limites do governo sobre nova tecnologia. E June se apaixonará profundamente, e infelizmente, por Enki. Porque como todo Summer King antes dele, Enki está destinado a morrer.
Pulsando com a batida de um Brasil futurista, queimando com as paixões de seus personagens, e transbordando de idéias, este romance ardente vai deixar você ansioso por mais de Alaya Amanhecer Johnson.
Avaliar esse livro é meio difícil. 
Veja bem, quando o peguei para ler já tinha lido algumas resenhas sobre como a cultura brasileira era usada de forma “errada” pela autora, então eu meio que estava esperando odiar The Summer Prince com todas as minhas forças. Mas, surpreendentemente, eu não odiei.

Sim, a cultura brasileira é usada de forma errada. Bem, na verdade, não é nem errada, mas sim estranha. Eu não senti, em nenhum momento, que o livro se passava no Brasil, nem mesmo quando os personagens foram para Salvador, onde eu nasci/moro. Talvez parte disso se deva ao fato de que a história acontece uns 300 anos depois que o mundo - Brasil incluso - entrou em colapso, mas acredito que a verdadeira razão é que o livro foi escrito por uma pessoa que não é brasileira e que, talvez por isso, não conseguiu realmente entender nossa cultura. Alguns aspectos dela - dança, música, uma ou outra comida típica - foram jogados no meio da narrativa meio do nada, e a forma com que o samba foi mostrado me fez revirar os olhos. Alguns estereótipos ficaram bem visíveis; perdi a conta do número de vezes em que alguém dançou como se fosse morrer e/ou o número de vezes em que o dançar foi extremamente romantizado. Alguns nomes também me soaram estranhos (Oreste? Enki? Wanadi? Que?), mas talvez a história ser no futuro justifique isso.

A personagem principal, June (e o nome americano dela me fez torcer o nariz até a autora explicar o porquê dele, e mesmo assim acho que não custava nada ter colocado um nome brasileiro na guria), me irritou um pouco, principalmente no início. Ela não perde uma oportunidade para afirmar e reafirmar que é a melhor artista de Palmares Três e tudo o que ela faz é supostamente em nome da arte. Apesar de achar o desejo dela de ser famosa algo refrescante (não aguento mais protagonistas de YA que se escondem até da própria sombra), isso eventualmente deixou de ser interessante para se tornar um estorvo. Os pensamentos e falas dela me arrancavam um cala a boca, June pelo uma vez a cada três páginas. E nas primeiras 100 páginas, o plot também é meio inexistente. Eu não fazia ideia de para onde o livro estava indo, e mesmo depois ele é, de certa forma, “solto”. 

Por que três estrelas então? Bem, é porque o livro marca pontos onde muitas outras distopias juvenis perdem. Para começar, os temas que a autora propõe são “discutidos” com muito mais complexidade se comparado a outras distopias do tipo que eu já li (Jogos Vorazes, Divergente, Feios), como por exemplo privilégio (na cidade-pirâmide de Palmares Três quanto mais alto você mora, mais rico/bem visto você é + a exclusão dos homens do poder), o papel da arte nas revoluções, o desistir de uma vida fácil para lutar por algo que você acredita, conflitos entre gerações (em Palmares Três as pessoas chegam a viver por um século e tanto, sempre semi-jovens, e os mais novos, com menos de 30 anos, os wakas, têm suas opiniões sempre desconsideradas, enquanto os grandes basicamente mandam em tudo ignorando o resto todo) e até mesmo a questão de quanto de tecnologia é muito ou pouco. Além disso, a escrita é muito boa, e eu gostei de como o relacionamento de June com seus pais e também o com Bebel, que eu pensei que iria ser a típica garota rival de YA, foram tratados pela autora. 

Outra coisa no mínimo interessante é como “rótulos” para sexualidade não existem em The Summer Prince. Depois que o pai de June morre, por exemplo, a mãe dela se casa com outra mulher, e Gil, o melhor amigo dela (sim, um cara) é quem se envolve com Enki de início. Sexo também é visto de modo bem casual (e o poliamor reina em várias ocasiões), o que não me incomodaria nem um pouco se o brasileiro já não fosse visto como extremamente sexual. Aliás, essa liberdade sexual toda causou algumas cenas bizarras que me fizeram questionar o que se passou na cabeça da autora na hora de escrevê-las.

O próprio worldbuilding é legal, mas fica muito vago em vários aspectos. Até agora não entendi porque existem moon years e como diabos o sistema de eleição funciona a cada ano. E não há explicação quase nenhuma sobre o colapso do mundo como o conhecemos hoje, embora um pouco seja dito sobre a criação da cidade sim.

No geral, é um bom livro. Ia dar 2.5 estrelas para ele, mas a escrita me conquistou e o ritmo é ótimo também. Então, né, 3 estrelas para The Summer Prince
fantasia literatura estrangeira resenhas

Resenha: O Filho de Netuno, Rick Riordan

14:55neo
Os Heróis do Olimpo: O Herói Perdido | O Filho de Netuno | A Marca de Atena | A Casa de Hades | Sangue do Olimpo
Rick Riordan
Intrínseca
★★★
A vida de Percy Jackson é assim mesmo: uma grande bagunça de deuses e monstros que, na maioria das vezes, acaba em problemas. Filho de Poseidon, o deus do mar, um belo dia ele acorda de um longo sono e não sabe muito mais do que o seu próprio nome. Mesmo quando a loba Lupa lhe conta que ele é um semideus e o treina para lutar usando a caneta/espada que carrega no bolso, sua mente continua nebulosa. De alguma forma, Percy consegue chegar a um acampamento de semideuses, mas o lugar não o ajuda a recobrar qualquer lembrança. A única coisa que consegue recordar é outro nome: Annabeth. Com seus novos amigos, Hazel e Frank, Percy descobre que o deus da morte, Tânatos, está aprisionado e que Gaia pretende reunir um exército de gigantes para dominar o mundo e reescrever as regras da vida e da morte. Juntos, os três embarcam em uma missão aparentemente impossível rumo ao Alasca, uma terra além do controle dos deuses, para cumprir seus papéis na misteriosa Profecia dos Sete. Se falharem, as consequências, é claro, serão desastrosas.

