4.0 estrelas fantasia urbana lgbt

Resenha: Capital Revelada, Atlas Moniz

14:06neo
Capital Revelada
Atlas Moniz
★★★★

O limite do vazio, emoções tomando forma. Olhos que o encaram do negrume, o espectro de um garoto há muito morto, uma realidade oculta. Para Luiz Azevedo, universitário e historiador em formação, tudo começa com uma foto velha, presumivelmente da década de 1920, de um jovem com feições do leste asiático: um rapaz que parece sair da foto para assombrar seus dias e noites, que parece segui-lo nos melhores e piores momentos.
Uma relação abusiva, uma tentativa de suicídio, um jovem socorrido em mais um de seus piores momentos. O tal Marcos Castelo Branco (ou Marcos Akiyama?), colega de faculdade de ascendência asiática, tem uma semelhança assustadora com o retratado na foto de oitenta anos antes. Quando Luiz e Marcos começam a se conhecer, quando seus destinos começam a se entremear, as grandes questões parecem uni-lo em um confronto contra o desconhecido: quem é o rapaz da foto e por que ele se parece com Marcos; por que ele insiste em observá-los de perto, das portas de seus quartos, parado e inexpressivo como uma estátua de mármore, morto há décadas?
Tudo começa e termina com uma foto.
Comecei a ler esse livro um tanto hesitante. Dessa vez não por ser nacional (ha!), mas sim por ser fantasia urbana, um subgênero de fantasia que não curto tanto assim, e por ser de um estilo que com toda certeza desse universo não tem nada a ver comigo ou com nada que eu leio e gosto. Capital Revelada me lembrou um tanto umas paradas mais, hm, não de gênero, por assim dizer, e bem... eu costumo não gostar de nada que não seja de gênero, ou seja, que não seja de fantasia, sci-fi, etc. Então Capital Revelada não é exatamente o tipo de livro que eu escolheria pra ler tendo como base a sinopse/o estilo.

3.5 estrelas fantasia literatura nacional

Resenha: O Aprendiz de Arquimago, Michael A. Iora

21:20neo
Série As Crônicas de Herannon: O Aprendiz de Arquimago |  ?
Michael A. Iora
★★★½

“Você foi honrado com a oportunidade de ser meu discípulo, uma honra que qualquer um dos acadêmicos de Everard desejaria, pois embora tenham bons mestres, eu estou muito acima de todos eles. O treinamento será muito mais árduo, não duvide disso, mas terá suas recompensas. Se sobreviver, digo, se resistir até o final, sob a minha orientação você virá a tornar-se um mago de altíssimo valor, admirado e invejado por muitos.”
Entretanto, o menino elfo descobre amargamente que tamanha honra não é concedida sem que um alto preço tenha de ser pago, e que simplesmente estar sujeito ao desagradável temperamento de seu excêntrico e arrogante tutor deve ser a pior prova que alguém pode ter de suportar. Não obstante, ele se vê obrigado a enfrentar não apenas um treinamento extremamente rígido e insano, mas também a saudade de sua mãe e um sentimento de urgência crescente.
Conseguirá o garoto conquistar sua tão desejada graduação, superando todos os desafios impostos e, pior, a crueldade e intolerância de seu próprio mestre? 

Esse livro me deixou bem dividida. Por um lado, eu gostei bastante da história e da escrita, mas, por outro, algumas coisas nele me irritaram bastante.

4.0 estrelas fantasia fantasia urbana

Resenha: Filhos da Lua, Marcella Rossetti

14:17neo
Série Filhos da Lua: O Legado | ?
Marcella Rossetti
★★★★

Você consegue imaginar que a vida que te ensinaram a viver pode não ser aquela para a qual nasceu? Que tudo o que acredita pode não ser inteiramente verdade? E que existem criaturas conhecidas como trocadores de pele vivendo entre nós?
Em Filhos da Lua: o Legado, você descobre um novo universo de fantasia urbana, tendo como cenário inicial a cidade de Santos, em São Paulo. A autora apresenta uma aventura cheia de mistérios cuja personagem principal é Bianca, uma adolescente que não imagina que sua chegada na cidade desencadearia uma série de acontecimentos capazes de transformar completamente a sua vida e revelar os segredos de um perigoso mundo.

Filhos da Lua foi uma surpresa bastante agradável. 

Tenho que admitir, antes de tudo, que uma parte dessa surpresa se deve a um preconceito meu. Não contra livros brasileiros nesse caso, mas sim contra o gênero: fantasia urbana. Já comentei por aqui que não costumo ler muitos livros assim por odiar como quase tudo nesse gênero acaba sendo colocado de lado em favor do romance. E, para ser sincera, muito disso tem a ver com o modo errado com que várias histórias são promovidas. Afinal de contas, há uma grande diferença entre romance paranormal e fantasia urbana (e o mundo seria um lugar bem melhor se as editoras agissem em cima disso).

4.0 estrelas fantasia literatura nacional

Resenha: Estações de Caça, Lauro Kociuba

19:30neo
Série Alvores: A Liga dos Artesãos: Tales IEstações de Caça: Haakon I
Lauro Kociuba
★★★★

Quatro experiências. Quatro episódios. Quatro estações.
“Estações de Caça” conta a história de Haakon, um menino de linhagem nórdica no antigo Reino Unido do século X, em quatro fases distintas de sua infância. Ambientada no universo Alvor, com toques e requintes das mitologias nórdica e celta, o autor traz nesta novela uma nova experiência narrativa, diversificada em seus quatro episódios distintos.


Estações de Caça é o segundo livro da série Alvores, do autor brasileiro Lauro Kociuba. Já resenhei o primeiro e você pode conferir a resenha dele aqui, mas não se preocupe: não é necessário ter lido A Liga dos Artesões para ler Estações de Caça; apesar de se passarem no mesmo mundo (uma versão alterada do nosso, com elfos, orcs, deuses nórdicos, etc), ambos se passam em épocas diferentes, com A Liga dos Artesões acontecendo na atualidade e Estações de Caça em um vilarejo nórdico do século X.

Apesar de ter gostado de A Liga dos Artesões, confesso que, pra mim, Estações de Caça é uma obra bem melhor em todos os sentidos. Notei um ou outro errinho de vírgula (muitos poucos mesmo), mas no geral a escrita é mais bem desenvolvida e madura, e realmente consegue fazer com o leitor se sinta dentro da história. A ambientação também é muito boa, com as cenas na floresta em especial sendo muito bem escritas. Foram, provavelmente, minha parte preferida da história.

