3.0 estrelas fantasia featured

Resenha: The Copper Promise, Jen Williams

10:44neo

Série The Copper Promise: The Copper Promise | The Iron Ghost | The Silver Tide

Jen Williams
Headline Books
★★★

Há alguns rumores sobre as cavernas sob a Cidadela…
Alguns dizem que magos deixaram seus mais perigosos segredos lá; outros, que lá grandes riquezas estão escondidas; ou até mesmo que deuses foram aprisionados em suas profundezas escuras.
Para Lord Frith, as cavernas têm a chave pra a sua vingança. Contra todas as probabilidades, ele sobreviveu tortura e viveu para ver sua casa e sua família tiradas dele… e agora alguém irá pagar por isso. Para Wydrin de Crosshaven e seu companheiro fiel, Sir Sebastian Caverson, uma missão na Cidadela é apenas mais um trabalho. Há promessa de ouro e aventura. Quem sabe até mesmo um história decente quando eles terminarem.
Mas às vezes há verdade em rumores.
Logo esse trio imprudente será a última linha de defesa contra um terror faminto que quer destruir o mundo. E eles não estão nem sendo pagos.
The Copper Promise era outro livro que eu estava louca pra ler. Ao contrário de The Cloud Roads, no entanto, esse me decepcionou um tanto. Uma das coisas que me atraiu em The Copper Promise era a ideia de era um livro de fantasia mais leve e descontraída, uma alta-fantasia no estilo tradicional com um ar novo, atualizado. E enquanto isso tudo a verdade, The Copper Promise é também um tanto, hm, raso.

3.0 estrelas fantasia featured

Resenha: Truthwitch, Susan Dennard

10:53neo
Série The Witchlands: Truthwitch | Windwitch | ?
Susan Dennard
Tor Teen
★★★

In the Witchlands, there are almost as many types of magic as there are ways to get in trouble—as two desperate young women know all too well.
Safiya is a Truthwitch, able to discern truth from lie. It’s a powerful magic that many would kill to have on their side, especially amongst the nobility to which Safi was born. So Safi must keep her gift hidden, lest she be used as a pawn in the struggle between empires.
Iseult, a Threadwitch, can see the invisible ties that bind and entangle the lives around her—but she cannot see the bonds that touch her own heart. Her unlikely friendship with Safi has taken her from life as an outcast into one of reckless adventure, where she is a cool, wary balance to Safi’s hotheaded impulsiveness.
Safi and Iseult just want to be free to live their own lives, but war is coming to the Witchlands. With the help of the cunning Prince Merik (a Windwitch and ship’s captain) and the hindrance of a Bloodwitch bent on revenge, the friends must fight emperors, princes, and mercenaries alike, who will stop at nothing to get their hands on a Truthwitch. 
Como vocês já devem saber, Truthwitch era um dos meus livros mais antecipados de 2016 por basicamente dois motivos: amizade entre garotas e magia/bruxaria, que são coisas que eu adoro em história. Infelizmente, porém, ele decepcionou sim.

3.0 estrelas fantasia literatura estrangeira

Resenha: Ice Like Fire, Sara Raasch

11:16neo
Série Snow Like Ashes: Snow Like Ashes | Ice Like Fire | Frost Like Night
Sara Raasch
Balzer + Bray
★★★

Faz três meses que os Winterians foram libertados e o rei de Spring, Angra, desapareceu - graças à ajuda de Cordell.
Meira quer apenas que seu povo fique seguro. Quando a dívida devida à Cordellan faz com que os Winterians comecem a cavar suas minas para o pagamento, eles encontram algo poderoso e possivelmente perigoso: a fonte de magia de Primoria. Theron vê isso como uma oportunidade - com esse tanto de magia, o mundo poderia finalmente enfrentar ameças como Angra. Mas Meira teme o perigo que a fonte pode se tornar - a última vez que o mundo teve tanta magia, ela originou a Decadência. Então quando o rei de Cordell ordena os dois em uma missão através dos reinos de Primoria para desvendar os segredos da fonte, Meira planeja usar a viagem para conseguir o suporte para mantê-la fechada e Winter, à salvo - mesmo que isso signifique ir contra Theron. Mas poderia ela fazer isso sem colocar as pessoas que ela ama em perigo?
Mather quer apenas ser livre. Os horrores enfrentados pelos Winterians ainda estão frescos em Januari, deixando Winter vulnerável para a opressão crescente de Cordell. Quando Meira parte em busca de aliados, ele decide tomar a segurança de Winter em suas próprias mãos. Conseguiria ela reconstruir seu reino alquebrado e protegê-lo de novas ameaças?
Enquanto uma teia de poder e engano se torna mais apertada, Theron luta por magia, Mather luta por liberdade - e Meira começa a se perguntar se ela não deveria lutar não apenas por Winter, mas por todo o mundo.

Depois de ler Snow Like Ashes e gostar da história apesar do plot twist mais previsível da história, eu estava bastante ansiosa para ler Ice Like Fire. Infelizmente, esse é um livro que sofre da síndrome do segundo volume - ou seja, é um livro bem mais transitório e por isso não possui um plot tão forte quanto o anterior.

3.5 estrelas fantasia literatura estrangeira

Resenha: The Goblin Emperor, Kathrine Addison

12:01neo
The Goblin Emperor
Katherine Addison
Tor Books
★★★½

O filho mais novo e meio-goblin do Imperador viveu toda sua vida em exílio, distante da Corte Imperial e da intriga mortal que a permeia. Mas quando seu pai e seus três filhos na linha para o trono são mortos em um "acidente", ele não tem escolha e toma seu lugar como único herdeiro sobrevivente.
Completamente ignorante na arte da política na corte, ele não amigos ou conselheiros, e sabe bem que quem quer que tenha assassinado seu pai e irmãos pode fazer um atentado a sua vida a qualquer momento.
Cercado de bajuladores ansiosos para conseguir o favor do novo imperador e oprimido pelos deveres da nova vida, ele não pode confiar em ninguém. Em meio ao turbilhão de tentativas de depô-lo, ofertas de casamento e o espectro de conspiradores desconhecidos que se escondem nas sombras, ele deve se ajustar rapidamente à vida como o Imperador Goblin.

Sei que já disse isso vezes demais nas últimas resenhas, mas eu estava esperando bastante de The Goblin Emperor, que é sim um bom livro, mas que me deixou um tanto decepcionada também.