Meu problema com esse livro tem um nome. Ou melhor, dois: Hazel e Frank.

Eles me irritaram durante o livro inteiro e foram praticamente a maior causa de eu ter demorado tanto tempo para terminá-lo. Mas eu só vim perceber o porquê de eles terem me frustrado tanto hoje, umas cem páginas antes do fim da história, e esse motivo é muito simples: angst demais.

Não me entenda errado; eu adoro um bom angst, de verdade, mas só quando o plot e os personagens me convencem de que a quantidade de angst presente na história é a certa. E isso não aconteceu em O Filho de Netuno. No início sim, me senti mal pelas coisas que a Hazel foi obrigada a fazer e entendi bem os problemas de auto-estima do Frank, mas depois de um tempo eu mal podia ler um capítulo deles sem revirar os olhos. Eles reclamam demais, de si mesmos, da vida, dos deuses e de qualquer outra coisa que se mova. O livro inteiro foi uma festa de auto-piedade protagonizada pelos dois.

E o romance entre eles... Ew. Ew ew ew ew. Não. Sério. O angst exagerado de ambos os personagens estragou o pseudo-romance. Perdi a conta de quantas vezes revirei os olhos com Frank ficando >toda hora< preocupado com a ideia de que Hazel jamais iria gostar dele após ele fazer alguma coisa (essa alguma coisa geralmente sendo relacionada com salvar a vida deles??? Hã????) ou com a Hazel lamentando o fato do Frank ser uma pessoa tão boa que jamais aceitaria ficar com ela, que já fez tanta coisa errada. Bleh.

Frank e Hazel fizeram com que eu sentisse saudades da Piper e de todo o seu drama sobre ser linda. Então sim, as partes dos dois foram muito cheias de mimimi pra mim.

Mas não temam, pois Percy está nesse livro e seus capítulos compensam as lamentações de Hazel/Frank. Que os deuses sejam louvados. Amém.

E, é claro, temos o Nico e o acampamento romano que, como eu já disse em resenhas anteriores, é meu favorito. E a própria história é ótima também; Hazel e Frank foram o que realmente me impediu de gostar dela como eu deveria. Fora isso, o final é um pouco corrido, mas né, isso às vezes acontece com os livros do Riordan mesmo. Depois de ler os cinco de PJO e esses dois de HOO em sequência já estou pra lá de acostumada.

De qualquer forma, O Filho de Netuno fica só com 3.0 estrelas.

fantasia literatura estrangeira resenhas

Resenha: O Herói Perdido, Rick Riordan

19:49neo
Os Heróis do Olimpo: O Herói Perdido | O Filho de Netuno | A Marca de Atena | A Casa de Hades | Sangue do Olimpo
Rick Riordan
Intrínseca
★★★★
Novos e conhecidos personagens do Acampamento Meio-Sangue dividem espaço nesse primeiro volume da série Os heróis do Olimpo. Rick Riordan volta ao universo de Percy Jackson e os Olimpianos com ainda mais aventuras, humor e mistério. Depois de salvar o Olimpo do maligno titã Cronos, Percy Jackson e seus amigos trabalharam duro para reconstruir seu mais querido refúgio, o Acampamento Meio-Sangue. É lá que a próxima geração de semideuses terá de se preparar para enfrentar uma nova e aterrorizante profecia. Os campistas seguirão firmes na inevitável jornada, mas, para sobreviver, precisarão contar com a ajuda de alguns heróis, digamos, um pouco mais experientes - semideuses dos quais todos já ouvimos falar... e muito.
Como eu não cansei de dizer em minhas resenhas de Percy Jackson e os Olimpianos, eu gosto muito mais de Os Heróis do Olimpo do que da primeira série. E os motivos são bem simples.Para começar, a escrita é melhor. Não é mais em primeira pessoa e sim em terceira (o que eu prefiro, apesar de adorar a narração do Percy em PJO), e é bem mais sólida e até mesmo mais descritiva. Achei bem mais fácil "mergulhar" na história aqui em O Herói Perdido do que em qualquer livro da primeira série, e acredito que a escrita seja a responsável por isso. E, é claro, os personagens secundários (que não são tão secundários assim, para falar a verdade) são bem mais explorados, já que não estamos presos somente no ponto de vista de Percy.

Segundo, bem, HOO é uma série young adult enquanto PJO é middle-grade. Ou seja, tudo (personagens, escrita, etc) é mais maduro e vários temas são tratados com mais seriedade, apesar da história ainda manter aquele ar meio "wtf" que PJO sempre teve. HOO é o tipo certo de série spin-off, já que leva em conta o fato de que quem cresceu lendo PJO, bem, cresceu, sabe. Eu mesma comecei a ler PJO logo após o primeiro filme ser lançado, lá em 2010, quando tinha uns 14 anos, então não posso dizer que cresci lendo PJO (ou HP, falando nisso), mas bem, o que leio hoje em dia não corresponde mais ao que eu lia 2010 (well, na verdade corresponde para o horror dos meus pais, mas acho que hoje em dia sou bem mais crítica, embora continue lendo basicamente os mesmos gêneros). Nessa releitura que fiz de PJO acabei percebendo que não me diverti tanto quanto tinha me divertido das outras três ou quatro vezes em que li a série, e acho que só posso culpar o tempo e a quantidade de livros que li nos últimos anos, que me fizeram ficar bem mais chata e exigente. Sim, eu sei que estou dando voltas e mais voltas, mas o fato é: HOO é um bom spin-off porque leva em conta que seus leitores cresceram e/ou estão mais exigentes, então a série, pelo menos aqui no primeiro livro, entrega mais do que a gente já conhece - semideuses, monstros, deuses prestes a serem derrotatos, etc, etc, - em um tom diferente e menos infantil que acredito ser ideal para seu público alvo. Pontos para o Riordan por isso.