E falando em história, apesar de Estações de Caça ser uma obra curta (é uma novela, afinal de contas), a trama é bem construída e tem um bom ritmo. É dividida em quatro momentos da vida do protagonista, Haakon, (com os dois do meio sendo os melhores, na minha opinião), que mostram como a vida do garoto acaba se interligando com os mistérios do mundo Alvor (e dos deuses também claro).

A única coisa que não me agradou tanto assim foi o final um tanto abrupto. Nada grave, óbvio, mas eu teria gostado de algo mais demorado, por assim dizer, e que trouxesse um tiquinho mais de intensidade. Mas não me preocupo muito; o fim deixou claro que o melhor da história de Haakon ainda está por vir.

Os personagens também são ótimos. São poucos, mas todos me convenceram. Os pais de Haakon em especial são excelentes, assim como uma certa pessoa que já tinha dado as caras em A Liga dos Artesãos e Eol'badeu, que foi muito bem caracterizado.

Enfim, Estações de Caça foi uma leitura muito boa e uma novela que indico pra todo mundo. 4.0 estrelas.

(Aliás, ontem foi o lançamento dela na Amazon! Quem quiser ler algo rápido de boa qualidade, fica a dica uwu)
2.5 estrelas fantasia literatura nacional

Resenha: A Herdeira do Mar, Ize Chi Kiohaan

20:06neo
A Herdeira do Mar
Ize Chi Kiohaan
★★½

Cordélia Dolphin é uma adolescente quase normal: ela e seu pai já moraram em diversos países por conta do trabalho dele, e dessa vez estão se mudando para a praia de Tamarama, uma pequena península localizada no estado de New South Wales, Austrália. Carregando um trauma por quase ter morrido afogada em sua infância e por ter perdido sua mãe antes mesmo de conhecê-la, Cordélia tenta viver sua vida, encontrando novos amigos e um possível candidato a namorado.
Seu mundo vira de cabeça para baixo com a chegada de Morgan, um rapaz misterioso que rodeia sua casa e sabe detalhes sobre ela impossíveis de um desconhecido saber. Ao completar seu aniversário de dezoito anos, a vida que conhece muda completamente: ela descobre que sua mãe era uma sereia, filha do Rei de Atlântida, o governante de todos os mares. Morgan finalmente mostra a que veio: ele é um tritão, designado a protegê-la e guiá-la desde o dia em que nasceu.
Uma guerra subaquática se desenvolveu durante toda sua vida e agora é a hora de voltar e assumir seu posto de Princesa Herdeira; mas como, se sua vida humana lhe parece finalmente perfeita? Com suas barbatanas e guelras aparecendo, ela tenta continuar com sua rotina, mas as interferências de Morgan se tornam cada vez mais frequentes, e um sentimento por seu guardião pode atrapalhar todos os planos. Presa entre mitos e tradições, Cordélia terá que amadurecer como princesa e descobrir uma forma de lidar com sua nova vida, que cada vez mais se mistura à que conhecia.

Uma cópia digital foi cedida pela autora em troca de uma resenha honesta. Obrigada!

A Herdeira do Mar é um livro interessante, mas que não me cativou por um motivo: o romance. Mas falemos sobre as coisas que eu achei serem boas primeiro.

2 estrelas fantasia literatura nacional

Resenha: Lua de Sangue, Igor Dmirkutska

21:11neo
Senhores do Anoitecer: Lua de Sangue
Igor Dmirkutska
★★

Por entre as sombras turvas de nossa sociedade, escondem-se seres cujos nomes e formas insistimos em esquecer, alguns dos quais a nefasta existência negamos até nosso último suspiro de sanidade... Porém, isso não os torna menos reais.
Uma guerra tem sido travada entre essas criaturas noturnas desde muito antes do que se possa imaginar, no entanto, é na alvorada do terceiro milênio que o mais terrível desses embates ocorrerá e, sob a luz da Lua de Sangue, os senhores do anoitecer se enfrentarão... Talvez pela última vez.


Uma cópia foi disponibilizada pelo autor. Obrigada!

Esse livro é meio complicado para se resenhar. Foi uma leitura que me frustrou bastante; primeiro por causa dos probleminhas que citarei mais adiante, e segundo, porque a história é muito boa, mas tais probleminhas me impediram de aproveitá-la de verdade. 


4 estrelas fantasia literatura nacional

Resenha: Limbo, Thiago d'Evecque

21:38neo
Limbo
Thiago d'Evecque
★★★★
O Limbo é para onde todas as almas vão após a morte. Além de humanos, deuses esquecidos e espíritos lendários também vagam pelo plano. Muitas almas sabem exatamente onde estão e por que; a maioria, entretanto, ainda tem a impressão de estar viva. A morte é um hábito difícil de se acostumar.
Um dos espíritos residentes no Limbo acorda sem nenhuma lembrança de sua identidade. Ele descobre que a Terra está prestes a ser destruída pelos próprios humanos e fica encarregado de enviar doze almas heroicas de volta. Elas reencarnarão no plano dos homens e tentarão reverter o quadro apocalíptico.
Contudo, poucas almas encaram o retorno com bons olhos. O espírito deve, então, forçá-las. Armado, de preferência. Assim, resolve visitar um velho amigo: Azazel, anjo ferreiro e primeiro escolhido da lista.
O espírito descobre mais sobre quem realmente é, ouve uma versão completamente diferente sobre a rebelião dos anjos e é presenteado com uma surpresa de péssimo gosto.
LIMBO mistura elementos e referências de videogames, RPGs, HQs, animes, mangás, filmes, séries e livros. De Matrix até Final Fantasy, é uma homenagem às influências que marcaram o autor. 

Uma cópia digital foi cedida pelo autor em troca de uma resenha honesta.

Limbo é um livro com uma premissa interessante (e uma capa maravilhosa, devo dizer): um espírito acorda no Limbo, o lugar para onde todas as almas vão após a morte, sem memórias e, obviamente, sem saber quem é, mas sua missão é clara: mandar doze almas heroicas de volta para a Terra para que elas impeçam que os humanos destruam a si próprios e ao planeta no processo. Problema sendo: algumas dessas almas preferem continuar no Limbo mesmo, e o espírito deve convencê-las (ou obrigá-las) a voltar.