4.5 estrelas fantasia literatura estrangeira

Resenha: The Cloud Roads, Martha Wells

13:14neo
Série The Books of the Raksura: The Cloud Roads | The Serpent Sea | The Siren Depths
Martha Wells
Night Shade Books
★★★★ ½

Moon passou toda sua vida escondendo o que ele é - um metamorfo capaz de se transformar em uma criatura com asas capaz de voar. Um órfão com memórias vagas de sua raça, Moon tenta se encaixar entre as tribos de seu vale com resultados variados. Ao ser expulso de sua tribo adotiva mais uma vez, ele descobre um metamorfo como ele... alguém que parece saber exatamente o que ele é, que promete que Moon será bem vindo em sua comunidade. O que esse estanho não diz a Moon é que sua presença irá desequilibrar a balança de poder... que sua linhagem extraordinária é crucial para a sobrevivência da colônia.. e pior, que seu povo enfrenta o risco de extinção graças aos Fell.
Agora Moon terá que superar uma vida como fugitivo para salvar a si mesmo... e sua recém-descoberta família.

Já tinha um bom tempo que eu vinha querendo ler esse livro, mas infelizmente os correios aqui no Brasil são uma piada e apesar de tê-lo encomendando no início de setembro eu só fui recebê-lo no final de novembro. Isso acabou fazendo com que eu criasse uma expectativa enorme, mas felizmente The Cloud Roads não decepcionou. 


4.0 estrelas fantasia literatura estrangeira

Resenha: City of Stairs, Robert Jackson Bennett

18:11neo
Série The Divine Cities: City of Stairs | City of Blades | ?
Robert Jackson Bennett
Broadway Books
★★★★

Anos atrás, a cidade de Bulikov exercia os poderes dos Deuses para conquistar o mundo. Mas após seus protetores divinos serem misteriosamente assassinados, o conquistador se tornou o conquistado; a história orgulhosa da cidade foi apagada e censurada, o progresso a deixou para trás e agora ela é apenas outro posto colonial do novo poder geopolítico do mundo. Nessa sufocante e retrógada cidade entre Shara Divani. Oficialmente, a quieta mulher é apenas uma diplomata de rank baixo enviada pelos opressores de Bulikov. Extra-oficialmente, Shara é um dos espiões mais bem-sucedidos de seu país - despacahda para investigar o assassinato brutal de um historiador aparentemente inofensivo. Enquanto Shara persegue o mistério pela geografia política e física em constante mudança da cidade, ela começa a suspeitar que os seres que antes protegeram Bulikov podem não estar tão mortos quanto parecem - e que suas próprias habilidades podem ser tocadas pelo divino também.

Eu adoro história.

Sempre foi minha matéria preferida no colégio e provavelmente sempre vai ser. A Idade Antiga e a Idade Média eram meus assuntos favoritos, assim como a Renascença, mas existem certos períodos que eu literalmente detesto. Ou, para ser mais exata, todos os séculos que vão desde o fim do Renascimento até os dias atuais. 

4.5 estrelas fantasia literatura estrangeira

Resenha: The Way of Kings, Brandon Sanderson

13:52neo
Série The Stormlight Archive: The Way of Kings | Words of Radiance | ?
Brandon Sanderson
Tor Books
★★★★½

Roshar é um mundo de pedra e tempestade. Sinistras tempestades de incrível poder varrem através do terreno rochoso com tanta frequência que elas moldaram tanto a ecologia quanto a civilização. Animais se escondem em conchas, árvores recolhem seus galhos e grama se retrai no solo. Cidades são construídas apenas quando a topografia oferece abrigo.
Faz séculos desde que a queda das dez consagradas ordens conhecidas como os Knights Radiant, mas suas Shardblades e Shardplate permanecem; místicas espadas e armaduras que transformam pessoas comuns em guerreiros quase invencíveis. Homens trocam reinos por Shardblades. Guerras foram travadas por elas, e ganhadas por elas.
Uma dessas guerras assola uma paisagem em ruínas chamada de Shattered Plains. Lá, Kaladin, que trocou seu aprendizado médico por uma lança para proteger seu irmão mais novo, foi reduzido à escravidão. Em uma guerra que não faz sentido, onde dez exércitos lutam separadamente contra um único inimigo, ele luta para salvar seus homens e sondar os líderes que os consideram dispensáveis.
Brightlord Dalinar Kholin comanda um desses outros exércitos. Como seu irmão, o falecido rei, ele é fascinado por um antigo texto chamado The Way of Kings. Atormentado por visões de tempos antigos e pelos Knights Radiant, ele começou a duvidar de sua própria sanidade.
Do outro lado do oceano, uma mulher jovem e inexperiente chamada Shallan visa treinar com uma eminente estudiosa e notória herege, a sobrinha de Dalinar, Jasnah. Embora ela realmente ame aprender, os motivos de Shallan não são tão puros. Enquanto ela planeja um roubo ousado, sua pesquisa para Jasnah insinua segredos dos Knights Radiants e a verdadeira causa da guerra.
O resultado de mais de dez anos de planejamento, escrita e worldbuilding, The Way of Kings é a abertura da série The Stormlight Archive, uma ousada obra-prima ainda em construção.

Depois de passar quase oito meses enrolando, finalmente tomei coragem para ler The Way of Kings, o primeiro monstro (1007 páginas, né) da série de dez livros de Brandon Sanderson. E enrolei graças às experiências pouco satisfatórias que tive com as outras obras do autor; depois de ter morrido de tédio durante Mistborn e ter terminando Elantris sem achar a história grande coisa, foi com as expectativas bem baixas que me propus a ler The Way of Kings.

2.5 estrelas fantasia fantasia urbana

Resenha: The Girl at Midnight, Melissa Grey

13:01neo
Série The Girl at Midnight: The Girl at Midnight | The Shadow Hour | Untitled
Melissa Grey
Delacorte Press
★★½
Embaixo das ruas da cidade de Nova York vive os Avicen, uma antiga raça de pessoas com penas ao invés de cabelo e magia a correr por suas veias. Velhos encantamentos os mantém escondidos dos humanos. De todos menos um. Echo é uma batedora de carteiras fugitiva que sobrevive vendendo tesouros roubados no mercado negro, e os Avicen são a única família que ela já conheceu.
Echo é inteligente e ousada, e às vezes ela pode ser imprudente, mas acima de tudo ela é ferozmente leal. Assim, quando uma guerrar secular se aproxima de sua cabsa ela decie que é hora de agir.
Diz a lenda que há uma maneira de acabar com o conflito de uma vez por todas: encontrar o Firebird, uma entidade mítica em que se acredita possuir um poder como o mundo jamais viu. Não será uma tarefa fácil, mas se a vida de um ladrão ensinou Echo alguma coisa é como encontrar o que ela quiser... E como tomar isso.
Mas alguns trabalhos não são tão simples como parecem. E esse pode simplesmente deixar o mundo em chamas.