Terceiro, eu adoro a ideia de gregos x romanos. Não vou falar muito para não dar spoiler, mas eu adoro os romanos. Ok, aqui no primeiro livro eles não aparecem muito, mas como já li o segundo (estou até relendo-o agora) posso afirmar com 100% de convicção que três gregos não valem um romano, yay. Plus o plano de Hera é bem interessante e eu mal posso esperar para ver como ele se desenrola nos próximos livros.

Mas nem tudo são flores (infelizmente). Perdi a conta do número de vezes em que revirei os olhos ao ler a Piper chafurdando em angst por ser linda (ô, tristeza, gente. Que tragédia. Pobre garota, tsk tsk) ou ao ver mais uma pessoa sendo um pé no saco com os filhos de Afrodite por eles serem vaidosos ou ao perceber que Riordan os retrata como semi-inúteis fúteis desde a primeira série justamente por eles aparentemente não servirem para mais nada além de se olharem no espelho. As únicas que fogem esse estereótipo são a Silena, que era uma traidora e morreu no último livro de PJO, e a própria Piper, que, surpresa!, acha que ser linda é equivalente a ser um cavaleiro do apocalipse. Há alguns indícios de que esse estereótipo cairá por terra nos próximos volumes, mas enquanto isso permanecerei aqui bocejando toda vez que alguém nessa série for visto como inferior por se importar com a aparência. Bleh.

Mas, no geral, O Herói Perdido é um livro ótimo. O ritmo é bom, os personagens também, a escrita tem qualidade e o final não é fácil demais como em O Ladrão de Raios. Então, né, 4.0 estrelas.
fantasia literatura estrangeira livros não publicados no brasil

Resenha: The Young Elites, Marie Lu

15:04neo
The Young Elites Trilogy: The Young Elites | The Rose Society | Ainda sem título
Marie Lu
G.P. Putnam’s Sons Books
★★★
Estou cansada de ser usada, ferida e deixada de lado.
Adelina Amouteru é uma sobrevivente da febre de sangue. Dez anos atrás, essa doença mortal varreu sua nação. A maior parte dos infectados morreram, enquanto muitas das crianças que sobreviveram foram deixadas para trás com marcas estranhas. O cabelo negro de Adelina se tornou prateado, seus cílios ficaram pálidos e agora ela tem apenas uma cicatriz irregular onde seu olho esquerdo um dia esteve. Seu pai cruel acredita que ela é um malfetto, uma abominação, arruinando o bom nome de sua família e bloqueando o caminho de sua fortuna. Mas rumores dizem que alguns dos sobreviventes da febre possuem mais do que cicatrizes – muitos acreditam que eles detém dons poderosos e misteriosos, e apesar de suas identidades se manterem em segredo, eles começaram a ser chamados de Jovens Elites.
Teren Santoro trabalha para o rei. Como Líder da Inquisição Axis, é seu trabalho caçar os Jovens Elites, destruí-los antes que eles destruam a nação. Ele acredita que os Jovens Elites são perigosos e vingativos, mas é Teren quem pode possuir o segredo mais sombrio de todos.
Enzo Valenciano é um membro da Irmandade da Adaga. A seita secreta de Jovens Elites procura outros como eles próprios antes que a Inquisição Axis o faça. Mas quando os Adagas encontram Adelina, eles descobrem alguém com poderes como eles jamais viram.
Adelina quer acreditar que Enzo está do seu lado, e que Teren é o verdadeiro inimigo. Mas a vida desses três irá colidir de modo inexperado na medida que cada um luta uma batalha pessoal e diferente. Mas de uma coisa eles têm certeza: Adelina possui habilidades que não pertencem a esse mundo. Uma escuridão vingativa em seu coração. E um desejo de destruir todos que se atrevam a cruzar seu caminho.
É minha vez de usar. Minha vez de ferir.**
**tradução livre

Esse livro é meio difícil de avaliar.

Veja bem, o início é maravilhoso. Li o os dois primeiros capítulos (que estavam disponíveis antes do lançamento do livro) e os adorei tanto que mal podia esperar pela obra completa. Mas o caminho que a autora escolheu para essa história me incomodou bastante. É mais uma questão de gosto pessoal mesmo, mas eu odeio, odeio mesmo, quando o protagonista de um livro é forçado a se tornar espião para salvar alguém ou garantir algo para si mesmo, e é isso que acontece com Adelina já no início. Após ser salva da morte pela Dagger Society, ela é meio que forçada a passar informações sobre o grupo para a Inquisição, que mantém sua irmã prisioneira. Quando percebi que era isso mesmo que ia acontecer toda a vontade que eu tinha de ler esse livro sumiu. Fiquei chateada. De verdade.

Eu nem sei direito de onde o ódio que tenho por esse tipo de plotline veio, mas acho que Feios é um bom candidato a culpado. Como eu disse, é uma questão de gosto pessoal; não gostei deJogos Vorazes por um motivo parecido (com tanta coisa para se fazer com uma ideia ótima que nem Jogos Vorazes tinham que enfiar aquilo de romance falso? Enfim), e as três histórias (The Young Elites, Feios e Jogos Vorazes), na minha opinião, poderiam ter sido tão melhores se tivessem deixado de lado essas plotlines simplistas e sem graça. Mas né, agora já foi.