O livro é bem curto e fácil de ler, e a escrita me agradou bastante. Não notei nenhum erro (fora um ou outro travessão desaparecido, mas isso é o de menos) e, para ser sincera, esse deve ser um dos livros brasileiros mais bem escritos que já vi. Narração em primeira pessoa não é exatamente minha preferida (bem longe disso, na verdade), mas a personalidade do espírito ficou tão bem retratada que eu nem me incomodei com isso. Foi um alívio ler diálogos bem feitos também. 

A história e os personagens são bem interessantes. Gostei principalmente de como as memórias do espíritos foram voltando aos poucos, meio que se entrelaçando com a conversa que ele tinha com as almas que encontrava. Cacá foi um personagem meio odioso, mas divertido, e o próprio espírito tem um senso de humor que me fez soltar umas risadas. 

O único defeito do livro, ao meu ver, foi seu ritmo e também o modo como as informações sobre as almas heroicas foram passadas ao leitor. Como temos que acompanhar o espírito enquanto ele encontra doze almas a coisa acaba ficando um pouco repetitiva, e o clímax sofreu um bocado por isso. O espírito contando tudo sobre a alma que visitaria em seguida também ficou repetitivo e interrompeu demais a narrativa. Acho que ficaria melhor se essas informações estivessem de algum modo diluídas pelo capítulo da alma em questão, e não de cara assim.

De qualquer forma, o livro é muito bom, e uma revelação do final em especial me agradou bastante (eu não a vi chegando, então né). Valeu a pena ler. 4.0 estrelas.
2.5 estrelas draco fantasia

Resenha: O Castelo das Águias, Ana Lúcia Merege

14:07neo
O Castelo das Águias | A Ilha dos Ossos | ?
Ana Lúcia Merege
Draco
★★½

O Castelo das Águias, romance fantástico de Ana Lúcia Merege, é um lugar especial. Localizado nas Terras Férteis de Athelgard, região habitada por homens e elfos, abriga uma surpreendente Escola de Magia, onde os aprendizes devem se iniciar nas artes dos bardos e dos saltimbancos antes de qualquer encanto ou ritual.
Apesar de sua juventude, Anna de Bryke aceita o desafio de se tornar a nova Mestra de Sagas do Castelo. Aprende os princípios da Magia da Forma e do Pensamento e tem a oportunidade de conhecer pessoas como o idealizador da Escola, Mestre Camdell; Urien, o professor de Música; Lara, uma maga frágil e enigmática, e o austero Kieran de Scyllix, o guardião das águias que mantêm um forte elo místico com os moradores do Castelo.
Enquanto se habitua à nova vida e descobre em Kieran um poço de sentimentos confusos e turbulentos, uma exigência do Conselho de Guerra das Terras Férteis põe em risco a vida e a liberdade das águias. Com o apoio de Kieran, Anna lutará para preservá-las,desvendando uma trama de conspiração e segredos que envolvem importantes magos do Castelo.

Eu já tinha ouvido falar sobre O Castelo das Águias bem antes de criar coragem pra começar a lê-lo. Na verdade, foi de tanto vê-lo por aí pela internet que fiquei interessada, já que à primeira vista a sinopse não chamou minha atenção muito não apesar dos elementos que geralmente me agradam (I mean, elfos e águias guerreiras >>>). E não me chamou a atenção justamente pelo motivo que, no fim das contas, me fez não gostar desse livro: o romance.

4.5 estrelas fantasia fantasia urbana

Resenha: Lobo de Rua, Jana P. Bianchi

16:49neo
Lobo de Rua
Jana P. Bianchi
★★★★½

Essa é uma novela sobre homens, lobos e luas.
Raul é um morador de rua, um homem invisível e desgraçado como tantos os outros. Como se sua desgraça não fosse suficiente, Raul contrai a maldição da licantropia, tornando-se um lamentável lobo de rua. Tito Agnelli não compartilha do abandono de Raul, mas conhece muito bem a sensação de ser rasgado por dentro, todos os meses, pela coisa vil que se abriga nele. Assim, compadecido com o sofrimento do recém-transformado, Tito acolhe Raul na Alcateia de São Paulo, extinta até então por falta de lobisomens residentes na Pauliceia. Depois de décadas de contaminação, Tito conhece cada detalhe da maldição que o transforma em lobisomem. Além disso, conhece também a Galeria Creta, um lugar em São Paulo onde ele e outros dos seus são bem vindos nas noites de lua.
Basta pagar o preço. 

Uma cópia digital foi cedida pela autora em troca de uma resenha honesta. Obrigada, Jana! 

Quem acompanha o blog sabe que eu não tenho um grande amor por fantasia urbana não. Leio um livro ou outro do tipo de vez em quando, mas não é um subgênero que me agrada o suficiente pra que eu faça disso um hábito. Por isso comecei a ler Lobo de Rua - que é uma novela, tendo apenas umas 60 páginas - um tanto hesitante, mas a história logo me conquistou e eu deixei minhas neuras de lado.

A primeira coisa que me agradou foi a escrita. Sou muito chata nesse aspecto (e acho que todo mundo aqui já sabe disso), mas a escrita da autora me agradou bastante e fez a história fluir de modo perfeito. Como não estou acostumada a ler novelas ou contos (livros são muito mais minha praia mesmo), pensei que acabaria a história me sentindo insatisfeita por causa das poucas páginas, mas a boa da qualidade da escrita e os personagens interessantes provaram meus temores infundados. 

Outra coisa que curti foi a "naturalidade" do texto. Na maior parte das vezes que leio um livro nacional de fantasia ou sci-fi (e nisso incluo distopia, óbvio) fico com a impressão de que tanto a narrativa quanto os diálogos soam demais como se fossem traduzidos do inglês. Sei que tecnicamente isso não faz sentido nenhum, mas acho que é um efeito colateral de lermos tantas coisas de fora, e bem, inglês e português são línguas bem diferentes. Usar uma do mesmo modo que se usa outra não dá muito certo, e é exatamente por isso que tradução é um negócio que dá um trabalho dos diabos e que pode dar errado pra cacete. Escrever em português usando a mesma estrutura do inglês? Fica horrível, pelo menos pra mim. Lobo de Rua escapa disso, felizmente. A novela soa "em português" do início ao fim, graças aos céus.

A única coisa que me incomodou mesmo foi que o final ficou um tico corrido. Nada muito grave, mas eu gostaria de ter passado mais algum tempo nas cenas finais para poder compreender o Raul melhor, por exemplo. 