The Girl at Midnight era um livro que eu estava antecipando muito. Quero dizer, o plot é sobre uma garota no meio de uma guerra entre duas raças que vivem escondidas dos humanos, uma que tem penas na cabeça ao invés de cabelos (e algumas mais nos braços) e outra que tem escamas espalhadas pelo corpo (os Avicen e os Drakharin, respectivamente). Eu adorei a ideia da primeira raça; faz tempo que não via algo tão original assim, já que (pelo que eu vejo) as criaturas sobrenaturais hoje em dia sempre são mais do mesmo. 

3.5 estrelas fantasia livros não publicados no brasil

Resenha:The Dragon's Path, Daniel Abraham

17:19neo
Série The Dagger and the Coin: The Dragon's Path | The King's Blood | The Tyrant's Law | The Widow's House | The Spider's War
Daniel Abraham
Orbit
★★★½

Todos os caminhos levam para a guerra...Os dias de herói de Marcus foram deixados para trás. Ele sabe muito bem que mesmo a menor guerra ainda significa a morte de alguém. Quando seus homens são movidos para um exército condenado, ficar fora de uma batalha da qual ele não quer fazer parte requer alguns métodos não ortodoxos. Cithrin é uma órfã, guardiã de uma casa bancária. Seu trabalho é contrabandear a riqueza de uma nação através de uma zona de guerra, escondendo o ouro de ambos os lados. Ela sabe que a vida secreta do comércio como uma segunda língua, mas essas estratégias não a defenderão de espadas.Geder, único herdeiro de uma casa nobre, tem mais interesse na filosofia do que na esgrima. Uma pobre desculpa por soldado, ele é um peão nesse jogos. Ninguém pode prever o que ele irá se tornar.A queda de seixos pode iniciar um deslizamento. A disputa entre as Cidades Livres e o Severed Throne está cada vez mais fora de controle. Um novo jogador sobre das profundezas da história, atiçando as chamas que irão varrer toda a região no Caminho do Dragão - o caminho para a guerra.

Então, eu estava achando esse livro bastante lento, mas acho que me enganei. Veja só, ontem estava lá, me preparando para ler meus 5% ou 10% diários da história, sem acreditar que ainda estava em 45% do livro no Kindle depois de uma semana quando... O livro acabou. Sem saber, eu estava lendo a versão que vem com outro livro como "extra", então aquele tempo todo Dragon's Path estava se movendo em um ritmo normal, mas graças ao % do Kindle eu ficava com a impressão de que ainda tinha metade da história pela frente. E ao invés de estar lendo um livro de 579 páginas, eu estava lendo um (well, dois) de mais ou menos mil. 

The more you know.

4 estrelas fantasia livros não publicados no brasil

Resenha: Heir of Fire, Sarah J. Maas

20:28neo
Série Trono de Vidro: A Lâmina da Assassina | Trono de Vidro | Coroa da Meia-Noite | Heir of Fire | Queen of Shadows | Untitled | Untitled
Sarah J. Maas
Galera Record
★★★★

Celaena Sardothien sobreviveu a uma competição mortal e a uma dor estilhaçante - mas a um custo indescrítivel. Agora ela deve viajar para uma nova terra para confrontar sua mais escura verdade... uma verdade sobre si mesma que poderá mudar sua vida - seu futuro - para sempre.
Enquanto isso, forças brutais e monstruosas estão se reunindo no horizonte com a intenção de escravizar seu mundo. Para derrotá-los, Celaena deve encontrar a força para lutar não só contra seus demônios interiores, mas também contra o mal que está prestes a ser desencadeado.
A assassina do rei assume um destino ainda maior e queima mais brilhante do que nunca nesse seguimento ao best seller do The New York Times Coroa da Meia-Noite.

(Spoilers para os volumes anteriores!)

Heir of Fire é o livro que Coroa da Meia-Noite não conseguiu ser. Ele é ótimo, quase excelente. Nele, Celeaena deixa Adarlan para trás, o que significa que ela deixa os dois Mr. Sunshine para trás, aka, Chaol e Dorian.

Ou seja, o livro não tem romance.


3 estrelas fantasia literatura estrangeira

Resenha: The Emperor's Blades, Brian Staveley

14:49neo
Chronicle of the Unhewn Throne: The Emperor's Blades | The Providence of Fire | The Last Mortal Bond
Brian Staveley
Tor
★★★

O Imperador foi assassinado, deixando o Império Annuriano em caos. Agora seus descendentes devem enterrar seu luto e se preparar para desmascarar uma conspiração.
Seu filho Valyn, treinando para a força mais mortal do império, ouve as notícias a um oceano de distância. Ele esperava um desafio, mas após vários "acidentes" e o aviso de um soldado moribundo, ele percebe que sua vida também está em perigo. Antes de que Valyn possa entrar em ação, porém, ele tem que sobreviver à brutal iniciação dos Kettral.
Enquanto isso, a filha do Imperador, a ministra Adare, caça o assassino de seu pai na própria capital. A política da corte pode ser fatal, mas ela precisa de justiça. E Kaden, herdeiro de um império, estudo em um monastério remoto. Aqui, os dicípulos do Blank God lecionam seus difíceis ensinamentos - ensinamentos que Kaden precisa aprender para liberar seus poderes antigos. Quando uma delegação imperial chega, ele já aprendeu o suficiente para perceber sua intenção maligna. Mas tal conhecimento irá mantê-lo vivo enquanto poderes há muito escondidos despertam?

The Emperor's Blades é um livro muito estranho e o porquê é simples: nada de importância acontece nos primeiros 3/4 da história.

Certo, minto. Coisas acontecem, mas elas não parecem importantes. O começo foi ótimo, sim (principalmente o prólogo); afinal, o imperador foi assassinado em um encontro secreto com o sacerdote de uma das deusas mais populares do império, e tudo indica que há um plano para assassinar seus três filhos também, extinguindo assim a família real. E, o que é ainda mais interessante, há alguns indícios de que uma raça imortal que guerreou contra os humanos milênios atrás possa estar voltando. Com isso tudo, como o livro poderia dar errado?

3.0 estrelas fantasia livros não publicados no brasil

Resenha: An Ember in the Ashes, Sabaa Tahir

14:53neo
An Ember in the Ashes | ?
Sabaa Tahir
Razorbill/Verus Editora
★★★
Laia é uma escrava. Elias é um soldado. Nenhum dos dois é livre.
Sob o Império Marcial, desafio é respondido com morte. Aqueles que não juram seu sangue e corpo ao Imperador arriscam a execução de seus entes queridos e a destruição de tudo com que se importam.
É nesse mundo brutal, inspirado pela antiga Roma, que Laia vive com seus avós e irmão mais velho. A família sobrevive nas ruelas pobres do Império. Eles não desafiam o Império. Eles já viram o que acontece com aqueles que o fazem.
Mas quando o irmão de Laia é preso por traição, ela é forçada a tomar uma decisão. Em troca de ajuda dos rebeldes que prometem resgatar seu irmão, Laia arriscará sua vida como espiã para eles de dentro da maior academia militar do Império.
Lá, Laia conhece Elias, o melhor soldado da escola - e, secretamente, o mais relutante. Elias quer apenas ser livre da tirania que ele foi treinado para defender. Ele e Laia logo realizarão que seus destinos estão interligados - e que suas escolhas mudarão o destino do próprio Império.