Outras coisas me incomodaram também. Primeiro, não consegui me conectar tanto quanto pensei que me conectaria com a Adelina. Acho que a culpa aqui é da narrativa em primeira pessoa. O que, novamente, pode ser gosto pessoal; nunca consegui me conectar bem com histórias contadas em primeira pessoa porque várias vezes não vejo motivos para levar o que quer que o personagem esteja dizendo (ou interpretando) a sério. Terceira pessoa tornaria esse livro tão melhor que eu me entristeço só de pensar na oportunidade perdida.

Segundo, o romance. Não, ele não foi de todo ruim. Tipo, comparado com esses YAs por aí (com a única exceção de Os Garotos Corvos), o de The Young Elites é muito, muito melhor. Mas poderia ter sido tão bem melhor explorado. Eu não vi nenhum motivo para a Adelina se apaixonar pelo Enzo (dessa vez não posso nem dizer que foi porque ele era bonito, já que tinha gente mais bonita por perto), então não fui nem um pouco convencida pelos dois. Simplesmente não funcionou comigo.

Mas tirando isso, eu adorei o livro.

Primeiro, adorei as relações entre os personagens. A de Adelina e sua irmã, Violetta, é a mais rica do livro e foi bem explorada pela autora (amém). Foi bem interessante ver a Adelina dividida entre ciúmes, ódio e amor por sua irmã mais nova, e a resolução final de Adelina sobre o assunto me satisfez bastante. Amei a amizade entre Enzo e Rafaelle e a entre Rafaelle e Adelina (porque garotas e garotos bonitos podem ser amigos yay), e o relacionamento entre os membros da Dagger Society também foi ótimo. Tirando Luck in the Shadows, não leio um livro com relacionamentos tão prazerosos de se ler desde Captive PrinceAprendiz de Assassino.

Também gostei dos personagens, mas muitos não foram tão bem desenvolvidos quanto os principais (Adelina, Enzo, Rafaelle e Teren são os que recebem mais destaque), tanto que de vez em quando eu até me esquecia quem da Dagger Society fazia o quê. Meu preferido, de longe, foi o Rafaelle, seguido pela própria Adelina (desculpa, Enzo, você não teve nem um tico de chance). Adelina é ótima também porque é bem diferente das protagonistas que vemos por aí; ela realmente sente prazer ao machucar/matar/causar medo, mesmo que se sinta culpada depois, e mata de verdade. Foi um alívio ver uma personagem que deveria ser perigosa realmente o sendo (sinta essa indireta, Celaena e Cassie).

Mas o que me conquistou mesmo foi o final. O final provou que Marie Lu não está escrevendo uma série sobre Adelina e Enzo, mas sim sobre Adelina apenas, e pelo livro ser um YA esse é o acontecimento do século para mim. Nem mesmo Os Garotos Corvos se destacou nesse sentido (afinal, a história lá é sobre a Blue matando o interesse romântico dela, então ainda é sobre os dois e tal). The Young Elites não foca no romance, e sim na própria Adelina (nela até mais do que no plot) e em seu desenvolvimento (ou regressão, em alguns sentidos). Eu amei o final. Me surpreendeu de verdade (tive até que ler a mesma página duas vezes para ver se não estava entendendo errado lol). Foi tão bom que dos 24 livros que li esse ano até agora, The Young Elites se tornou o segundo a me fazer ficar morrendo de vontade de ler o próximo. E é o primeiro a me fazer temer pelo meu personagem preferido, já que algo me diz que ele vai se ferrar bonito nos próximos volumes. Well.

Enfim, infelizmente, The Young Elites não vai entrar no meu top de livros preferidos, mas certamente está disputando o primeiro lugar como meu YA favorito com Os Garotos Corvos. Talvez se a plotline de tornar a Adelina uma espiã não existisse... Mas, como eu disse lá em cima, agora já foi. 3.0 estrelas para The Young Elites.

colunas cultura de estupro rants literários

Rants literários: Literatura YA e a cultura de estupro

17:38neo

Quando falamos da teoria, eu gosto muito de livros Young Adult.

Veja bem, na teoria YA é um gênero ótimo: é sobre histórias de jovens se tornando adultos, naquela já familiar fórmula do rito de passagem, e isso, é claro, deveria servir para que pessoas como eu (no auge dos 18 anos e, portanto, uma jovem se tornando adulta) se identificassem com a coisa toda. Segundo especialistas, ter esse tipo de livro por aí pode ajudar e entreter muitos jovens que não sabem o que diabos querem fazer da vida ou quem são, já que neles os protagonistas estão praticamente no mesmo barco (mesmo quando "descobrir quem são" envolve o protagonista descobrindo que é algum tipo de criatura mística, o que seria, portanto, uma espécie de metáfora para a vida adulta). Então sim, YA, na teoria, é um gênero maravilhoso.

Mas na prática não. Principalmente quando os livros são voltados para garotas.

Não sei se o problema começou com Crepúsculo, mas acho que podemos dizer sem hesitar que a obra de Stephenie Meyer certamente o levou às alturas. O problema? Simples: o interesse romântico sendo um stalker (perseguidor) e controlando tudo na vida da protagonista enquanto ela acha tudo isso ótimo. Em outras palavras, cultura de estupro.
A cultura do estupro é um ambiente em que o estupro prevalece e no qual a violência sexual contra mulheres é normal e justificado na mídia e na cultura popular. A cultura do estupro é perpetuada através do uso da linguagem misógina, da visão do corpo da mulher como objeto e da 'glamourização' da violência sexual, criando assim uma sociedade que desrespeita a segurança e direitos das mulheres. (x)
Os livros YA para garotas usam (e usam muito) principalmente essa última parte - a glamourização da violência e o desrespeito a segurança e direitos das mulheres. E para quem não sabe:
Misoginia (do grego μισέω, transl. miseó, "ódio"; e γυνὴ, gyné, "mulher") é o ódio, desprezo ou repulsa ao gênero feminino e às características a ele associadas (mulheres ou meninas). (x)
Crepúsculo é uma propaganda da cultura de estupro porque mostra uma mulher - Bella - em uma relação abusiva com um homem - Edward -, tal relação sendo abusiva porque ele a) controla tudo na vida dela, tomando todas as situações e isolando-a de sua família b) invade seu espaço pessoal e c) a amedronta diversas vezes, e isso tudo é visto como algo ótimo e aceitável. Tão aceitável que Bella entra em uma espécie de estupor depressivo depois que Edward a deixa em Lua Nova, mostrando (não que houvesse alguma dúvida) que ela está sim apaixonada por ele.