De qualquer forma, Lobo de Rua é uma história muito boa e que me deixou curiosa sobre o universo que a autora criou. 4.5 estrelas.
2 estrelas distopia literatura nacional

Resenha: A Torre Acima do Véu, Roberta Spindler

17:54neo
A Torre Acima do Véu
Roberta Spindler
Giz Editorial
★★

Quando uma densa e venenosa névoa surge misteriosamente, pânico e morte tomam conta do planeta. Os poucos sobreviventes se refugiam no topo dos megaedifícios e arranha-céus das megalópoles.
Acuados, vivem uma nova era de privações e sob o ataque constante de seres assustadores, chamados apenas de sombras.
Suas vidas logo passaram a depender da proteção da Torre, aquela que controla os armamentos e a tecnologia que restaram.
Cinquenta anos se passam, na megacidade Rio-Aires, Beca vive do resgate de recursos há muito abandonados nos andares inferiores, junto com seu pai e seu irmão. A profissão, perigosa por natureza, torna-se ainda mais letal quando ela participa de uma negociação traiçoeira e se vê cada vez mais envolvida em perigos e segredos que ameaçam muito mais do que sua vida ou a de sua família.

A Torre Acima do Véu foi um dos primeiros livros que comprei esse ano, lá em janeiro ou fevereiro, que foi quando o tentei ler pela primeira vez e acabei desistindo por não conseguir "entrar" na história. Ontem, porém, estava querendo ler alguma coisa e Mage's Blood, minha leitura atual, não estava se mostrando tão atraente assim, então resolvi dar uma nova chance para essa distopia brasileira (também faz um bom tempo que não leio livro físico, e estava com saudades, oops).

3.0 estrelas fantasia literatura nacional

Resenha: A Liga dos Artesãos, Lauro Kociuba

15:59neo
Alvores: A Liga dos Artesãos | ?
Lauro Kociuba
★★★
Elfos, anões, orcs, trolls, dragões, wargs… E se eles existiram de verdade? E se tudo começou a desaparecer quando a Era dos Homens teve início? E se, ainda hoje, houver remanescentes desses seres entre nós?
Alvores é uma história de realidade alternativa, inspirada principalmente em leituras de Neil Gaiman e suas conexões de fantasia e o mundo real, pelo autor. Imagine o nosso mundo atual, mesclando com ficção fantástica, onde existem cidades subterrâneas sob as capitais brasileiras – mais precisamente Curitiba (PR); elfos que vivem ocultos entre os homens; descendentes de raças lutando entre si e criaturas fantásticas surgindo e desaparecendo em meio a pontos turísticos.
Todo esse universo é chamado de Alvores, os seres que surgiram na alvorada do mundo.
Acompanhe Tales, um filho de encantados, desvendando uma história envolta a uma trama secular: a luta pela sobrevivência de uma raça. Entre batalhas dos descendentes de alvores, a descoberta de existência de uma cidade inteira sob seus pés e a verdade por trás de vários fatos. O leitor irá, junto com o protagonista, conhecer máquinas de guerra incríveis, personagens com habilidades curiosas, tramas e mistérios ocorrendo nas praças, terminais ou mesmo nas ruas onde passamos diariamente. De modo gradativo e embasado, se estreita a fronteira entre a realidade e a fantasia no livro.
Veja o mundo com outros olhos!

Eu tinha o ebook de A Liga dos Artesãos mofando no meu tablet desde 1.500 a.C., mas estava evitando começar a leitura por medo de acabar não gostando. Para vocês terem uma ideia, dos cinco livros nacionais que tentei ler esse ano eu abandonei três e odiei dois, e bem, A Liga dos Artesãos é fantasia nacional. Pode-se dizer, portanto, que eu não estava lá muito confiante quando finalmente decidi iniciar a leitura.


1 estrela fantasia literatura nacional

Resenha: O Poder dos Elementos, Eder A. S. Traskini

13:06neo
Stânix: O Poder dos Elementos | ??
Eder A. S. Traskini
Novo Século
Stânix é uma terra medieval que já foi habitada por humanos, anões e elfos. Durante a primeira guerra, liderada pelo tirano Syrt, o império só foi salvo pela magia e inteligência dos elfos. Porém, esta importante raça foi obrigada a deixar o reino, incitada pela profecia da segunda guerra.
Aaron, um dos nascidos sob o sangue do primeiro grande conflito, foi deixado para trás, mas nem imagina o destino que lhe aguarda. Apenas ele pode salvar o reino.
A profecia está dita e Stânix está em suas mãos… 

Eu realmente odeio fazer resenha de livros brasileiros, e o motivo é simples: na maior parte das vezes eu odeio a história, a escrita e os personagens (por motivos que um dia ainda vou organizar em um post), mas ao contrário de quando faço resenha de livros gringos, o escritor pode, obviamente, acabar tropeçando nela e lendo-a. E, bem, eu escrevo. Eu sei o que é gastar meses (e às vezes anos) trabalhando em um livro e dando o seu melhor para que ele fique bom; consigo entender, portanto, que ler uma resenha negativa não é lá muito agradável. Mas não resenhar os livros brasileiros que leio é na minha opinião algo que causa ainda mais dano, e é exatamente por isso que ainda estou aqui, então né... Continuemos.


2 estrelas fantasia literatura nacional

Resenha: O Garoto-Cabra, Leonel Caldela

16:04neo
A Lenda de Ruff Ghanor: O Garoto-Cabra | Untitled | Untitled
Leonel Caldela
NerdBooks
★★
Nos confins de uma terra governada pelo dragão Zamir, ergue-se um mosteiro. Um garoto selvagem, dotado de poderes misteriosos, é encontrado pelos monges. Seu nome é Ruff Ghanor. Treinado desde cedo pelo rigoroso prior, Ruff se encaminha para derrotar o tirano. Ruff enfrenta as forças de Zamir e precisa liderar seu povo no combate. Contudo, antes de vencer o dragão, ele descobrirá segredos sobre si mesmo e seu mundo.