Meu problema com esse livro foi simples: eu estava esperando demais, principalmente por causa de toda a história de ele ser inspirado no Império Romano.

3.0 estrelas fantasia literatura estrangeira

Resenha: The Stolen Throne, David Gaider

17:07neo
Dragon Age: The Stolen Throne | The Calling | Asunder | The Masked Empire | Last Flight | ?
David Gaider
Tor
★★★
Após sua mãe, a amada Rainha Rebelde, ser traída e assassinada por seus próprios lordes sem fé, o jovem Maric se torna o líder de um exército rebelde que tenta salvar sua nação do controle de um tirano estrangeiro.
Seus conterrâneos vivem com medo; seus comandantes o consideram inexperiente; e seus únicos aliados são Loghain, um impertinente jovem fora da lei que salvou sua vida, e Rowan, a linda guerreira que foi prometida a ele desde seu nascimento. Cercado de espiões e traidores, Maric deve encontrar um jeito não apenas de sobreviver, mas de alcançar seu destino: a liberdade de Ferelden e o retorno de sua linhagem ao trono roubado.

Aos que não sabem, eu adoro Dragon Age. Tipo, muito. Então quando eu soube que havia livros que se passavam no mundo dos jogos consegui ignorar o receio que tenho com obras desse tipo (o livro de Assassin’s Creed meio que me traumatizou) e tentar o primeiro volume, The Stolen Throne. Não posso dizer que me arrependi de ter tentado, mas bem, minha cisma com livros baseados em jogos continua (infelizmente) firme e forte.

3.5 estrelas fantasia livros não publicados no brasil

Resenha: Gardens of the Moon, Steven Erikson

15:15neo
The Malazan Book of the Fallen: Gardens of the Moon | Deadhouse Gates | Memories of Ice | House of Chains | Midnight Tides | The Bonehunters | Reaper's Gale | Toll the Hounds | Dust of Dreams | The Crippled Gold 
Steven Erikson
Tor
★★★½

O Império Malazano ferve com o descontentamento, ressecado pela guerra interminável, amargas brigas internas e confrontos sangrentos. Mesmo as legiões imperiais, acostumadas com o derramamento de sangue, anseiam por um pouco de descanso. No entanto, o governo da Imperatriz Laseen permanece absoluto, imposto pelo medo por seus assassinos da Garra. Para o sargento Whiskeyjack e seu esquadrão de Bridgeburners, e para Tattersail, mago sobrevivente da Segunda Legião, as consequências do cerco à Pale deveria ter sido um tempo para lamentar os muitos mortos. Mas Darujhistan, última das Cidades Livres de Genabackis, ainda resiste. É a esta antiga cidadela que Laseen lança seu olhar predatório. No entanto, parece que o Império não está sozinho neste grande jogo. Sinistras forças sombrias estão se reunindo enquanto os próprios deuses se preparam para jogar a sua mão.

Eu já tinha ouvido falar do quão complicado Gardens of the Moon (ou a série The Malazan Book of the Fallen como um todo) era muito antes de sequer considerar lê-lo, então o comecei sabendo que ficaria perdida por um tempo. Já li vários livros de fantasia em que se vai conhecendo o mundo e história aos poucos, e geralmente esses são os meus favoritos, então Gardens of the Moon não seria diferente, certo?

Errado.

4 estrelas fantasia fantasia grimdark

Resenha: The Steel Remains, Richard Morgan

15:35neo
A Land Fit for Heroes: The Steel Remains | The Cold Commands | The Dark Defiles
Richard Morgan
Gollancz
★★★★

Um lorde das trevas vai se erguer. Essa é a profecia que segue Ringil Eskiath - ou Gil - um mercenário experiente e um herói de guerra de uma única vez cujo cinismo é superado apenas pela velocidade da sua espada. Gil é distante de sua família aristocrática, mas quando sua mãe pede sua ajuda para libertar uma prima vendida como escrava, Gil sai para localizá-la. Mas logo se torna evidente de que há mais em jogo do que o destino de uma jovem mulher. Feitiçarias sombrias estão despertando na terra. Alguns falam em sussurros do retorno dos Aldrain, uma raça amplamente temida, demônios cruéis, mas bonitos. Agora Gil e dois velhos companheiros são tudo que se interpõem no caminho de uma profecia cuja realização afogará o mundo inteiro em sangue. Mas com heróis como estes, a cura pode se mostrar pior do que a doença.

Acho que vocês já sabem que eu estava no mínimo curiosa sobre esse livro quando o coloquei na minha lista de leitura alguns meses atrás. Uma coisa que geralmente me incomoda muito nas obras de fantasia grimdark que leio é o fato do personagem principal nunca sofrer realmente com a violência usada como acessório para dar algum pseudo-realismo aos mundos onde essas histórias se passam. Mulheres são estupradas, claro, e há racismo e homofobia, mas o protagonista nunca é alvo de nada disso (sendo o homem branco e hétero de sempre) e mesmo assim é meio esperado do leitor que ele se senta mal pelo protagonista ou pelo menos que concorde quando ele, em um ataque de cinismo, fala sobre como o mundo é uma merda mesmo sem ter sentido muito do que faz o mundo ser uma merda de verdade. Enfim, grimdark sempre me pareceu o gênero onde homens brancos e héteros podem choramingar sobre como a vida é ruim usando o sofrimento dos outros para justificar essa "vida ruim", e isso meio que não me interessa porque zZzZzzzZZzz

3.5 estrelas fantasia livros não publicados no brasil

Resenha: Spirit Thief, Rachel Aaron

18:45neo
The Legend of Eli Monpress: The Spirit Thief | The Spirit Rebellion | The Spirit Eater | The Spirit War | Spirit's End
Rachel Aaron
Orbit
★★★½
Eli Monpress é talentoso. Ele é charmoso. E é um ladrão.
Mas não qualquer ladrão. Ele é o maior ladrão da atualidade - e ele também é um mago. E com a ajuda de seus parceiros - um espadachim com a mais poderosa espada mágica do mundo, mas nenhuma habilidade mágica de sua autoria, e uma DemonSeed que pode percorrer sombras e derrubar paredes - ele vai colocar seu plano em prática.
O primeiro passo é aumentar o tamanho da recompensa em sua cabeça, então ele vai precisar roubar algumas coisas grandes. Mas ele vai começar pequeno por agora. Ele vai roubar alguma coisa que ninguém vai sentir falta - pelo menos por um tempo.
Como um rei.