Não chego a dizer que livros como Crepúsculo ensinam garotas que tal comportamento é normal. Acho que o problema é outro e, nesse sentido, tais obras são até mesmo necessárias. São necessárias porque Crepúsculo não induz garotas a pensarem que é normal um cara invadir o quarto delas para observá-las dormindo ou que é normal um cara tomar todas as decisões por elas ou lhes dizer o que fazer; Crepúsculo mostra que a cultura de estupro está tão entranhada na nossa sociedade que milhões de garotas conseguiram ver em Edward um cara ideal como namorado, conseguiram enxergar esse comportamento controlador e agressivo como algo desejável simplesmente porque ele, o interesse romântico, é bonito. Ou seja, a coisa toda é muito mais complicada do que parece.

Outro exemplo de livro YA que perpetua a cultura de estupro é Sussurro de Becca Fitzpatrick. Nele Nora, uma adolescente normal que nunca se apaixonou na vida, cai de amores por Patch, o já manjado garoto misterioso, mesmo depois de ela ter provas concretas de que ele a perseguia. Acho que Sussurro consegue ser ainda pior que Crepúsculo porque ele meio que percebe que há algo de errado no modo com que Patch se aproxima de Nora - vários personagens fazem piadas sobre ele a estar perseguindo -, mas mesmo assim ela se apaixona por ele e os dois iniciam um relacionamento.


Em Sussurro, Nora passa uma boa parte do livro morrendo de medo de Patch, que acaba como seu parceiro nas aulas de biologia já no primeiro capítulo. Ela se sente desconfortável em sua presença e até chega a pedir ao professor que a mude de lugar, mas o professor não lhe dá o mínimo de atenção e diz que eles só precisam se conhecer melhor, colocando-a então como tutora dele, já que Patch é novo na escola. A ideia passada aqui? Mais uma vez, simples: se tem um garoto te incomodando na sala de aula você na verdade só está sendo fresca. É melhor ficar quieta enquanto ele te amedronta e te deixa desconfortável, porque garotos são assim mesmo, então para que se incomodar?

Nora chega a pedir para Patch para que ele fale com o professor para mudá-lo de lugar, porque, obviamente, um garoto pedindo vai ter muito mais impacto do que a garota (mensagem da vez: quando garotas reclamam, elas só estão sendo frescas - é, de novo -, mas quando garotos o fazem é porque existe um problema mesmo). Patch não pede e ainda lhe dá uma resposta sarcástica (se me lembro bem é algo nas linhas de por que eu deveria? ou algo assim). Então Nora é obrigada a ficar na presença de um cara que, de novo, a faz ficar desconfortável e que a deixa com medo. Ah, e tal cara é supostamente o par romântico dela na história, não se esqueçam.

Sussurro ainda suporta a cultura de estupro de outro jeito: durante boa parte do livro Nora fica tentando rejeitar a presença e os avanços de Patch, mas sempre fica preocupada com a possibilidade de estar sendo mal-educada ou rude com ele. Mensagem da vez: se você, garota, não está afim de um cara e quiser colocar algumas barreiras entre você e ele você está na verdade sendo rude. O normal é você desistir de vez de dizer não e dizer sim só para que ele possa te deixar em paz depois (isso se você não acabar morta e/ou estuprada). Se o cara te ameaçar por você ter dito não ou mesmo chegar a te assaltar de algum modo, a culpa é sua por ter sido tão difícil (afinal, não custava nada ter aceitado o cara, né? Pois é).

Como eu disse lá em cima, apesar disso tudo, Nora se apaixona por Patch. É como dar o golpe de misericórdia em um moribundo. O cara pode te tratar como lixo, te deixar com medo e te deixar desconfortável (ou mesmo tentar matar você), mas no final não adianta resistir porque você vai se apaixonar por ele. É normal. Sabe essa agressividade? É tudo amor disfarçado, é claro. O cara na verdade tem um coração de ouro. Obviamente.

Tá certo.

Enfim, indo para o nosso terceiro exemplo, Fallen de Lauren Kate. Esse ainda tenta dar uma explicada - a protagonista, Luce, pode ser tratada como lixo pelo interesse romântico, Daniel, porque na verdade eles já se apaixonaram em vidas passadas inúmeras vezes, então meio que não tem problema o Daniel ser um babaca com ela porque algo nela se lembra das vidas passadas em que ele foi (literalmente) um anjinho com ela.


Na primeira vez em que Luce o vê nessa encarnação, Daniel mostra o dedo do meio para ela do nada (é, cara, do nada mesmo) e vai embora. Qual seria a reação de qualquer pessoa normal ao ver alguém que você nunca viu na vida te mostrando o dedo do meio e indo embora sem mais nem menos? Ficar revoltado, é claro. Ofendido. Xingar o infeliz até que orelha dele pegue fogo. Se você tiver um temperamento mais inflamável, ir atrás dele e exigir satisfações. Tudo isso é plausível.