Esse livro foi uma decepção imensa. Considero (considerava?) Caldela um dos melhores escritores de fantasia aqui no Brasil em grande parte graças à qualidade da escrita e das ideias que encontrei em O Código Élfico, livro que li há mais ou menos dois anos atrás. Em O Garoto-Cabra, porém, não encontrei nada disso; a escrita passa longe de ser boa e a história é incrivelmente cliché e genérica.
3.5 estrelas fantasia literatura nacional

Resenha: Império de Diamante, J.M. Beraldo

20:53neo
Reinos Eternos: Império de Diamante | ???
J.M. Beraldo
Draco
★★★½
Um Imperador reina absoluto há séculos, mas toda dinastia chega ao seu fim. 
Conheça o Império de Diamante: um reino eterno que conquistou e suprimiu várias culturas de Myambe, o continente original da Humanidade. Protegido por um exército com poderes incríveis, o Imperador governa com sabedoria e há quem diga que possa conceder talentos sobrenaturais a quem desejar.Mas agora sua decadência parece inevitável. Vinte anos após a última conquista, ninguém sabe do Imperador. O governo lentamente abandona as províncias mais distantes à mercê de uma seca avassaladora. O povo implora por socorro, mas não há ajuda.Em meio à crise, quatro indivíduos com objetivos diferentes acabam envolvidos na trama que pode revelar os segredos deste homem tão poderoso. Neste mundo fantástico baseado nas culturas africanas, o autor J. M. Beraldo explora a construção da História e da crença religiosa através da trajetória desse quarteto. Forçados a depender uns dos outros para alcançar seus propósitos, qual será o papel desse inusitado grupo na história do Império de Diamante?

Venho tendo uma má sorte com livros nacionais ultimamente e isso me levou a meio que desistir de ler vários livros lançados aqui esse ano (acho que tem apenas mais dois na minha lista de leitura, mas depois disso estou me dando uma folga). Ler Império de Diamante, portanto, não estava nos meus planos, mas a sinopse, a capa e o fato de ele poder ser lido como volume único me convenceram a lhe dar uma chance. Apesar dos pesares, não me decepcionei.

2.5 estrelas fantasia literatura nacional

Resenha: Os Doze Guardiões da Luz, Luiz Henrique Batista

22:54neo
Os Doze Guardiões da Luz 
Luiz Henrique Batista
Novo Século
★★½
Ambientado num mundo de fantasia, "Os Doze Guardiões da Luz" narra as histórias de heróis imortais que encarnam os doze signos do Zodíaco. Séculos após a grande guerra, que expulsou a Escuridão dos reinos do oeste, o povo e os heróis parecem ter se esquecido da ameaça que reside lá fora, além da fronteira das terras da Luz com os países da neblina. Alheios ao alcance dos tentáculos do inimigo, os Guardiões são pegos de surpresa quando a ameaça vem não de fora, mas de dentro do reino, justamente daqueles em quem mais confiavam: eles próprios.







Os Doze Guardiões da Luz faz parte do tipo de livro que costumo ver com frequência aqui no Brasil: uma boa história que acaba perdendo boa parte de sua qualidade por causa da escrita.

Não falo aqui de erros ortográficos ou de vírgula, conjugação, etc, mas sim das técnicas mais conhecidas da escrita, como o velho show, don't tell. Muito de Os Doze Guardiões da Luz foi contado ao invés de mostrado, principalmente as personalidades dos personagens e algumas das várias batalhas ou confrontos que acontecem durante a história. Isso me impediu de realmente me conectar com os já citados personagens e, portanto, de "mergulhar" na história como eu normalmente faria.

Não me entenda errado; como eu disse, o plot de Os Doze Guardiões da Luz é bem legal e o mundo criado pelo autor é bem interessante, assim como a história que levou aos acontecimentos narrados no livro (a explicação para o surgimento dos guardões é a+). Os próprios personagens parecem ser bem construídos, e digo parecem porque não pude "sentir" a qualidade deles (???) graças aos já citados problemas na escrita. Muito sobre eles foi contado, e isso não deixou espaço para que eu realmente os visse em ação ou os visse provando que tudo o que fora contado na narrativa era verdade. Conclusão: fiquei sentindo quase como se tivesse visto os personagens pela metade, então meio que gosto e meio que não gosto deles (sim, não faz sentido, eu sei).

Outra coisa que me incomodou na escrita foi o distanciamento do que estava acontecendo. Isso é meio que consequência do show, don't tell que não foi colocado em prática, mas tudo parecia acontecer "por cima", sem muito detalhes e de modo muito rápido. Os Doze Guardiões da Luz, pra mim, é uma ótima história que pecou demais na execução e que por isso não me conquistou. É original, bem construída e passa longe de ser uma fantasia genérica, mas a escrita... nope. Aliás, a escrita é também culpada por fazer várias cenas entre os casais da história ficarem meio piegas, o que também me irritou.

Falando um pouco dos personagens, eu gostei da maior parte. São muitos, então vários aparecem por pouco tempo ou somem por alguns capítulos, mas a personalidade de todos é apresentada de modo satisfatório. (Algo meio irrelevante que me incomodou: praticamente todo cara era alto e musculoso, o que não é ruim, claro, mas a descrição para eles foi praticamente a mesma, então meh). Gostei de Peixes mais do que esperava (também gostei da do meu signo, Aquário, apesar de ter achado o motivo pra ela ter ficado brava com Leão pra lá de idiota) e lá pro final até fiquei com um tico de pena do Escorpião. Não cheguei a odiar nenhum personagem (nem mesmo Capricórnio), mas esses foram os que mais me chamaram a atenção.

Enfim, Os Doze Guardiões da Luz fica com 2.5 estrelas.
ebook fantasia ficção científica

Resenha: Revista Trasgo #03

20:31neo

Uma coisa que eu acho muito legal na Trasgo é o fato de que, até agora ao menos, a revista continua melhorando a cada edição. Lembro de quando li a primeira e, apesar de ter gostado, não cheguei a ficar muito impressionada não, e só li a segunda para dar mais uma chance à literatura de fantasia e sci-fi brasileira, já que um dia (em um futuro um tanto distante) quero fazer parte ativamente dela. Hoje fico muito feliz por tê-lo feito; amei a segunda e, apesar de ter enrolado muito para começar, também adorei a terceira. Abaixo está minhas opiniões sobre os contos dessa edição:
  • O Empacotador de Memórias (Gael Rodrigues): gostei muito desse conto, tanto pela escrita quanto pela história, que é contada de um modo bem diferente do usual (aliás, o próprio conteúdo já é bem original). Não vou falar muito sobre o enredo; basta dizer que O Empacotador de Memórias trata de temas sérios, mas possui uma narrativa leve e gostosa de se ler.