Acabei sabendo da existência de The Spirit Thief graças a um livro sobre escrita da autora, e como achei esse outro livro muito útil decidi dar então uma chance às obras de ficção dela. Obviamente fui com muitas expectativas e no começo The Spirit Thief não decepcionou; a narrativa era divertida, os personagens carismáticos e a história interessante. O sistema de magia mesmo me conquistou. No mundo de The Spirit Thief, tudo - até mesmo objetos - possui um espírito, e é usando esses espíritos que os magos fazem sua magia. Ou seja, você vai encontrar facilmente uma pessoa falando com uma porta (a cena inicial do livro é justamente assim) ou uma árvore ou, sei lá, a grama, e na maior parte das vezes essas cenas são bem engraçadas.

4.5 estrelas fantasia fantasia lgbtq

Resenha: The Mirror Empire, Kameron Hurley

22:33neo
The Worldbreaker Saga: The Mirror Empire | Empire Ascendant | +?
Kameron Hurley
Angry Robot
★★★★½
Nas vésperas de um evento catastrófico recorrente conhecido por extinguir nações e remodelar continentes, uma órfã problemático escapa da morte e da escravidão para descobrir seu próprio passado sangrento... Enquanto um mundo vai para a guerra contra si mesmo.
No reino congelado de Saiduan, invasores de outro reino estão dizimando cidades inteiras, deixando para trás nada além de cinzas e ruínas.
À medida que a estrela negra do cataclismo surge, um governante ilegítimo tem a tarefa de manter unido um país fraturado pela guerra civil, um jovem lutador precoce é convidado a trair sua família e uma general meio-Dhai tem que decidir entre a erradicação do povo de seu pai e a lealdade para com sua Imperatriz alienígena.
Através de alianças tensas e traições devastadoras, os Dhai e seus aliados tentam se manter contra uma força aparentemente imparável enquanto nações inimigas se preparam para um encontro de mundos tão antigo quanto o próprio universo.
O final, um mundo se erguerá - e muitos perecerão.

Antes de dizer o que achei de The Mirror Empire, devo informar que tenho a mania de seguir autores de livros que não li ainda no Twitter, e que geralmente vou movendo suas obras pra cima (ou pra baixo) na minha lista de leitura a depender da impressão que eles me causam. Apressei-me para ler The Mirror Empire justamente porque a Hurley conseguiu colocá-lo lá em cima na lista e o principal motivo foi simples: o fato de que ela sabia sobre e parecia disposta a desafiar o que hoje considero o maior defeito da fantasia atual, que, é claro, é a insistência do gênero em apagar mulheres, pessoas de cor e pessoas LGBTQ de suas histórias.

distopia livros não publicados no brasil resenhas

Resenha: The Summer Prince, Alaya Dawn Johnson

20:54neo
The Summer Prince
Alaya Dawn Johnson
Arthur A. Levine Books
★★★

Uma história de parar o coração de amor, morte, tecnologia e arte que se passa em meio aos trópicos de um Brasil futurista. 
A cidade exuberante de Palmares Três brilha com tecnologia e tradição, com rodinhas de fofocas e políticos experientes. No meio desta metrópole vibrante, June Costa cria a arte que certamente a fará lendária. Mas seus sonhos de fama se tornar algo mais quando ela conhece Enki, o novo Summer King. A cidade inteira se apaixona por ele (incluindo o melhor amigo de June, Gil). Mas June vê mais a Enki do que os olhos de âmbar e um samba letal. Ela vê um colega artista. 
Juntos, June e Enki apresentarão projetos explosivos e dramáticos que Palmares Três nunca vai esquecer. Eles irão adicionar combustível a uma revolta crescente contra os limites do governo sobre nova tecnologia. E June se apaixonará profundamente, e infelizmente, por Enki. Porque como todo Summer King antes dele, Enki está destinado a morrer.
Pulsando com a batida de um Brasil futurista, queimando com as paixões de seus personagens, e transbordando de idéias, este romance ardente vai deixar você ansioso por mais de Alaya Amanhecer Johnson.
Avaliar esse livro é meio difícil. 
Veja bem, quando o peguei para ler já tinha lido algumas resenhas sobre como a cultura brasileira era usada de forma “errada” pela autora, então eu meio que estava esperando odiar The Summer Prince com todas as minhas forças. Mas, surpreendentemente, eu não odiei.

Sim, a cultura brasileira é usada de forma errada. Bem, na verdade, não é nem errada, mas sim estranha. Eu não senti, em nenhum momento, que o livro se passava no Brasil, nem mesmo quando os personagens foram para Salvador, onde eu nasci/moro. Talvez parte disso se deva ao fato de que a história acontece uns 300 anos depois que o mundo - Brasil incluso - entrou em colapso, mas acredito que a verdadeira razão é que o livro foi escrito por uma pessoa que não é brasileira e que, talvez por isso, não conseguiu realmente entender nossa cultura. Alguns aspectos dela - dança, música, uma ou outra comida típica - foram jogados no meio da narrativa meio do nada, e a forma com que o samba foi mostrado me fez revirar os olhos. Alguns estereótipos ficaram bem visíveis; perdi a conta do número de vezes em que alguém dançou como se fosse morrer e/ou o número de vezes em que o dançar foi extremamente romantizado. Alguns nomes também me soaram estranhos (Oreste? Enki? Wanadi? Que?), mas talvez a história ser no futuro justifique isso.

A personagem principal, June (e o nome americano dela me fez torcer o nariz até a autora explicar o porquê dele, e mesmo assim acho que não custava nada ter colocado um nome brasileiro na guria), me irritou um pouco, principalmente no início. Ela não perde uma oportunidade para afirmar e reafirmar que é a melhor artista de Palmares Três e tudo o que ela faz é supostamente em nome da arte. Apesar de achar o desejo dela de ser famosa algo refrescante (não aguento mais protagonistas de YA que se escondem até da própria sombra), isso eventualmente deixou de ser interessante para se tornar um estorvo. Os pensamentos e falas dela me arrancavam um cala a boca, June pelo uma vez a cada três páginas. E nas primeiras 100 páginas, o plot também é meio inexistente. Eu não fazia ideia de para onde o livro estava indo, e mesmo depois ele é, de certa forma, “solto”. 