Luce invade a sala de documentos da escola dela para saber mais sobre Daniel porque ela simplesmente tem que saber mais sobre o cara que mandou um dedo do meio para ela na primeira vez em que eles se viram e que depois continuou tratando-a como lixo.

É, eu sei. Muito lógico.

Como se isso não fosse o bastante, Luce passa o resto do livro correndo atrás de Daniel enquanto ele não responde nenhuma das perguntas delas (ela, sendo a garotinha que é, não entenderia, obviamente) e esse comportamento (aguardar pacientemente enquanto o cara do seus sonhos te trata mal - porque é claro que ele não é assim de verdade - porque no final ele vai te explicar tudo. Você só tem que ficar quieta) é visto como amor verdadeiro.

O livro ainda tenta fazer de Daniel um personagem sofrido e cheio de angst porque ele foi obrigado a ver o amor da vida dele - ha ha ha - morrer toda vez em que os dois se beijavam. Mas eu me recuso a acreditar que sou a única que vê como lado perdedor aqui a garota que morre jovem o tempo todo porque Daniel tem hormônios demais para se manter longe dela. Se ele queria tanto não vê-la morrer, se ele a ama de verdade, não seria mais lógico ir para o outro lado do mundo enquanto ela vive?

Para Daniel obviamente não.


O último exemplo desse post é Para Sempre de Alyson Noël (curiosidade: junte o plot de Para Sempre com o de Sussurro que você acaba com o de Fallen. Curioso, né?). Para Sempre não traz nada de novo para a mesa quando o assunto é a perpetuação da cultura de estupro: como em Sussurro, a protagonista, Ever, não vai muito com a cara do nosso querido interesse romântico, Damen, mas ele insiste tanto que ela acaba aceitando a atenção e - surpresa! - os dois se apaixonam. Esqueça o fato de que Damen mente para ela, não lhe passa informações importantes (ela, sendo a garotinha que é, não entenderia, obviamente) e no geral é um péssimo namorado. Mas Ever ainda o ama - por motivos que sinceramente não consigo entender.

Ah, sim. Porque ele, assim como Edward, Patch, Daniel e tantos outros, é o interesse romântico. A protagonista vai se apaixonar por ele, já está certo desde a página um. É por isso que temos que deixar de lado as falhas óbvias de caráter deles (se qualquer um deles fosse um segundo par romântico que obviamente vai ser a ponta solitária do triângulo eu aposto que não seria o "certo" gostarmos deles) e se concentrar no fato de que eles são lindos de morrer. E no fato de que eles amam a protagonista - que por acaso não passa de Mary Sue sem o menor rastro de personalidade, o melhor modo de se inserir na história. Simples, né?

Como eu disse lá em cima, esses livros não ensinam a garotas que é normal se apaixonar por um cara agressivo, insistente e stalker. Eles mostram que nós, garotas, já achamos normal isso acontecer. É por isso que CrepúsculoSussurroFallen Para Sempre fizeram tanto sucesso; Bella, Nora, Luce e Ever são exatamente como tantas garotas por aí e também acham normal se apaixonar por esses caras. Isso é identificação na sua forma mais simples.

A cultura de estupro é tão invisível e tão "normal" na sociedade de hoje que quando li esses livros pela primeira vez, anos atrás, não notei nada disso. Não notei que Nora estava errada ao se preocupar em ser gentil e educada com um babaca que vivia aterrorizando-a, não achei estranho Luce ir atrás de um cara que a tratou mal, não franzi o cenho quando Bella entrou em transe quando Edward foi embora ou quando ele a isolou de todos seus amigos e de sua família, não me incomodei com Damen insistindo em fletar com a Ever mesmo quando ela claramente não o queria, não achei nada disso estranho. Por quê? Porque eu também faço parte da cultura de estupro. Por muito tempo esperar esse tipo de comportamento de garotos foi normal para mim. É o velho boys will be boys tão entranhado no nosso modo de pensar que nós não notados quando somos tratadas como lixo pelo cara bonitinho da aula de biologia. É por isso que eu vi tantos garotos zoando as garotas que adoravam Crepúsculo; eles viam o que havia de errado, mesmo que não de modo consciente, e achavam tais garotas umas idiotas por ficarem todas derretidas por um cara como Edward.

Isso quer dizer que a culpa é das garotas? Desculpe, garotos, mas não. É culpa da cultura de estupro. Nós fomos criadas assim e estamos criando as meninas à nossa volta do mesmo jeito. Quando se cresce com a ideia de que é normal o garoto fazer algumas besteiras de vez em quando  Ã© isso que acaba acontecendo. Quantas vezes já não ouvi um adulto dizendo para uma menina que está tudo bem, querida, garotos são assim mesmo quando algum menino a aborrecia de algum modo? Dezenas e dezenas de vezes. A culpa, na verdade, não é de Stephenie Meyer, Becca Fitzpatrick, Lauren Kate ou Alyson Noel ou de suas respectivas obras. É da cultura de estupro e, portanto, de todos nós.

literatura estrangeira resenhas sobrenatural

Resenha: O Último Sacrifício, Richelle Mead

19:46neo
Academia de Vampiros: O Beijo das Sombras | Aura Negra | Tocada Pelas Sombras | Promessa de Sangue | Laços do Espírito | O Último Sacríficio
Richelle Mead
Agir