  • Rosas Brancas (Roberto de Sousa Causo): Rosas Brancas foi um conto interessante e bem escrito (apesar de alguns infodumps), que faz parte de um universo muito maior (se não me engano ele é o prólogo de um dos livros do autor). Apesar de não ser exatamente fã de ficção científica (eu gosto, mas gosto do mesmo jeito que gosto de distopia ou sobrenatural: só sendo muito bem-falado/intrigante pra que eu arranje coragem pra ler), esse foi um conto que conseguiu me prender. O final também foi ótimo.

  • Feita de um sonho (Caroline Policarpo Veloso): prestei um tantinho mais de atenção nesse conto porque a autora é bem nova (17 anos e trocentos contos publicados) (sim, eu me senti um lixinho ao saber disso também). No geral, foi um conto bem escrito (não sou fã de primeira pessoa, mas aqui ficou bom) e como eu adoro a temática de sonhos x realidade, a história me agradou bastante.

  • Invasão (Claudio Parreira): o ponto forte desse conto é justamente a voz do personagem principal, que é bem diferente do que vemos hoje em dia por aí. A escrita também é ótima, e apesar do conto não ser muito do meu estilo, foi uma leitura divertida.

  • Viral (Tiago Cordeiro): Viral, como o próprio nome pode indicar, é sobre zumbis (o que já não é nenhuma novidade), mas o autor conseguiu dar um toque de originalidade bem legal para a história que me agradou bastante. Novamente, a escrita é boa, e os personagens são bem caracterizados. O final meio amargo também fez a história ganhar alguns pontinhos comigo.

  • O Vento do Oeste (Liége Báccaro Toledo): provavelmente meu conto preferido dessa terceira edição junto a O Empacotador de Memórias. É de fantasia, mas uma fantasia bem diferente, baseada na cultura árabe, e a própria história também é bem interessante. Aparentemente a autora planeja escrever um livro a partir desse conto, o que me deixa animada. Faz tempo que não leio uma obra de fantasia nacional, e se a qualidade de O Vento do Oeste for mantida nesse outro projeto, tenho certeza de que adorarei o livro.
Meus contos favoritos, como já disse, foram O Empacotador de Memórias O Vento do Oeste. Quem fez as ilustrações dessa vez foi a Kelly Costa (foram as minhas preferidas até agora, falando nisso), e você pode checar o trabalho dela para a Trasgo aqui.

Para mais informações sobre como enviar seu conto, clique aqui, e para baixar e/ou ler a Trasgo, clique aqui. Enfim, cinco estrelas para a terceira edição.

contos fantasia ficção científica

Resenha: Revista Trasgo #02

19:37neo
Como o material da primeira edição no geral me agradou, resolvi me livrar da preguiça para conferir a segunda edição da revista Trasgo. Abaixo está minha opinião sobre os contos contidos nela.

(Para quem quiser ler a resenha da primeira edição, está aqui).
  • Rosas: escrito por Ana Lúcia Merege, Rosas foi um conto que me fez soltar um “wow” quando terminei de ler.  Não vou falar muito sobre a história em si porque é um conto bem curto e eu acabaria não passando a ideia dele muito bem (?). Enfim, foi uma escolha perfeita para abrir a edição; é bem escrito, bem pensado e o final te deixa realmente surpreso. Gostei de verdade.

  • Cinco bilhões: esse deu um nó no meu cérebro da primeira vez que li (talvez porque eu o fiz às quatro e meia da manhã, mas enfim), logo quando a segunda edição foi lançada. Depois de ler outra vez, hoje, as coisas começaram a fazer mais sentido (lol). No geral, eu gostei também; é bem escrito (os diálogos me incomodaram bem de leve, só um pouquinho mesmo) e a ideia, apesar de não ser do tipo que eu gosto, foi boa o suficiente para me manter entretida até o fim. Escrito por Victor Oliveira de Faria, Cinco bilhões é um conto de ficção científica que se passa, inicialmente, em um futuro distante em que a humanidade não existe mais como a conhecemos hoje e que o nosso sol - então chamado de Sol Vermelho - está cada vez mais próximo de seu fim.

  • Hamlet: Weird Pop: escrito por Jim Anotsu, Hamlet: Weird Pop acabou me conquistando pelo estilo da escrita (que me agradou bastante, de verdade) e pelo enredo no mínimo inusitado. Viola Wright é uma jovem diretora prestes a estrear sua peça, uma adaptação meio diferente de Hamlet (até música do Simple Plan tocaria nessa adaptação, para vocês terem uma ideia), quando recebe a visita de um advogado do além. Segundo ele (um duende, aliás), Shakespeare não quer que ela mexa em sua peça. O desenrolar da conversa entre os dois é bem divertido, e o final também vale a pena.

  • Código Fonte: escrito por George Amaral, Código Fonte, assim como Rosas, me deixou surpresa no final. Também se passa no futuro, embora em um não tão distante assim, e trata de um dos temas preferidos de muitas histórias por aí: o envelhecimento e a imortalidade. O que me agradou mais nesse conto foi justamente o plot twist do final; houve um momento em que achei já ter descoberto o que aconteceria, mas então puf, a história deu uma reviravolta e me provou errada. Houve um pouquinho de infodump, mas nada grave. A escrita também foi ótima.

  • A Maldição das Borboletas Negras: esse foi um conto que realmente me divertiu. É interessante por causa da narrativa diferente, bem brasileira mesmo, embora seja também meio mórbido, e traz personagens e situações bem únicos. Me lembrou um pouco Rosas, não por seus enredos (são total e completamente diferentes), mas sim pela capacidade, por assim dizer, de realmente fazer o leitor se esquecer do mundo durante a leitura. Escrito por Albarus Andreos.

  • O Homem Atômico: último conto da segunda edição, foi escrito por Cristina Lasaitis. Bem divertido também, conta a história de um mendigo de São Paulo que dizia ser um cientista da época da ditadura e ter trabalhado em um programa nuclear brasileiro antes de ser exilado por saber demais sobre tal programa. Novamente, a escrita/narrativa se destaca e o final conclui com satisfação a história.
Na primeira edição da Trasgo foi até fácil escolher meu favorito, mas nessa admito que fico indecisa entre Rosas, O Homem Atômico e A Maldição das Borboletas Negras, embora todos os cinco contos sejam muito bons.

O artista dessa edição foi Alex Leão. Você pode conferir seu trabalho aqui.