Por que três estrelas então? Bem, é porque o livro marca pontos onde muitas outras distopias juvenis perdem. Para começar, os temas que a autora propõe são “discutidos” com muito mais complexidade se comparado a outras distopias do tipo que eu já li (Jogos Vorazes, Divergente, Feios), como por exemplo privilégio (na cidade-pirâmide de Palmares Três quanto mais alto você mora, mais rico/bem visto você é + a exclusão dos homens do poder), o papel da arte nas revoluções, o desistir de uma vida fácil para lutar por algo que você acredita, conflitos entre gerações (em Palmares Três as pessoas chegam a viver por um século e tanto, sempre semi-jovens, e os mais novos, com menos de 30 anos, os wakas, têm suas opiniões sempre desconsideradas, enquanto os grandes basicamente mandam em tudo ignorando o resto todo) e até mesmo a questão de quanto de tecnologia é muito ou pouco. Além disso, a escrita é muito boa, e eu gostei de como o relacionamento de June com seus pais e também o com Bebel, que eu pensei que iria ser a típica garota rival de YA, foram tratados pela autora. 

Outra coisa no mínimo interessante é como “rótulos” para sexualidade não existem em The Summer Prince. Depois que o pai de June morre, por exemplo, a mãe dela se casa com outra mulher, e Gil, o melhor amigo dela (sim, um cara) é quem se envolve com Enki de início. Sexo também é visto de modo bem casual (e o poliamor reina em várias ocasiões), o que não me incomodaria nem um pouco se o brasileiro já não fosse visto como extremamente sexual. Aliás, essa liberdade sexual toda causou algumas cenas bizarras que me fizeram questionar o que se passou na cabeça da autora na hora de escrevê-las.

O próprio worldbuilding é legal, mas fica muito vago em vários aspectos. Até agora não entendi porque existem moon years e como diabos o sistema de eleição funciona a cada ano. E não há explicação quase nenhuma sobre o colapso do mundo como o conhecemos hoje, embora um pouco seja dito sobre a criação da cidade sim.

No geral, é um bom livro. Ia dar 2.5 estrelas para ele, mas a escrita me conquistou e o ritmo é ótimo também. Então, né, 3 estrelas para The Summer Prince
5 estrelas fantasia fantasia lgbtq

Resenha: Captive Prince, C.S. Pacat

17:58neo
The Captive Prince Trilogy: Captive Prince | Prince's Gambit | Captive Prince #03
C.S. Pacat
Penguin Books
★★★★★
Damen é um herói para seu povo e o verdadeiro herdeiro do trono de Akielos, mas quando seu meio-irmão toma o poder, Damen é capturado, despojado de sua identidade e enviado para servir o príncipe de uma nação inimiga como um escravo de prazer.Bonito, manipulador e mortal, seu novo mestre príncipe Laurent simboliza o pior da corte de Vere. Mas na teia política letal da corte veretiana nada é o que parece, e quando Damen se vê preso em um jogo pelo trono, ele deve trabalhar em conjunto com Laurent para sobreviver e salvar seu país.Para Damen, há apenas uma única regra: nunca, jamais, revelar sua verdadeira identidade. Porque o homem que Damen precisa para escapar é o único com mais motivos para odiá-lo do que qualquer outra pessoa…*

Eu estava tão pronta para odiar esse livro.

É sério. Encontrei-o no Goodreads na mesma ocasião em que achei Luck in the Shadows, quando estava procurando por livros de fantasia com diversidade (tanto de sexualidade quanto de raça), e a sinopse me fez ficar meio ew. Veja bem, como comentei na resenha de Luck in the Shadows, a literatura de fantasia LGBTQ é voltada principalmente para o romance, coisa que eu não aprecio muito por não gostar de livros só de romance, mas outro aspecto também contribui para esse “desgosto” meu: o fato de que a maior parte desses livros sempre acaba sendo de erótica.

Nope, eu não tenho nada contra quem lê ou escreve histórias assim, mas quando 90% dos livros de fantasia LGBTQ (mais os que falam de romance entre homens) é assim isso é sinal de que há um problema, e esse problema se chama fetish. Sabe a cena lésbica protagonizada por mulheres heterossexuais em O Festim dos Corvos, quarto livro de ASOIAF? Aquilo é um presente para os homens heterossexuais que leem esses livros. É fetish, e é banalizar e rotular esse tipo relacionamento apenas para satisfazer um grupo entre os leitores, porque, bem, alguns homens acham mulheres lésbicas sexy (mas apenas se forem bonitas, do contrário é feio e repugnante). E isso também acontece com algumas mulheres, que também acham homens gays sexy (novamente, apenas se forem bonitos). Como são os homens que mandam na mídia mainstream, a “fetishzação” (?) de relacionamentos lésbicos aparece na TV e nos livros de sucesso, e como mulheres geralmente não têm vez, a “fetishzação” de relacionamentos gays fica restrito a nichos literários minúsculos se comparados ao tamanho do mercado.

É o que acontece muito com a literatura de fantasia LGBTQ. Estou dizendo que todos são assim? Não. Alguns são eróticos porque são eróticos e acabou, do mesmo modo que romances heterossexuais o são, mas enquanto alguns têm uma qualidade ótima, muitos não se preocupam muito com construção de personagem ou de plot, e dão a impressão de que é o sexo apenas pelo sexo. O que, na minha opinião, não é problema (acredito que se tem público é válido, mas uma não “fetishzação” de relacionamentos LGBTQ seria uma maravilha, sabe); o problema é a total falta de histórias de fantasia LGBTQ que não são assim.

Tem gente que não gosta de livro com sexo ou que não se importa se este não for um elemento frequente, e que gostaria muito de ler histórias LGBTQ que se parecessem mais com as mainstream heterossexuais, que (normalmente) são mais sobre o desenvolvimento do relacionamento do casal ou que possuem um plot não voltado para o romance. (cof eu cof). Acredito inclusive que a literatura de fantasia LGBTQ acaba afastando o público mainstream por ser tão dominada por livros mais sexuais.

Então, sim, mais livros com mais desenvolvimento de personagem/plot para a literatura fantástica LGBTQ, por favor (sexuais ou não, mas de preferência não sexuais e tal).

(Tipo Luck in the Shadows, saca).

Enfim, voltando para Captive Prince, pensei que esse livro se encaixaria totalmente na categoria “‘fetishzação’ de relacionamentos homossexuais”, mas resolvei lhe dar uma chance porque o tanto de resenha dando 5 estrelas para essa história não está no gibi. Baixei os livros e comecei a ler o primeiro volume quando já era de tarde. O resultado? Já era umas 3 da matina quando terminei o livro 2 e lembrei que o mundo existia e que, hey, eu tinha que acordar em três horas para ir pra faculdade. Oops.

(Claro que não dei a mínima pra isso e fui atrás do livro 3 apenas para descobrir que ele ainda não foi lançado) (imaginem minha agonia).

Os personagens, o worldbuilding e a escrita foi o que me fizeram gostar tanto de Captive Prince, tanto que os dois volumes da série foram os únicos a receber 5 estrelas de mim esse ano além de Aprendiz de Assassino da Robin Hobb. 