Rose Hathaway sempre jogou com suas próprias regras. Ela quebrou as regras quando fugiu da Academia St. Vladimir com sua melhor amiga e a última princesa Dragomir sobrevivente, Lissa. Ela quebrou as regras quando se apaixonou por seu maravilhoso e fora-dos-limites instrutor, Dimitri. E ela ousou desafiar a Rainha Tatiana, a líder do mundo Moroi, arriscando sua vida e reputação para proteger futuras gerações de guardiões dhampir. Agora a lei finalmente pegou Rose por um crime que ela sequer cometeu. Ela está presa pelo mais alto crime imaginável: o assassinato de um monarca. Ela precisará da ajuda de Dimitri e Adrian para encontrar a única pessoa viva que pode atrasar sua execução e forçar a elite Moroi a reconhecer uma chocante nova candidata ao trono real: Vasilisa Dragomir. Mas o relógio está correndo contra a vida de Rose. Ela sabe em seu coração que o mundo dos mortos a quer de volta… E desta vez ela realmente não tem uma segunda chance. A grande questão é: quando sua vida é dedicada a salvar os outros, quem vai te salvar?
Se Laços do Espírito foi o livro que acabou com qualquer chance que Academia de Vampiros tinha comigo, O Último Sacrifício foi o que enterrou de vez a série para mim. Quando terminei o volume cinco, pensei que o seis pelo menos traria uma melhorada, mas Deus, como eu estava enganada. As coisas que odiei em Laços do Espírito voltaram com tanta força nesse livro que em alguns momentos até contemplei a ideia de abandonar de vez a história, mas se eu tinha conseguido me arrastar por cinco livros não seria o último volume que me deteria. Continuei, e o título do livro acabou por dar nome também ao meu último ato em relação a qualquer coisa escrita pela Richelle Mead. Foi, sim, um sacrifício.

A escrita, que também mencionei na última resenha, ficou ainda pior. A cena que se destaca como a mais insuportável e mal escrita do livro para mim é a que Rose pensa ter enlouquecido. Mais uma vez, ela só faz relatar para gente como estava supostamente enlouquecendo, mas em momento nenhum sentimos essa “loucura” na narrativa. E o livro é em primeira pessoa, por Deus. Até os em terceira fazem um trabalho muito melhor em mostrar e não contar o que está acontecendo com o protagonista. A impressão que eu tive é que Rose é uma entidade à parte, contando tudo o que está acontecendo (até com ela mesma) como se estivesse vendo a situação de fora.  Se a protagonista do livro que estou lendo está experimentando algum tipo de desequilíbrio mental, eu quero sentir o que ela sente, saber porque ela acha isso, e não algo no estilo, “olha, eu estou enlouquecendo, tem escuridão na minha mente, isso é a loucura que todos falavam? Oh”. Sinceramente. Que. Diabos.

E falando da Rose, ah, sim, esse livro finalmente me convenceu que ela não tem salvação. Rose é, sem floreios, uma babaca. E sabe por quê? Bem, ela começou a namorar o Adrian e acaba tendo que fugir da Corte com Dimitri e mais tarde Sydney, certo? Pois bem; ela passa o livro inteiro se dizendo que superou Dimitri e que está com Adrian, mas aproveita TODA oportunidade para se jogar pra cima dele. Mas TODA mesmo. Dimitri pelo menos se mostrou mais correto do que ela, mas Rose, nossa querida protagonista? No final ela até hesita em dizer algo para Adrian porque precisa da ajuda dele e não queria irritá-lo agora. Tipo, oi??? Onde está seu pingo de decência, por cristo?

Como alguém que prefere o Adrian ao Dimitri, não pude deixar de me sentir irritada com todo mimimi “olha, eu estou me jogando para cima de outro, mas não estou traindo meu namorado” da Rose. Haja paciência.

E, bem, Adrian faz tudo por ela. Tudo. Qualquer coisa que ela pede, ele faz e sempre tenta ajudar. O que ele ganha em retorno? Hm, talvez a namorada dele sendo obcecada por outro enquanto afirma a cada página que não está obcecada por esse dito outro. Haja paciência de novo.

Como devem ter percebido, também odiei o romance. Vou logo dizendo que Richelle Mead quis MUITO que seus leitores acreditassem que Dimitri e Rose possuem motivos para estarem apaixonados. A Rose mesmo não perde uma oportunidade para esfregar na cara do leitor que ama o Dimitri porque, segundo ela, “ele me entende”. Os motivos de ele entendê-la tanto? Simples: ele sabe o que é querer proteger as pessoas à sua volta e também odeia ficar parado enquanto as coisas acontecem.

Ah, esqueça que essas duas coisas descrevem quase todos os guardiões do livro. Esqueça que até mesmo Eddie poderia dizer que entende a Rose por causa desses dois aspectos. É muito mais fácil acreditar que algo tão banal assim faria duas pessoas se apaixonarem desse jeito tão arrebatador do que realmente perceber que esses são os motivos mais idiotas possíveis para se apaixonar por alguém. Mas tudo bem. Prossigamos.

(Ignoremos também que Rose precisa dizer toda vez que olha pra Dimitri o quanto ele é sexy).

Uma coisa que me irritou bastante foi o modo com que a autora fez a Rose dizer alguns segredos para Victor – seu inimigo desde o livro um – como se isso fosse a coisa mais normal do mundo. Compreendi na hora que ela queria fazer com que Victor e Robert se juntassem ao grupo de Rose, mas não conseguiu arranjar um jeito realmente convincente de fazer isso e teve de recorrer então a forçar a Rose a contar essas coisas para eles. Foi uma manobra bem mal feita; teve como bônus fazer a Rose parecer sem noção e burra, por que, por Deus, quem divulga segredos para seu arqui-inimigo do nada assim?

O resto do livro estava okay. Na verdade, esse “resto” poderia ter transformado o livro inteiro em algo que valesse a pena ser lido, mas infelizmente não foi o que aconteceu. O Último Sacrifício, para completar, terminou não terminando; perguntas não foram respondidas e o destino de vários personagens continuou um mistério. Adivinha por quê?

Bloodlines! O spin-off de Academia de Vampiros! Porque Deus nos livre de uma série que tenha um final certo e satisfaça um leitor ocasional, não é? Nah, terminou seis livros, cinco destes sendo o inferno na Terra? Toma aqui mais seis para descobrir o que acontece com os outros personagens! Ha!