Para mais informações sobre como enviar seu conto, clique aqui, e para baixar e/ou ler a Trasgo, clique aqui. Enfim, quatro estrelas para a segunda edição!


contos ebook fantasia

Resenha: Revista Trasgo #01

15:23neo

A Revista Trasgo é a mais nova revista de contos de fantasia e ficção científica brasileira. De graça (pelo menos por enquanto) e digital, fica bem fácil colocar no celular e ler sempre que aparecer um tempinho livre. E, bem, foi isso que eu fiz. A Trasgo é composta por cinco contos, todos de temas diferentes (dentro, é claro, dos gêneros de fantasia e ficção científica). Abaixo está minha opinião sobre cada um deles.
  • Ventania: escrito por Hális Alves, Ventania é um conto distópico que se passa no litoral nordestino. Não quero falar muito do enredo para não estragar a história, mas eu gostei bastante do worldbuilding feito pelo autor para esse conto. A coisa toda ficou verossímil e bem estruturada, o que me deixou confortável para seguir com a leitura sem trancos ou barrancos. As únicas coisas que me incomodaram foi: 1) o final ficou um pouco corrido; Ventania se daria melhor como uma curta do que como um conto e 2) diálogos me incomodaram em alguns momentos, mas nada grave. De resto, está muito bom.

  • Azul: quem me conhece sabe que sou meio medrosa e fujo de qualquer coisa que envolva terror, mas o conto escrito por Karen Alvares me conquistou pela ideia original. Mais uma vez o final ficou meio corrido, mas a ideia foi tão boa que isso nem incomodou muito. Azul conta a história de Nora, que tem um encontro macabro ao voltar para casa

  • Náufrago: outro conto ambientado no nordeste (dessa vez na minha cidade, Salvador), escrito por Marcelo Porto, conta a história de Diogo, um homem que acaba no meio de uma enorme confusão no tempo enquanto atravessava a Baía de Todos os Santos a trabalho. Conto no geral bom; a escrita/os diálogos me incomodaram várias vezes, mas eu gostei.

  • Gente é tão bom: sinceramente não sei o que dizer desse conto. Acredito que seja uma espécie de crítica a nossa sociedade consumista de produtos industrializados, mas acho que a coisa toda ficou corrida demais para ter um bom efeito. No geral, regular. Escrito por Claudia Dugim.

  • A Torre e o Dragão: melhor conto dessa edição. Sinceramente, eu o adorei. Adorei tudo, desde a escrita até o enredo. Perfeito, sem mais. Se a autora, Melissa de Sá, fizesse um livro com esse plot eu compraria sem pensar duas vezes. O final foi muito bom, (e sim, agora vou dar uma stalkeada básica na escritora pra ver se acho mais trabalhos dela).
Além dos cinco contos, a Trasgo conta também com uma galeria de imagens, que muda a cada edição. Dessa vez o artista foi o Filipe Pagliuso, e você pode clicar aqui para conferir as obras dele para a revista.

E, por último, você pode enviar seu conto para a próxima edição da Trasgo. Para mais informações, clique aqui. Para ler/baixar a Trasgo, clique aqui.

Talvez, em um futuro distante, eu tente enviar um conto meu para a Trasgo, mas bem, primeiro eu preciso de uma ideia, né? Por enquanto vou me contentar em esperar as próximas edições.

Enfim, três estrelas para a edição piloto da Trasgo.

fantasia leya literatura nacional

Resenha: Fios de Prata, Raphael Draccon

21:11neo
Fios de Prata
Raphael Draccon
Leya

Mikael Santiago realizou o sonho de milhares de garotos. Aos 22 anos era o jogador brasileiro com o passe mais caro da história do futebol. Mas à noite os sonhos o amendrontavam. Às vezes, o que está por trás de um simples sonho – ou pesadelo – é muito maior que um desejo inconsciente. Há séculos, Madelein, atual madrinha das nove filhas de Zeus, tornou-se senhora de um condado no Sonhar, responsável por estimular os sonhos despertos dos mortais. Uma jogada ambiciosa que acaba por iniciar uma guerra épica envolvendo os três deuses Morpheus, Phantasos e Phobetor, traz desordem a todo o planeta Terra e ameaça os fios de prata de mais de sete bilhões de sonhadores terrestres. Envolvido em meio a sonhos lúcidos e viagens astrais perigosas, a busca de Mikael pelo espírito da mulher amada, entretanto, torna-se peça fundamental em meio a uma guerra onírica. E coloca a prova sua promessa de ir até o inferno por sua amada.
Li esse livro ano passado e já fiz uma resenha para meu tumblr há algum tempo, mas sinto que preciso de uma nova e mais detalhada agora. Plus, estou tão gripada que meus olhos ardem e respirar dói, e para completar coloquei aparelho ontem e no momento quero arrancar todos os meus dentes de tão nervosa que esse treco me faz ficar, com o bônus sendo que mal posso comer e isso está me levando lentamente à loucura/consideração de pensamentos assassinos. Então, sim, preciso extravasar toda a irritação que estou sentindo ou realmente acabarei matando alguém, esse alguém sendo muito provavelmente meu irmão, que vem reclamando de um bug em World of Warcraft no meu pé do ouvido desde domingo quando ele sabe muito bem que eu odeio World of Warcraft!!!!

Mas vamos ao que interessa.

Quando vi esse livro na livraria tive basicamente duas reações. A primeira foi achar a capa e o título maravilhosos. A segunda foi soltar um suspiro cansado, olhar para o céu e perguntar mentalmente, por quê?, quando percebi que o livro era do Draccon.

Sei que isso soa meio cruel e preconceituoso, mas já comprei um livro do Draccon, Dragões de Éter, e nunca consegui passar da página cem porque onomatopeias, caps lock, quebra da fourth wall e diálogos pra lá de desajeitados não são características que eu aprecio em livro algum. E a própria narrativa me pareceu infantil demais, então deixei a história, que até parecia bastante interessante, pra lá. Acho que fica fácil imaginar porque desanimei tanto ao ver que Fios de Prata era do mesmo autor deDragões de Éter. A ideia me pareceu excelente, mas meu sexto sentido apitando loucamente não deixou que eu comprasse o livro da primeira vez que o vi.

Lá pela vigésima vez, desisti e o comprei.

Foi a última vez em que não confiei em meu sexto sentido.

(Mentira, teve O Trono de Vidro que veio depois, mas só).