O mundo de Captive Prince não é muito abrangente. A história se passa quase completamente em Vere, e só recebemos muitas informações mesmo da própria Vere e de Akielos, país de Damen (cujo nome de verdade é Damianos), onde os nomes das pessoas e lugares meio que soam gregos (coisa que não tinha visto antes em livros de fantasia, o que me surpreende porque é uma ideia tão óbvia???). Os dois países praticam a escravidão, mas de modos bem diferentes. Enquanto em Akielos os escravos são tratados com respeito e até mesmo afeto, em Vere eles são vistos como menos que animais. Aliás, Vere é o país mais “diferente” da história, e como o vemos através de Damen, as diferenças culturais entre as duas nações ficam bem evidentes. Homossexualidade não é visto como algo horrível em nenhuma delas, porém, e em Vere relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo são muitas vezes preferidos entre pessoas solteiras, já que os veretianos abominam a ideia de filhos bastardos, então relacionamentos entre homem/homem e mulher/mulher são extremamente aceitos e a sociedade os vê como algo normal.

(Um mundo de fantasia sem homofobia??@#$@!!!! Que milagre, hein?)

Há sexo (e estupro) nos livros também, graças à cultura de Vere. Sim, a maior parte desse tipo de violência é direcionada aos escravos (a coisa toda me deixou meio horrorizada e meio ew, mas o Damen também fica completamente horrorizado, então é aquela velha história de choque cultural). [SPOILER PEQUENO] Não há nenhum tipo de interação romântica/sexual entre os personagens principais no primeiro livro, e no segundo isso só acontece lá pro final, o que achei absolutamente fantástico, porque yay, desenvolvimento do relacionamento dos personagens!!!! [FIM DO SPOILER].

A escrita também é ótima. Não é do nível de descrição que eu gosto geralmente, mas é rápida e envolvente, e fez com que eu lesse os dois livros tão sem perceber que nem parecia que eu estava lendo em outra língua. 

Mas o que conquistou mesmo foram os personagens. Captive Prince é interessante porque não se encaixa em fantasia voltada para o plot ou em fantasia voltada para o romance, mas sim em fantasia voltada para os personagens. Todos, dos principais aos secundários, possuem objetivos e personalidades próprias, e isso torna difícil de decidir quem é confiável ou não; não lembro de um sequer que foi reduzido a uma trope ou estereótipo, aliás. 

Apesar de adorar o Damen (os comentários dele são sempre a+), Laurent é de longe, muito longe, o meu preferido. De início pensei que ele fosse ser o já manjado príncipe frio e blá blá blá, mas Laurent é bem mais profundo e bem desenvolvido, e todos os seus relacionamentos com outros personagens são muito interessantes (destaque para o com o Damen, lógico, mas também para o com seu irmão, Auguste, que morreu em uma guerra entre Akielos e Vere e que, hm, foi morto pelo Damen, e o com seu tio, o rei, que se tornou regente e que supostamente deveria governar até que Laurent se tornasse de maior idade, mas que agora meio que não quer devolver o trono). Como eu disse, Captive Prince é mais sobre os personagens, então as intrigas e jogos pela coroa de Vere derivam justamente da relação entre Laurent e seu tio (e por isso eu classificaria essa história como baixa-fantasia).

O relacionamento entre Laurent e Damen, aliás, é incrível e se desenvolve de uma forma totalmente verdadeira. Já cansei de ver essas histórias em que o casal (hetero, homo, não importa) se odeia no início e depois se apaixona, já que na maior parte delas essa transição é feita de modo completamente sem sentido. Em Captive Prince não. O romance é maravilhoso não pelas cenas em que há alguma interação romântica (praticamente inexistentes durante 90% dos dois livros juntos), mas sim porque podemos ver (e sentir) que a coisa toda é real. E uma boa parte disso se deve à caracterização dos personagens, que se mantém consistente durante toda a história. Falando nisso, acho que muitas pessoas não se dão conta de caracterização é a chave para tudo, e se tratando de romance é essencial. Uma caracterização pobre e mal-feita teria feito alguma coisa rolar entre Laurent e Damen no início do livro um, porque muitos escritores pensam que ao escrever romance tem que se colocar interações românticas/sexuais logo de cara, já que supostamente é isso que o leitor quer (é, mas não desse jeito). E se algo tivesse mesmo acontecido entre Laurent e Damen no início isso iria total e completamente contra suas personalidades, o que tornaria a coisa toda irreal, fraca e sem importância. Não faria sentido. Um leitor mais atento acabaria pensando, ei, isso não tem nada a ver com o modo com que o Laurent e o Damen agem e ele estaria certo.

Felizmente, a caracterização da Pacat é uma das melhores que eu já vi. No blog dela há alguns posts sobre como ela estruturou algumas cenas, os dvd commentaries, e nossa, como também sou (uh, quero ser) escritora me bateu até o desânimo ao perceber o quanto de caracterização ela considera antes de escrever uma linha de diálogo, porque eu não me importo tanto com isso, mesmo sabendo que é essencial. Então, né, uma no meio da minha cara pra ver se aprendo.

E para finalizar, os plot twists são ótimos e realmente inesperados. Eu não estava esperando nenhum deles em um livro desse gênero, porque geralmente não há muito cuidado com plot (ou personagem), mas né, eu estava enganada.  

Aliás, tudo nesses livros foi ótimo e eles próprios foram bem inesperados. Nunca mais julgo um livro pela sinopse (tá, julgo, mas pelo menos me comprometo a lhes dar uma chance). Captive Prince foi uma surpresa tão boa que mal posso esperar para comprar os livros de verdade, mas isso só ano que vem (Captive Prince era postado na internet, depois publicado de modo independente e agora foi escolhido por uma editora, que vai lançá-lo de novo, so yay, mal posso esperar para ter minhas edições uwuwuwuwuwu) (e mal posso esperar pelo livro 3, acelera aí por favorzinho, Pacat).

Indico Captive Prince para quem está procurando uma fantasia mais diversa, com personagens excelentes, worldbuilding interessante e escrita envolvente. 5.0 estrelas.