Completamente justo, é claro.

Não, eu não sou contra spin-offs. Adoro-os, na verdade, mas só quando a série principal consegue ser o suficiente para se tornar completamente independente. A sensação que tive ao terminar esse último livro foi de que na verdade ele não era o último livro da saga coisíssima nenhuma. Richelle Mead, você me vendeu metade de uma série enquanto a propaganda dizia que eu estava comprando uma série completa. Supõe-se que o leitor casual – eu – tenha que ler agora o spin-off para saber o que acontece de verdade, mas adivinha? Não leio Bloodlines nem sendo paga. Nem mesmo pelo Adrian. Muito obrigada, mas não.

Enquanto dou uma estrela para O Último Sacrifício, gostaria de pedir algo para quem quer que tenha terminado esse livro também: qual diabos foi o último sacrifício mesmo, hein? Até agora não encontrei sacrifício nenhum nessa história. Só o do meu tempo mesmo. 1.0 estrela.


literatura estrangeira resenhas sobrenatural

Resenha: Laços do Espírito, Richelle Mead

13:38neo
Academia de Vampiros: O Beijo das Sombras | Aura Negra | Tocada Pelas Sombras | Promessa de Sangue | Laços do Espírito | O Último Sacríficio
Richelle Mead
Agir

Depois de uma longa e dolorosa viagem à Sibéria, terra natal de seu amado Dimitri, Rose Hathaway finalmente voltou à escola e reencontrou sua melhor amiga, Lissa. A formatura se aproxima, e elas mal podem esperar pela vida que vão ter além dos portões da São Vladimir. No entanto, o coração de Rose dói cada vez que se lembra do que passou na Rússia o fracasso em salvar Dimitri e do que ainda precisará enfrentar. Sua jornada inclui libertar o perigoso Victor Dashkov da prisão de segurança máxima e encontrar Robert Doru, o único que possui informações para resgatar Belikov das terríveis profundezas de sua condição de Strigoi. A vampira acredita existir apenas uma chance em um milhão, até porque Dimitri continua sua perseguição para matá-la. Sentenças de morte e declarações de amor se confundem, e ela precisa correr contra o mais implacável dos inimigos: o tempo. E, dessa vez, Rose prometeu a Lissa que a levaria junto. Será que a princesa Moroi terá forças quando souber o que a espera? Em “Laços do espírito”, Richelle Mead continua a saga que renovou a literatura de vampiros e apresenta uma história repleta de dilemas, intrigas políticas e emoções extremas que vai conquistar mais uma vez os leitores.
Esse foi o livro que acabou com qualquer chance de eu continuar gostando (o mínimo possível) de Academia de Vampiros. Há tantas coisas erradas com ele que eu mal sei por onde começar, para vocês terem uma ideia. Laços do Espírito me fez revirar os olhos em praticamente toda página, e os culpados, infelizmente, não foram apenas os personagens.

A escrita dessa série veio piorando com cada livro, mas em Laços do Espírito eu comecei a me perguntar o que diabos tinha acontecido com a autora. Não me lembro de as coisas serem tão ruins assim no primeiro volume; quero dizer, é um YA e YAs geralmente possuem escritas mega simples, mas isso nunca me incomodou muito porque sei que é regra do gênero, então quando abro um livro como esse procuro me focar apenas na história e ignorar a escrita simples (que, como vocês provavelmente já sabem, não é minha preferida). Em Laços do Espírito, porém, a escrita não é simples; é ruim. Muito ruim.

Por que é ruim? Porque a quantidade de tell é estupidamente gigante e a de show surpreendentemente pequena. Rose passa o livro todo relatando pra gente o que está acontecendo e como ela está se sentindo, mas raras – quase inexistentes – são as vezes em que realmente nos é mostrado o que ela está sentindo. Como se conectar a um livro assim? Não rola, e olha que eu tentei pelo bem da minha sanidade.

E, é claro, os personagens foram de mal a pior. Rose mesmo perdeu todo o respeito que eu tinha por ela e Dimitri se tornou ainda mais chato. O romance então… Tão melodramático que parecia roteiro de novela mexicana. O motivo que a autora encontrou para mantê-los separados dessa vez foi muito ridículo. Tive vontade de socar Dimitri por manter a Rose longe por um motivo tão estúpido e de chutar a Rose por insistir nele tanto e de um jeito tão pedinte.

E obviamente a Rose continua cometendo erros sem ser punida por isso. Em um momento do livro ela causa a morte de mais de dez pessoas e só pensa nisso por tipo, dois parágrafos. Tipo, você causou a morte de mais de dez pessoas, querida!!!!Acorda!!!

Tal episódio não é mencionado depois.

Ah, e perdoe-me, ela é punida sim. Pelo Eddie. Que fica sem falar com ela durante algumas páginas.

Incrível.

Movendo para a estrutura do livro, o ponto mais “ohh” da história acontece um pouco depois da metade e praticamente nenhuma expectativa é criada para esse acontecimento. Quando vi que tudo tinha se resolvido fiquei tipo, “mas já?”, porque, sinceramente, pelo fim do livro quatro eu estava esperando algo tão mais… Grave, acho? Sabe, algo que fosse realmente ser difícil e empolgante, mas essa metade do livro passou tão rápido e apesar de acontecer muita coisa, nada pareceu ser difícil ou sei lá, não houve tensão nenhuma, nada que me fez ficar “e agora?”

O resto do livro foi enrolação e melodrama até o dito cujo terminar com um cliffhanger que seria perfeito se a obra tivesse sido boa. Não foi, então minha empolgação para começar o livro seis depois de terminar esse estava no inferno de tão baixa. Uma estrela para Laços do Espírito, e uma apenas porque não tem como dar nenhuma.

Formulário de contato