Primeiro, tenho uma confissão a fazer: nunca li Sandman. Ou qualquer outra coisa do Neil Gaiman, pra falar a verdade. Pretendo o fazer um dia, mas acho que por ter colocado Gaiman e Stephen King no mesmo nível de fama/credibilidade (por motivos que eu mesma desconheço), depois de ter me decepcionado com um livro do King minha vontade de ler algo do Gaiman morreu. Sei que é uma razão estúpida, mas foi o que aconteceu. Sendo bem sincera, fico meio receosa de ler autores muito consagrados porque acabo indo com muitas expectativas e quebrando a cara, e meio que já li livros ruins demais esse ano e não preciso odiar outro livro amado por todos, muito obrigada.

(E aparentemente Sandman é HQ???? Menos chances ainda de eu ler um dia, plep).

Mas enfim, Fios de Prata começou muito bem, para surpresa minha e das minhas amigas, com quem sempre compartilho minhas opiniões sobre livros que estou lendo. As descrições eram boas e o ritmo também, e apesar dos diálogos desajeitados (de novo), eu estava disposta a perdoar defeitos menores em prol da ideia de gostar de um livro de fantasia nacional (also, se você não perdoar diálogos desajeitados não vai gostar de livro de fantasia brasileiro nenhum, porque juro que essa é a falha mais comum de todos eles). Mas minha alegrai foi curta; não demorou muito e o livro começou a desandar.

Causa número um: os personagens. São péssimos, sem mais. Ocos, sem profundidade, estereótipos puros sem a menor tentativa de originalidade ou até mesmo verossimilhança. Ariana é gaúcha, então claro que tivemos gírias gaúchas em cada frase dita pela moça, mas a "gaúchisse" dela começou e acabou aí. Ela é uma ginasta de personalidade forte, o que basicamente quer dizer que ela solta umas respostas de vez em quando, mas só. Ela acaba presa no mundo dos sonhos e nosso herói, Mikael Santiago, ou Allejo, tem como missão resgatá-la. Fazer uma pseudo-personagem feminina forte apenas para tê-la sendo salva pelo homem protagonista, hm? Por que isso não me surpreende?

O Allejo então, nem se fala. Jogador de futebol, rico, pegador, conhecedor de cultura nerd e uma boa pessoa. Tem a profundidade de uma poça no meio da estrada, e é tão ignorável quanto uma. Um Gary Stu em toda sua glória. Blah.

O resto dos personagens é tão marcante que não consigo lembrar do nome deles. Oops.

Causa número dois: o romance. Senhoras e senhores, bem vindos ao reino do insta-love, ou, para os marinheiros de primeira viagem que não costumam ler livros com muito romance, o amor instantâneo aka o melhor modo de fazer os dois pombinhos se apaixonarem sem se preocupar com coisas inúteis como desenvolvimento do relacionamento ou dos personagens. E vocês pensando que insta-love pertencia só aos "livros para garotas", hm? (O Poder da Espada, eu estou olhando para você.)

A cena que mais me marcou do relacionamento de Ariana e Allejo foi o momento em que ele se apaixonou por ela, numa cena em que ela se apresentava em alguma competição. Como se esquecer de Allejo babando nas características físicas de Ariana e se declarando apaixonado após vê-la executar um monte de saltos com nomes complicados (obviamente o autor teve que colocar os nomes deles lá, e também mencionar o quão difícil eles são)? Pra que se apaixonar após meses (ou anos) de convivência se você pode cair de amores por alguém depois de vê-los fazer um salto duplo carpado, já que se apaixonar assim custa bem menos desenvolvimento de personagem e página?

Mas pode continuar babando pela Ariana, Allejo. Eu ficarei aqui, encarando o seu relacionamento com ela (a maior causa da história existir, falando nisso), mais ou menos assim:



Mas, como eu disse, pode continuar :)

Causa número três: a escrita que, sim, começou ótima, deu alguns saltos carpados incríveis, mas terminou estatelada no chão com as pernas pra cima. Um desastre.

Sabe que Fios de Prata me lembra uma versão brasileira de A Lâmina na Alma? Não, as histórias não são nada parecidas, mas ambas as histórias compartilham uma coisa: a vontade ferrenha (lê-se desespero) de ser épica. Ou seja, usam purple prose o tempo todo.

Eu pude sentir esse livro tentando me convencer de que ele era a coisa mais épica da Terra. Ele tentou, e tentou muito. Houve longas descrições cheias de floreios, inúmeras referências à cultura pop, uma tentativa (que foi se tornando cada vez mais desesperada à medida que o livro ia se aproximando do fim) de mostrar que aquela era uma guerra que atingia a todos e influenciava a todos (e que por isso, obviamente, era tão, mas tão importante) e passagens feitas simplesmente para servir de quote, de tão forçadas e wtf que foram.

Como eu já disse, um desastre.

Causa número quatro: o final. Um final com um senhor deux ex machina, vale frisar.

Acho que o Draccon pensou que o deux ex machina soaria como um plot twist, mas esse não foi, nem de longe, o caso. Veja bem, não havia modo algum de as coisas se resolverem do jeito que elas estavam, então algo teve que surgir do nada para dar um fim à história. Basicamente um "epa não sei como concluir isso usando as coisas que foram apresentadas durante o livro, então vou ter que pegar isso aqui, algo quase sem relação alguma com tudo que aconteceu, e usar para resolver tudo. Genial!"

Mas eu ri, porque o final foi meio de desenho animado e porque eu gostei de ver alguns personagens quebrarem a cara lindamente. Mas sim, foi um deux ex machina. Ha.

Parei de ler Os Dragões de Éter porque o estilo não me agradou, mas lá cheguei a considerar a escrita do autor boa (apenas não meu tipo de escrita, saca). Fios de Prata, porém, me traumatizou demais para que eu volte sequer a considerar comprar um livro dele. Nem rola. Isso é um adeus, feliz ou infelizmente.

A única coisa boa desse livro foi o Phantasos, e não, não foi porque ele é um bom personagem. Mas tinha elfos no reino dele, so yay, call me biased, mas eu tinha que me apegar a algo bom no meio dessa bagunça. Anyway, uma estrela para Fios de Prata.

(Se eu sei que estou provavelmente destruindo minhas chances de ser publicada aqui no Brasil com essa resenha? Ô se sei, mas, obviamente, não me importo. Tsk).

Formulário de contato