*tradução livre
fantasia literatura estrangeira livros não publicados no brasil

Resenha: The Young Elites, Marie Lu

15:04neo
The Young Elites Trilogy: The Young Elites | The Rose Society | Ainda sem título
Marie Lu
G.P. Putnam’s Sons Books
★★★
Estou cansada de ser usada, ferida e deixada de lado.
Adelina Amouteru é uma sobrevivente da febre de sangue. Dez anos atrás, essa doença mortal varreu sua nação. A maior parte dos infectados morreram, enquanto muitas das crianças que sobreviveram foram deixadas para trás com marcas estranhas. O cabelo negro de Adelina se tornou prateado, seus cílios ficaram pálidos e agora ela tem apenas uma cicatriz irregular onde seu olho esquerdo um dia esteve. Seu pai cruel acredita que ela é um malfetto, uma abominação, arruinando o bom nome de sua família e bloqueando o caminho de sua fortuna. Mas rumores dizem que alguns dos sobreviventes da febre possuem mais do que cicatrizes – muitos acreditam que eles detém dons poderosos e misteriosos, e apesar de suas identidades se manterem em segredo, eles começaram a ser chamados de Jovens Elites.
Teren Santoro trabalha para o rei. Como Líder da Inquisição Axis, é seu trabalho caçar os Jovens Elites, destruí-los antes que eles destruam a nação. Ele acredita que os Jovens Elites são perigosos e vingativos, mas é Teren quem pode possuir o segredo mais sombrio de todos.
Enzo Valenciano é um membro da Irmandade da Adaga. A seita secreta de Jovens Elites procura outros como eles próprios antes que a Inquisição Axis o faça. Mas quando os Adagas encontram Adelina, eles descobrem alguém com poderes como eles jamais viram.
Adelina quer acreditar que Enzo está do seu lado, e que Teren é o verdadeiro inimigo. Mas a vida desses três irá colidir de modo inexperado na medida que cada um luta uma batalha pessoal e diferente. Mas de uma coisa eles têm certeza: Adelina possui habilidades que não pertencem a esse mundo. Uma escuridão vingativa em seu coração. E um desejo de destruir todos que se atrevam a cruzar seu caminho.
É minha vez de usar. Minha vez de ferir.**
**tradução livre

Esse livro é meio difícil de avaliar.

Veja bem, o início é maravilhoso. Li o os dois primeiros capítulos (que estavam disponíveis antes do lançamento do livro) e os adorei tanto que mal podia esperar pela obra completa. Mas o caminho que a autora escolheu para essa história me incomodou bastante. É mais uma questão de gosto pessoal mesmo, mas eu odeio, odeio mesmo, quando o protagonista de um livro é forçado a se tornar espião para salvar alguém ou garantir algo para si mesmo, e é isso que acontece com Adelina já no início. Após ser salva da morte pela Dagger Society, ela é meio que forçada a passar informações sobre o grupo para a Inquisição, que mantém sua irmã prisioneira. Quando percebi que era isso mesmo que ia acontecer toda a vontade que eu tinha de ler esse livro sumiu. Fiquei chateada. De verdade.

Eu nem sei direito de onde o ódio que tenho por esse tipo de plotline veio, mas acho que Feios é um bom candidato a culpado. Como eu disse, é uma questão de gosto pessoal; não gostei deJogos Vorazes por um motivo parecido (com tanta coisa para se fazer com uma ideia ótima que nem Jogos Vorazes tinham que enfiar aquilo de romance falso? Enfim), e as três histórias (The Young Elites, Feios e Jogos Vorazes), na minha opinião, poderiam ter sido tão melhores se tivessem deixado de lado essas plotlines simplistas e sem graça. Mas né, agora já foi.

Outras coisas me incomodaram também. Primeiro, não consegui me conectar tanto quanto pensei que me conectaria com a Adelina. Acho que a culpa aqui é da narrativa em primeira pessoa. O que, novamente, pode ser gosto pessoal; nunca consegui me conectar bem com histórias contadas em primeira pessoa porque várias vezes não vejo motivos para levar o que quer que o personagem esteja dizendo (ou interpretando) a sério. Terceira pessoa tornaria esse livro tão melhor que eu me entristeço só de pensar na oportunidade perdida.

Segundo, o romance. Não, ele não foi de todo ruim. Tipo, comparado com esses YAs por aí (com a única exceção de Os Garotos Corvos), o de The Young Elites é muito, muito melhor. Mas poderia ter sido tão bem melhor explorado. Eu não vi nenhum motivo para a Adelina se apaixonar pelo Enzo (dessa vez não posso nem dizer que foi porque ele era bonito, já que tinha gente mais bonita por perto), então não fui nem um pouco convencida pelos dois. Simplesmente não funcionou comigo.

Mas tirando isso, eu adorei o livro.

Primeiro, adorei as relações entre os personagens. A de Adelina e sua irmã, Violetta, é a mais rica do livro e foi bem explorada pela autora (amém). Foi bem interessante ver a Adelina dividida entre ciúmes, ódio e amor por sua irmã mais nova, e a resolução final de Adelina sobre o assunto me satisfez bastante. Amei a amizade entre Enzo e Rafaelle e a entre Rafaelle e Adelina (porque garotas e garotos bonitos podem ser amigos yay), e o relacionamento entre os membros da Dagger Society também foi ótimo. Tirando Luck in the Shadows, não leio um livro com relacionamentos tão prazerosos de se ler desde Captive PrinceAprendiz de Assassino.

Também gostei dos personagens, mas muitos não foram tão bem desenvolvidos quanto os principais (Adelina, Enzo, Rafaelle e Teren são os que recebem mais destaque), tanto que de vez em quando eu até me esquecia quem da Dagger Society fazia o quê. Meu preferido, de longe, foi o Rafaelle, seguido pela própria Adelina (desculpa, Enzo, você não teve nem um tico de chance). Adelina é ótima também porque é bem diferente das protagonistas que vemos por aí; ela realmente sente prazer ao machucar/matar/causar medo, mesmo que se sinta culpada depois, e mata de verdade. Foi um alívio ver uma personagem que deveria ser perigosa realmente o sendo (sinta essa indireta, Celaena e Cassie).

Mas o que me conquistou mesmo foi o final. O final provou que Marie Lu não está escrevendo uma série sobre Adelina e Enzo, mas sim sobre Adelina apenas, e pelo livro ser um YA esse é o acontecimento do século para mim. Nem mesmo Os Garotos Corvos se destacou nesse sentido (afinal, a história lá é sobre a Blue matando o interesse romântico dela, então ainda é sobre os dois e tal). The Young Elites não foca no romance, e sim na própria Adelina (nela até mais do que no plot) e em seu desenvolvimento (ou regressão, em alguns sentidos). Eu amei o final. Me surpreendeu de verdade (tive até que ler a mesma página duas vezes para ver se não estava entendendo errado lol). Foi tão bom que dos 24 livros que li esse ano até agora, The Young Elites se tornou o segundo a me fazer ficar morrendo de vontade de ler o próximo. E é o primeiro a me fazer temer pelo meu personagem preferido, já que algo me diz que ele vai se ferrar bonito nos próximos volumes. Well.

Enfim, infelizmente, The Young Elites não vai entrar no meu top de livros preferidos, mas certamente está disputando o primeiro lugar como meu YA favorito com Os Garotos Corvos. Talvez se a plotline de tornar a Adelina uma espiã não existisse... Mas, como eu disse lá em cima, agora já foi. 3.0 estrelas para The Young Elites.

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